| Júri
sobre morte de juiz começa na segunda-feira
Por Fernando Porfírio
Está
confirmado para a próxima segunda-feira (14/8), às
13 horas, o início do julgamento de João Carlos
Rangel Luisi - o Jonny. Ele é um dos acusados de
envolvimento no assassinato do juiz-corregedor dos presídios
e da vara de execuções criminais de Presidente
Prudente, Antônio José Machado Dias, ocorrido
em março de 2003.
De
acordo com os autos, a participação de Jonny
na execução do crime foi falsificar documentos
e maquiar um carro roubado em São Paulo, usado na
emboscada ao juiz. Ele vai responder pelo crime de homicídio
duplamente qualificado. A confirmação do julgamento
é do Tribunal de Justiça de São Paulo.
Jonny
foi internado, na segunda-feira (7/8), no hospital universitário
de Presidente Prudente com vômitos e diarréia.
Há suspeitas de que o preso tenha sido vítima
de uma tentativa de queima de arquivo. Integrantes da organização
criminosa não teriam interesse no julgamento. A Polícia
suspeita que Jonny foi obrigado a tomar um coquetel de cocaína,
viagra e água.
O
julgamento será no plenário 8, da 1ª
Vara do Júri de São Paulo, no Fórum
Criminal da Barra Funda. A mudança do local do Júri
aconteceu por causa de pedido de desaforamento (deslocamento
do julgamento do processo de uma comarca para outra) formulado
pela Vara do Júri de Presidente Prudente e deferido
pela 3ª Câmara Criminal do TJ.
Jonny
é o primeiro dos quatro acusados de participar do
crime que vai a júri popular. O Ministério
Público denunciou, ainda, Adilson Daghia - o Ferrugem,
Ronaldo Dias - o Chocolate, e Reinaldo Teixeira dos Santos
- o Funchal. A previsão é de que o júri
dure três dias.
Histórico
O
juiz corregedor foi morto com dois tiros no dia 14 de março
de 2003. Ao deixar o Fórum onde trabalhava, ao volante
de seu Vectra, Machado foi assassinado com vários
tiros em uma emboscada. A morte teria sido encomendada por
Marcos Willian Herbas Camacho, o Marcola, e outros líderes
da organização criminosa PCC - Primeiro Comando
da Capital. Os criminosos estariam descontentes com a atuação
rigorosa do juiz na condução da Corregedoria
dos Presídios.
O
julgamento de Jonny tinha sido marcado para o dia 28 de
março, mas foi adiado por causa de uma rebelião
no Centro de Detenção Provisória de
Pinheiros (CDP), onde na época ele estava detido.
A
decisão que transferiu o local do julgamento de todos
os acusados foi tomada em dezembro de 2004. O motivo foi
a falta de segurança para a sessão do Júri
em Presidente Prudente. A Câmara atendeu pedido do
juiz do Júri Antonio Roberto Syllas.
O
pedido de desaforamento foi subscrito por todos os promotores
de Justiça da região e pela própria
defesa. O fundamento foi o de que em Presidente Prudente
não existiria julgamento imparcial porque clima é
de revolta. A ordem e a segurança também estariam
ameaçadas. Segundo o pedido, várias ameaças
de bombas estão sendo endereçadas às
Polícias Civil e Militar.
O
juiz Antonio Roberto Syllas relatou que jurados amedrontados
pedem para que sejam dispensados do julgamento e tenham
excluídos seus nomes da lista do conselho de sentença.
Promotores de Justiça e advogados dos acusados dizem
temer pela segurança dos réus, dado o grande
número de presídios na região de Presidente
Prudente onde poderão ocorrer rebeliões e
até mesmo atentados.
Fonte:
Revista Consultor Jurídico, 11 de agosto de 2006
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