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QUE NÃO ACONTECE NO RIO O QUE ESTÁ ACONTECENDO
EM SÃO PAULO ?
A ação dos presidiários do PCC –
Primeiro Comando da Capital – que, por três
vezes paralisou este ano a mais importante metrópole
da América Latina – suscita muitas especulações
e controvérsias.
Tradicionalmente estas manifestações organizadas
de presos acontecia no Rio de Janeiro, sob a liderança
do Comando Vermelho, organização presidiária
surgida nos anos 1970, na Ilha Grande, influenciada pelos
presos políticos.
Agora, São Paulo, a cidade asséptica, supervigiada
e cheia de proteção, está insegura
diante da ação do PCC de dentro para fora
dos presídios, onde os chamados “ bin lader”
investem contra ônibus, bancos, supermercados, instituições
públicas, para demonstrar força política
organizativa do PCC.
Por que isso acontece em São Paulo ?
Em primeiro lugar, as classes dominantes paulistas são
arrogantes. Elas não admitem que as classes perigosas
possam ter poder iguais a elas, já que eles, os “
legais”, investem bilhões de reais em sua segurança,
aliás, cujos protetores são pessoas originárias
das chamadas classes perigosas.
Em segundo lugar, os paulistanos são protestantes,
isto é, para eles, o desenvolvimento capitalista
é um fato histórico inrrefutável, onde
os demais devem render-lhes homenagem pelo extremo desenvolvimento
do emprego e da chamada civilização.
No Rio de janeiro, a crença no capitalismo teve momentos
de dúvidas claras quando grupos populares preferiram
enfatizar a malandragem e negar o trabalho assalariado como
modo de sobrevivência popular.
Por seu lado, as elites paulistanas se defrontam com detentos
que negam todo o passado histórico das famílias
quatrocentonas e estão instaurando uma nova forma
de contestação às normas burguesas
estabelecidas pelas famílias tradicionais, partindo
para a quebra do estado de direito ao atacar frontalmente
as instituições responsáveis pelo cumprimento
da lei.
São Paulo não é uma “cidade aberta”
como é o Rio de Janeiro, onde , historicamente, diversos
grupos étnicos do Brasil e do exterior puderam encontrar
abrigo e defender suas bandeiras pessoais de nacionalização,
cultura e verdade histórica, mesmo com o impacto
da repressão.
Neste sentido, podemos dizer que o Rio de Janeiro tem uma
tradição de saber negociar com quem tem poder
no espaço público/privado da cidade, possibilitando
que determinados setores criminosos não se deixem
contaminar pela onda contestatória que vem arrasando
com o estado de direito paulista.
Em síntese, para que a desordem não se estabeleça
no Rio de Janeiro, as elites cariocas estão acostumadas
a dividir o poder. Neste sentido, nenhuma ação
social-comunitária é feita numa comunidade
carente sem a autorização do traficante-chefe
daquela comunidade.
É, neste sentido, que o poder público tem
sentar na mesa dos bicheiros que dominam a organização
do carnaval carioca para estabelecer as normas da formidável
festa popular. É também, neste sentido, que,
nos presídios as quatro facções não
são reprimidas violentamente pelos guardas, pois,
elas, em determinadas instâncias, alimentam um supermercado
de negócios escusos dentro da cadeia, onde o poder
público não tem interesse em intervir, sob
pena de colocar em risco o sistema penitenciário,
como acontece em São Paulo.
Jornal
ASFUNRIO
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