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Jovens
do Complexo da Maré (XXX RA) cantam músicas
para
Moradores da Zona Sul com apoio da ASFUNRIO e da Aula (
Associação Universitária Latino Americano).
Ao todo, foram realizados dois eventos: o primeiro, na Baixa
do Sapateiro, ao lado do Colégio IV Centenário,
na Rua Nova Canaã, na Maré, e o segundo, ao
lado da Barraca do Axé Rio, no Leme, no calçadão
à beira mar.
É bastante comum vermos na Zona Sul passeatas de
protestos, shows com iniciativa da sociedade e da Prefeitura
do Rio. “Não será à hora de serrarmos
as grades que nos “separam” e como diz Gonzaguinha,
“cantar e cantar e cantar com a certeza de ser um
eterno aprendiz””? Foi com essa iniciativa que
apoiamos os jovens da Maré. A sociedade deve e pode
fazer alguma coisa, e pare de achar que toda solução
virá com o apoio do governo. Violência se combate
com cultura e educação.
O objetivo desta parceria também foi incentivar os
jovens da Maré a interagir com cultura, fato que,
na prática, já acontece, mas muito tímida.
Cantando sucessos de monstros sagrados do rock, pop e MPB
- como Cássia Eller, Cazuza, Legião Urbana,
Mamonas Assassinas –, e também sucessos como
“Alagados”, dos Paralamas do Sucesso, os artistas
da Maré deram uma demonstração de vitalidade
e beleza ao evento.
A interpretação do rock “Alagados”,
de Herbert Viana, foi um momento especial para eles. A música
virou uma espécie de hino da comunidade, principalmente
neste trecho da letra: “(..) a esperança não
vem do mar nem das antenas de TVs, a arte de viver da fé
só não se sabe fé em que”.
Essa paródia da realidade tudo na maior diversão,
deixa sempre uma reflexão em meio ao caos e à
violência que sacode esta cidade. Assim como na Maré
e na Zona Sul, o sentimento de impunidade prepondera ao
ponto de muitas pessoas não saírem de casa
com medo.
No entanto, a vida cultural densa e forte das 17 comunidades
do Complexo da Maré salta aos olhos. No Parque União,
existe uma grande feira onde se pode encontrar de tudo,
além do forró que é ao vivo e de graça.
Nesta feira, astros da comunidade dançam e cantam
com bailarinos e coreógrafos, músicas de seus
repertórios e de sanfoneiros consagrados, como é
o caso de Dominguinhos e Luiz Gonzaga.
Percebi
que embora os noticiários sobre São Paulo,
crimes e violência amedrontam as pessoas, mesmo assim
os moradores saíam de casa para o lazer e entretenimento
noturnos sem ligar para o clima “salve-se quem puder”,
expresso pela mídia. Por que será que a população
tem essa força espiritual tão grande ? Escuta-se
tiros, que, às vezes nos confundem com fogos de artifícios
e mesmo assim as pessoas vão às ruas.
Na Maré há toque de recolher quando há
guerra de facções e confronto com o Caveirão.
Na Zona Sul, existe o medo de assalto, roubo de carros e
a síndrome do arrastão. Rio, cidade sitiada
e pior lugar do mundo para se viver, segundo alguns paulistas,
tem seus contrastes e pura fantasia conhecidos por todos,
como o carnaval, futebol e samba.
*Reinaldo
de Jesus Cunha
Suplente do Conselho Municipal de Assistência Social
Suplente do Conselho de Administração do Previ-Rio
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