| Sem
acordo, empresa diz que iniciará os cortes
Metalúrgicos fazem assembléia e decidem ação
contra demissões
Por:
Cleide Silva
Ao
mesmo tempo em que seu representante estava em Brasília
com ministros, a direção da Volkswagen informava
ontem aos trabalhadores de São Bernardo do Campo
que não conseguiu chegar a um acordo com o Sindicato
dos Metalúrgicos do ABC. Diante disso, iniciará
o envio de cartas para um grupo de trabalhadores que será
demitido em novembro, sem pacote de incentivos. Hoje, os
trabalhadores fazem assembléia para aprovar a reação
aos cortes.
Em
nota distribuída aos empregados ontem por volta das
14h30, a Volks afirmava que, "considerando não
ter sido possível chegar a um entendimento, nos próximos
dias será dado início ao processo de comunicação
aos empregados que serão desligados após 21
de novembro", período em que vence o o acordo
de estabilidade feito em 2001. Nessa primeira leva estão
previstas 1,8 mil demissões.
A
Volkswagen falava inicialmente em demitir 3,6 mil funcionários
até 2008. Na semana passada disse que, sem um acordo
para o plano de reestruturação, 6,1 mil vagas
seriam eliminadas, metade do quadro atual, de 12 mil pessoas.
Também ameaçou fechar a fábrica.
Nenhuma
reunião estava agendada para hoje entre a Volks e
os trabalhadores. Ainda assim, o presidente do Sindicato
dos Metalúrgicos do ABC, José Lopez Feijóo,
disse estar "aberto a possibilidades" até
as 14h30, horário da assembléia.
Durante
as negociações realizadas de quarta-feira
até domingo, a Volks insistiu no plano de reestruturação
que prevê redução de benefícios
trabalhistas e eliminação de 3,6 mil vagas.
O sindicato queria ao menos que fosse por meio de programa
de demissão voluntária (PDV), em que o interessado
recebe incentivos para sair. Mas a montadora quer indicar
quem sairá.
Hoje,
os trabalhadores devem aprovar um calendário de protestos.
A própria montadora já anunciou férias
coletivas entre os dias 18 e 28, o que reduziria o impacto
de uma greve neste momento. Além disso, há
estoque de automóveis para cerca de 40 dias de vendas.
SEM
INVESTIMENTO
A
Volks alega que, sem a reestruturação, anunciada
em maio, a fábrica Anchieta não será
incluída no plano de novos investimentos que será
definido pela matriz em setembro, na Alemanha.
Inaugurada
oficialmente em 1959 pelo presidente Juscelino Kubitschek,
a Anchieta marcou o início da produção
de carros em larga escala no País. Os primeiros modelos
a saírem da linha foram Kombi e Fusca. Hoje, a fábrica
ainda produz a Kombi, além de Gol, Saveiro, Polo
e Fox Europa.
Apesar
de ter recebido investimentos de R$ 2,1 bilhões para
a produção do Polo e do Fox, a fábrica
é considerada obsoleta e de baixa produtividade.
Somado a isso, a empresa alega perda de contratos de exportação
do Fox para o mercado europeu por causa do real valorizado.
A
produção atual, de 900 veículos por
dia, deveria baixar para 700 em 2008 (se houvesse reestruturação).
Sem o processo, diz a montadora, a produção
não deve passar de 300 unidades diárias, o
que tornará inviável a manutenção
da fábrica.
Fonte:
www.estadao.com.br |