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Viva Chávez

"O presidente Chávez permanece em pé como a mais importante figura política que representa realmente um desafio governamental ao imperialismo norte-americano. Levou a luta contra a Alca e a invasão do Haiti; derrotou uma tentativa de golpe de Estado patrocinada pelos EUA e demonstrou que bem-estar social, nacionalismo e independência política são viáveis no Hemisfério".

James Petras, professor aposentado do Departamento de Sociologia da Universidade de Binghamton, em Nova York

As eleições na Nicarágua, o segundo país mais pobre da América Latina, ganharam uma importância didática. Os pouco mais de 3 milhões e meio de eleitores tendiam até ontem a reconduzir à presidência, depois de 16 anos, o ex-líder guerrilheiro Daniel Ortega, ao qual se aliou justamente o homem que foi financiado e enganado pela CIA, quando os Estados Unidos patrocinaram abertamente a contra-revolução de mercenários, que quase destruiu o país de Sandino sem lograr derrubar pelas armas o governo então legitimado pelas urnas.

É curioso que dêem tamanha importância ao pleito e que ninguém se indigne com a arrogante ameaça do governo norte-americano: se Ortega vencer, proibirá os 700 mil nicaragüenses residentes nos Estados Unidos de enviar ajuda a seus parentes pobres, que totaliza U$ 650 milhões.

Monitora de muitos governos do continente, inclusive destas plagas, a poderosa super-ONG Diálogo Interamericano fez coro dos estúpidos de Washington: "O fato de uma volta do líder sandinista ao poder é algo muito difícil de aceitar para muitas autoridades americanas" - declarou Michael Shifter, vice-presidente da dita cuja.

Hoje, os norte-americanos que mandaram incendiar a única refinaria da Nicarágua, em 1986, já não podem mais falar do "perigo soviético". E nem mesmo da exportação da revolução cubana. Cuba está quieta, às voltas com seus próprios desafios.

O inimigo do império
Em compensação, estão de saias justas porque está emergindo na terra de Bolívar uma nova liderança continental, contra a qual, aliás, os banqueiros internacionais e todo o sistema de poder hemisférico já estão jogando pesado com vista às eleições venezuelanas de 3 de dezembro.

Hugo Rafael Chávez Frías, hoje o inimigo público número 1 na América Latina do império decadente, está reacendendo com êxito o sonho de Simon Bolívar de uma pátria americana.

Sem prejuízo do próprio crescimento econômico do seu país, que foi quatro vezes maior do que o do Brasil em 2005, está mostrando que as relações entre nações irmãs podem ser solidariamente fraternas.

E não só países deste lado, como até mesmo os pobres dos Estados Unidos, têm se beneficiado de sua determinação de solidariedade ativa. No império decadente, que invadiu o Iraque para roubar seu petróleo e hoje está numa sinuca de bico, os pobres de vários estados recebem combustível e gás para calefação a preços subsidiados.

Mas foi na Nicarágua enganada pelos EUA que a solidariedade da Venezuela de Chávez foi mais decisiva. Primeiro, ele ofereceu petróleo e fertilizantes ao governo central. Títere dos Estados Unidos, o governo de Manágua não aceitou.

A União de Prefeitos sandisnistas, que reúne um terço dos municípios nicaragüenses, resolveu aceitar a ajuda diretamente. Resultado: a situação nessas cidades mudou para melhor, ao contrário do que acontece no resto do país, ao qual os norte-americanos prometeram mundos e fundos desde a eleição de Violeta Chamorro, em 1990.

Foram precisos 16 anos para os nicaragüenses famélicos descobrirem o logro em que caíram. O império decadente do sr. Bush não está nem aí para o quadro desesperador da Nicarágua, com 54% de desemprego e 60% da população de 5,2 milhões de pessoas vivendo na pobreza e na pobreza extrema.

Em compensação, nos últimos 4 anos, os Estados Unidos deram mais de US$ 3 bilhões de auxílio militar para o chamado Plano Colômbia, que inclui 1.500 "conselheiros" das Forças Especiais norte-americanas, e todavia não só não derrotaram as FARC (Forças Armadas Revolucionárias de Colômbia), como, ao contrário, sofreram importantes derrotas na última ofensiva guerrilheira de 2005-2006.

Sinuca de bico
A existência de um patriota como Hugo Chávez é hoje decisiva para ajudar os países deste continente colonizados a se libertar do secular domínio do mais poderoso. Qualquer coisa que se diga contra ele é uma idiota repetição da propaganda de Washington, que, aliás, vive seus tormentos internos e está contando com a condenação à morte de Sadan Hussein (que ninguém terá peito de executar) para reverter a repulsa do seu povo ao fracasso no Iraque, onde já morreram até ontem de 2.815 soldados norte-americanos.

Cabe aqui um esclarecimento: 70% dos norte-americanos estão hoje contra a invasão do Iraque apenas por causa das mortes dos seus. Se as tropas de Bush e Donald Rumsfeld tivessem dado um passeio (como foi prometido), apossando-se do petróleo iraquiano e assassinando milhares de iraquianos sem perder um só dos seus, o presidente estaria sendo glorificado. E os republicanos ganhariam de ponta a ponta as eleições parlamentares de amanhã.

Você vai dizer que Chávez se aproveita do petróleo. É o que diz a mídia enlatada. Aliás, você que tem TV a cabo me responda: é certo a NET exibir mais de 80 canais estrangeiros e nenhum latino-americano, nem mesmo a Televisa mexicana?

Quais, se você quer saber da verdade, da pura verdade, vale dar uma lida no trabalho do economista Luciano Wexell Severo, formado pela PUC de São Paulo, sob o título "Venezuela: Petróleo semeando emancipação e crescimento econômico". Esta matéria pode ser encontrada em vários sites da internet, inclusive no www.palanquelivre.com

Em seu texto, ele nos surpreende: "Estes sete dispositivos permitem que, apesar do forte crescimento dos preços do petróleo, desde 2004 o PIB não-petroleiro tenha crescido a taxas significativamente mais elevadas que o PIB petroleiro, evidenciando o impacto positivo dos recursos petroleiros sobre as atividades não relacionadas diretamente com o mineral. Enquanto no segundo trimestre de 1999 o PIB não-petroleiro significava 70,5% do PIB total, hoje representa 76,0%. No mesmo período, a participação do PIB petroleiro no PIB total foi reduzida de 20,1% para 14,9%".

 

Pedro Porfírio
www.palanquelivre.com

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