| Petrobras
se diz "inconformada" com apropriação
de negócios na Bolívia
A partir de agora, estatal boliviana se encarregará
da comercialização no mercado interno e externo;
medida inviabiliza negócios no país, diz Petrobrás
Por: Aline Cury Zampieri
SÃO PAULO - A Petrobras manifesta "inconformidade"
diante de decisão do governo boliviano que dá
à empresa de petróleo e gás local,
a YPFB, o direito proprietário por essas commodities
naquele país. Em nota, a companhia brasileira comenta
a Resolução Ministerial 207/2006, divulgada
nesta terça-feira, 12 de setembro, pelo Ministério
de Hidrocarbonetos e Energia da Bolívia, na qual
se estabelecem novas condições de produção,
transporte, refino, armazenagem e comercialização
de petróleo e gás liquefeito de petróleo
(GLP) e incluem todas as etapas da cadeia de preços
dos derivados de petróleo.
Segundo
a Petrobras, a decisão compreende a apropriação
dos fluxos de caixa da empresa pela YPFB, o que colocaria
"em risco a manutenção dos financiamentos
já contratados pela empresa e, em conseqüência,
a manutenção normal de suas atividades. Neste
sentido, a Petrobras está avaliando possíveis
medidas a adotar em virtude desta determinação
unilateral do Ministério de Hidrocarbonetos e Energia".
A
Resolução Ministerial do governo da Bolívia
diz que a YPFB regularizará em 30 dias, por meio
de contratos, os serviços de transporte, refino e
armazenamento de petróleo, gás liquefeito
de petróleo e refinados, garantindo a continuidade
do abastecimento para o mercado interno. Diz ainda que,
em cinco dias após a publicação da
regra, as refinarias que operam no país devem enviar
à YPFB seus contratos de prestação
de serviços e de comercialização de
produtos refinados para o mercado externo, com todos os
antecedentes, para suas respectivas revisão, revogação
(se for o caso) e/ou adequação.
Ainda,
o governo diz que deverá, até 31 de outubro,
determinar a nova margem de refino na Bolívia. Ainda,
dentro de 30 dias após 12 de setembro, serão
calculados os "benefícios extraordinários
recebidos pelas refinarias desde 16 de maio de 2005 até
a data de publicação da resolução".
A medida visa a cumprir, em tempo hábil, regra que
nacionaliza 50% mais uma ação da Petrobras
Bolívia Refino.
Em
sua nota, a Petrobras diz ainda que, diante desta decisão
do governo boliviano, "manifesta seu desacordo com
a medida, desde o ponto de vista legal, operacional e financeiro,
já que a decisão inviabiliza totalmente os
negócios de refino da companhia no país".
A
empresa esclarece, também, que as margens de refino
são definidas pela Superintendência de Hidrocarbonetos.
Em maio de 2005, este órgão regulador estabeleceu
a margem que atualmente está em vigência, e
esse valor, segundo a Petrobras, é insuficiente para
cobrir os custos da empresa, razão pela qual a Petrobras
solicitou sua revisão em diversas oportunidades.
A
estatal brasileira diz também que, neste período,
os resultados negativos obtidos, para manter abastecido
o mercado interno, têm sido compensados pela conjuntura
favorável dos preços internacionais dos produtos
exportados (gasolinas e petróleo reconstituído),
ainda que isto signifique assumir o risco da volatilidade
desses preços no mercado internacional. Por isso,
a Resolução Ministerial 207/2006 compromete
a manutenção das atividades de refino ao impedir
o acesso da empresa a estes mercados.
"Mediante
a utilização de modernas tecnologias de operação
e gestão - apesar do caráter deficitário
do suprimento do mercado interno - a Petrobras foi capaz
de obter ganhos médios de US$ 14 milhões para
um investimento inicial de US$ 105 milhões, desde
que ficou responsável pela operação
das refinarias, mantendo um fluxo constante de aportes ao
Estado boliviano. Esses valores desvirtuam o critério
de que a companhia tenha tido ´benefícios extraordinários´",
continua a Petrobras.
Apesar
do ocorrido, a empresa reitera uma vez mais seu compromisso
com o desenvolvimento do país e manifesta sua "profunda
preocupação com os efeitos negativos que esta
decisão unilateral terá para a indústria
nacional e regional". A companhia sustenta que atua
e atuará sempre com transparência, respeitando
as leis vigentes na Bolívia.
Fonte:
www.estadao.com.br |