| BNDES
pagará R$ 10 bilhões para evitar apagão
Fonte: Gazeta Mercantil
A capitalização do Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES), aprovada na última
semana pelo governo federal, beneficiará diretamente
o setor elétrico com um montante potencial de R$
10 bilhões em novos financiamentos. A iniciativa
praticamente abre as portas do banco para os projetos das
mega-usinas do Complexo Rio Madeira (RO) e de Belo Monte
(PA), que deverão ser licitadas provavelmente nos
próximos dois anos.
Além
de reduzir a perspectiva de racionamento, os dois complexos
de usinas, segundo cálculos do banco, permitirão
uma redução de até 80% dos R$ 3,6 bilhões
de subsídios pagos por todo o país para financiar
a demanda de energia dos estados da região Norte,
incluídos no chamado sistema isolado. Por não
estarem integrados ao Sistema Interligado Nacional, que
garante o abastecimento da maioria dos estados brasileiros,
Acre, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Amapá
têm o fornecimento de energia garantido por meio de
termelétricas que utilizam óleo combustível
em suas operações.
Derivado
mais caro, por estar sujeito às variações
dos preços internacionais do petróleo, o óleo
também caracteriza-se como um combustível
agressivo do ponto de vista ambiental. Sua utilização
é financiada pela Conta de Consumo de Combustível
(CCC), uma taxa cobrada das contas de energia de todos os
consumidores.
Chefe
da Área de Energia do Departamento de Infra-estrutura
do BNDES, Nelson Siffert justifica a expectativa ao lembrar
que os prováveis 12 mil megawatts (MW) de energia
esperada para as novas hidrelétricas do Norte serão
capazes de substituir a quase totalidade das térmicas
movidas a óleo atualmente em operação
na região. Segundo cálculos da Agência
Nacional de Energia Elétrica (Aneel), os consumidores
de energia em todo o Brasil transferem uma média
de R$ 3,6 bilhões, por ano, para financiar essas
usinas. Desse total, R$ 1,8 bilhão são destinados
exclusivamente para as térmicas do estado do Amazonas.
Aprovada
por meio da Medida Provisória 315, que tornou viável
o pacote cambial do governo, a capitalização
do BNDES ampliará a atual exposição
da instituição no setor elétrico dos
atuais R$ 20 bilhões para um limite de até
R$ 31 bilhões. Segundo Siffert, a prioridade da instituição
é financiar os segmentos de geração
e transmissão de energia elétrica. Para isso,
também aprovou a modificação das exigências
do banco para projetos na área de infra-estrutura.
Para
garantir as operações, os financiamentos serão
liberados pela modalidade de project finance, que prevê
o fluxo de caixa do empreendimento como garantia. A partir
de agora, revelou, em vez de exigir garantias de até
130% do valor dos empréstimos, o BNDES passou a exigir
um Índice de Cobertura do Serviço da Dívida
(ICSD) maior ou igual a 1,3. Ou seja, a geração
de caixa do empreendimento financiado terá que superar
em 1,3 vezes o total de juros e amortizações
mensais comprometidos com as parcelas dos empréstimos.
O
banco poderá financiar até 80% do valor de
cada empreendimento. Para isso, no entanto, será
cobrado um prêmio básico de 2% ao ano, além
de uma remuneração de 80% em Taxa de Juro
de Longo Prazo (TJLP, em torno de 7%, mais barata que a
Selic, a taxa de juro básico do Banco Central). Os
outros 20% serão atrelados ao IPCA (Índice
de Preços do Consumidor Amplo, que mede a inflação
oficial do país). As operações poderão
ocorrer diretamente com o BNDES e indiretamente, por meio
da intermediação de um agente financeiro privado.
Cada operação, segundo Nelson Siffert, demandará
uma análise específica.
Fonte:
http://br.invertia.com
|