| Passageiros
enfrentam atrasos de aproximadamente uma hora e meia
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da Folha Online
Os
passageiros enfrentam o sexto dia de atrasos nos principais
aeroportos do país nesta quarta-feira, véspera
do feriado prolongado de Finados. A espera é de,
em média, uma hora e meia.
O
presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores na Proteção
ao Vôo, Jorge Carlos Botelho, disse que a situação
deve voltar a normal em dez dias, após o controle
aéreo de Brasília receber dez controladores
que serão remanejados de outros Estados. No entanto,
eles terão que passar por um treinamento que levará
de 60 a 90 horas, por isso as operações não
serão normalizadas de forma imediata.
"Não
tem jeito. A população e o setor de aviação
têm que se adequar. A aviação cresceu
demais e a estrutura do espaço aérea não
foi atualizada para suportar", disse Jorge Carlos Botelho,
presidente do sindicato, que participou de uma reunião
da categoria com o ministro da Defesa, Waldir Pires.
Atrasos
No
aeroporto internacional de São Paulo em Cumbica,
em Guarulhos (Grande São Paulo), das 3h às
14h30, 32 vôos atrasaram. O pior caso era de um vôo
da Gol que saiu de Manaus (AM) e deveria ter chegado ao
terminal paulista às 9h40, mas ainda não havia
aparecido, às 15h15. os atrasos ocorridos variavam
de 30 minutos a duas horas.
No
aeroporto de Congonhas (zona sul de São Paulo), das
6h às 13h30, cerca de 160 vôos --entre pousos
e decolagens-- sofreram atrasos que variaram de 45 minutos
a uma hora e meia.
No
aeroporto internacional Juscelino Kubitschek, em Brasília,
o tempo de espera chegou a três horas. Pela manhã,
foi registrado atraso de cinco horas em um vôo.
No
aeroporto Tom Jobim, no Rio, a espera, na tarde desta quarta,
era de 40 minutos. Pela manhã, chegou a três
horas. De acordo com a Infraero (estatal que administra
os aeroportos), o caso mais grave era de um vôo da
Varig com destino a Buenos Aires (Argentina) que deveria
ter partido às 7h30 e tinha saída prevista
apenas para 14h30.
Também
foram registrados atrasos de até duas horas e meia
em Fortaleza e de uma hora e meia em Salvador e em Recife.
Crise
A
crise no setor aéreo começou na última
sexta-feira (27), quando os controladores de Brasília
iniciaram uma operação-padrão --elevaram
a distância entre os aviões e reduziram o número
de aeronaves vigiadas por controlador. As normas internacionais
determinam que cada operador deve controlar, no máximo,
14 aeronaves no mesmo instante.
O
trabalho no Cindacta 1 (Centro Integrado de Defesa Aérea
e Controle de Tráfego Aéreo), com sede em
Brasília, está desfalcado desde o afastamento
de oito controladores, após a queda do avião
da Gol em Mato Grosso, que resultou na morte dos 154 ocupantes,
em 29 de setembro.
Medidas
Na
terça-feira (31), o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva convocou as principais autoridades do setor
e, ao final da reunião, o ministro da Defesa, Waldir
Pires, anunciou algumas medidas para tentar conter a crise
no tráfego aéreo, porém, admitiu não
ter garantias de que a situação se normalize
nos próximos dias. "Estamos trabalhando para
uma solução mais rápida possível",
disse.
Entre
as medidas anunciadas para conter a crise estão a
mudança de rotas para evitar o congestionamento na
área do radar de Brasília --o que poderá
aumentar o tempo desses vôos--, suspensão das
férias e a abertura de concurso para controladores
de tráfego aéreo. Na segunda-feira, A Aeronáutica
já havia limitado vôos de aeronaves pequenas
durante os horários de pico --a medida deve valer
até o fim do mês, mas ainda não surtiu
efeito.
Além
disso, o governo anunciou a criação de uma
"cooperativa" com representantes de empresas aéreas,
controladores de radar e funcionários da Anac (Agência
Nacional de Aviação Civil). Caberá
a essa cooperativa decidir em tempo real as prioridades
de decolagens e eventuais fusões de vôos para
diminuir o tráfego. Segundo o presidente do Snea
(Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias), George
Ermakoff, "a qualquer sinal de problemas, as empresas
aéreas poderão se antecipar aos fatos."
Fonte:
www.folhaonline.com.br |