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massacre da Varig, tem abutre mais da conta
"Todos
nós da Varig esquecemos de pedir por nossos empregos...
pedíamos a DEUS para salvar a Varig... mesmo sabendo
que muitos seriam demitidos... mas nunca pensamos... por
isso nos sentimos enganados... que além de demitidos
iríamos ficar sem o que nos é de direito"!
(Comissária demitida da Varig)
No
mesmo momento em que li um pungente desabafo de uma comissária
demitida da Varig, forçada a vender empadas para
pagar as contas, após 22 anos de serviços
prestados à mais tradicional companhia aérea
brasileira, recebi também dois outros e-mails, que
mostram a que ponto chegamos.
Um,
assinado por Marco Antônio Machado Brandão,
depois de dizer que "a Varig já quebrou tarde",
conclui de forma melancólica:
"Adorei
quando quebraram Vasp, Transbrasil e agora a Varig; em seu
lugar surgiram empresas modernas, bem administradas, lucrativas,
oferecendo passagens a preços acessíveis.
És um saudosista, querias que o governo jogasse dinheiro
público para premiar a incompetência, mas a
grande virtude do capitalismo é premiar os competentes
e com todos os seus defeitos ainda não inventaram
nada melhor.
Viva o capitalismo, Viva o mercado".
Outro
é mais mais grave, porque da lavra de um dos cabeças
do Sindicato Nacional dos Aeronautas. Para tentar explicar
a inacreditável postura do SNA, que aprovou o "plano
de recuperação" sem restrições,
Paulo Krepsky investe contra os profissionais que tentaram
evitar que chegássemos onde chegamos.
O
que ele escreveu me deixou mais assustado ainda. Parece
que foi escalado para atacar seus colegas, numa hora em
que começa a fazer água toda a trama que culminou
com a entrega de mão beijada da Varig ao fundo de
investimento norte-americano Matlin Patterson, através
de prepostos.
No
seu e-mail, ele não diz uma só palavra sobre
o seqüestro dos direitos trabalhistas elementares do
pessoal da Varig. Nem tampouco explica a dilapidação
do fundo de pensão dos seus funcionários,
embora a presidente do sindicato, militante de carteirinha
do PT, tivesse acesso privilegiado ao outrora todo-poderoso
José Dirceu e ao próprio "companheiro
Lula".
"Tive
uma surpresa tão grande quanto a da mudança
paulatina do Pedro Porfirio e do Helio Fernandes de defensores
de um futuro para a Varig para defensores dos planos da
TGV para a Varig que se resumem em poder e comissão
sobre tudo que circular de grana".
Eu
não teria por que citar esse e-mail se não
vivêssemos uma expectativa de "novidades"
nessa triste novela. A Assembléia Legislativa do
Rio de Janeiro vai instalar uma CPI (ainda que em cima das
eleições) por iniciativa do deputado Paulo
Ramos, como conseqüência da audiência presidida
pelo deputado Noel de Carvalho, na qual o representante
da Anac demonstrou com evasivas que o complô é
muito mais abrangente do que aparenta.
Uma
matéria publicada pela revista "Época"
desta semana dá o perfil do homem que dá as
cartas na "Nova Varig", admitindo que todo o dinheiro
usado até agora nesse processo escabroso de "recuperação"
veio do fundo norte-americano, configurando uma situação
de ilegalidade, já que uma companhia aérea
brasileira não pode ter mais de 20% de suas ações
em mãos de estrangeiros.
No
momento em que esse "sindicalista" escreve para
agredir seus companheiros de categoria, parece configurar-se
uma situação diferente. O chinês Lap
Chan, que representa o fundo norte-americano, diz e repete
que sai fora da Varig se tiver de pagar um centavo em direitos
trabalhistas. E as decisões na área da Justiça
do Trabalho não deixam dúvida. Não
dá para inventar uma nova empresa, deixando para
a "velha" o espólio de dívidas que
jamais serão honradas.
Sobre
a matéria, veja o que noticiou o jornal "Valor
Econômico":
"A Justiça do Trabalho do Rio obrigou a VarigLog
a assumir o passivo trabalhista da Varig, segundo informaram
fontes envolvidas no caso. A decisão foi do juiz
Múcio Nascimento Borges, da 33ª Vara do Tribunal
de Justiça do Trabalho, que acatou o pedido elaborado
por procuradores do Ministério Público do
Trabalho. A sentença será publicada provavelmente
amanhã no `Diário Oficial da União'.
A
VarigLog adquiriu a parte operacional da Varig em 20 de
julho por US$ 20 milhões, mas o passivo trabalhista
ficaria com a parte da empresa que não foi vendida
e que permaneceu sob recuperação judicial.
Pelo plano de recuperação da Varig antiga,
empresa que herdou uma dívida de R$ 7 bilhões,
o pagamento das rescisões e salários atrasados
seria feito por meio da emissão de títulos
resgatáveis em 20 anos.
Entretanto, no entender do Ministério Público
do Trabalho, como as operações da Varig e
a maior parte do seu patrimônio ficaram com a VarigLog,
existe a sucessão trabalhista".
Segundo
o advogado da nova empresa, Marcelo Mascaro, "se houver
sucessão (de dívida trabalhista), dificilmente
o investidor vai continuar no negócio", posição
que é repetida a todo momento por Lap Chan. Isso
presume que tudo o que se fez até agora terá
que ser reavaliado.
Os
milhares de passageiros prejudicados com toda essa presepada
já começam a ficar impacientes. E até
entre pessoas do governo e do PT já começam
a aparecer vozes discordantes quanto ao fechamento puro
e simples da Varig e dos postos de trabalho.
Na
reportagem da revista "Época", aparece
um novo componente, que mostra a que tipo de expediente
o grupo do fundo norte-americano está recorrendo:
"Dentro
do governo, no entanto, Marco Antônio Audi (o novo
dono da Varig) tem um aliado poderoso. Ele contratou o advogado
Roberto Teixeira da Costa, compadre do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva. A especialidade de Teixeira são empresas
aéreas. Segundo executivos do setor, Teixeira costuma
aparecer sempre que elas estão em dificuldade, com
pleitos para o governo federal. Ele trabalhou para a Transbrasil
e a Vasp. Acompanha a crise da Varig de perto há
quase dois anos. De acordo com representantes dos órgãos
federais de aviação, Teixeira teria usado
sua ligação com o presidente Lula em tom ameaçador
nas reuniões".
Pedro
Porfírio
www.palanquelivre.com
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