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Lula radicaliza campanha

 

Durante comício em Osasco, presidente divide palanque com ‘mensaleiro’ João Paulo Cunha, com quem não fala, e parte para o ataque acusando José Serra de "vomitar preconceito"

SÃO PAULO - Para 6 mil pessoas que foram vê-lo ontem em Osasco, na Grande São Paulo, o presidente Lula acusou o ex-prefeito José Serra (PSDB) de "vomitar preconceito", criticou o PSDB e o PFL e até cobriu de ironias o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), seu carrasco no Congresso, que no auge da crise política o ameaçou de agressão. "Podem provocar, podem baixar o nível da campanha o quanto quiserem", bradou. "Podem colocar quantas denúncias quiserem na TV, que não moverei uma palha".

Ao tentar se manter distante do foco das denúncias de corrupção que recaíram sobre seu governo, o Lula enfrentou uma saia-justa por causa da presença, em seu palanque, de um dos principais envolvidos no escândalo do mensalão, o deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP). Enquanto discursava no reduto eleitoral de Cunha, Lula foi obrigado a silenciar enquanto a multidão gritava insistentemente o nome do ex-presidente da Câmara, que escapou da cassação em abril, apesar do parecer do Conselho de Ética favorável à perda do seu mandato. "Se tivesse tanta gente assim gritando meu nome, eu já estava eleito", disse Lula para a multidão.

Mesmo com os gritos, o ex-deputado manteve-se em seu lugar, no fundo do palco, praticamente invisível aos olhos de boa parte das pessoas que assistiam ao comício. Com palanque cheio, Lula pediu votos para Aloizio Mercadante, candidato do PT ao governo paulista, e para Eduardo Suplicy, que busca a reeleição ao Senado.

No comício de 50 minutos, Lula não mencionou seus adversários, como de hábito, mas a eles se referiu claramente. Sobre José Serra, que há poucos dias culpou a migração pelos problemas na educação de São Paulo, o presidente afirmou: "Não posso admitir que gente do estado mais rico da federação possa ir a programa de TV e vomitar preconceito contra o povo nordestino, que tanto ajudou a construir este país e esta cidade".

Lula disse que seu consolo é que não respondeu a nenhuma provocação. "Sabem por que eu não retruquei nem mesmo aqueles que ousaram dizer que iam bater em mim? Porque eu sabia que o povo brasileiro iria dar a resposta. O senador que disse que ia bater em mim é candidato a governador no Amazonas. Tenho 72% dos votos no estado dele. Ele tem 3%", disse, referindo-se a Arthur Virgílio.

Alckmin também endurece

Após um fim de semana no Norte e Nordeste ao lado de caciques pefelistas adeptos de uma campanha mais ofensiva e com discursos duros contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, deixou ontem a linha ‘paz e amor’ e se curvou à temperatura alta do debate eleitoral. Alckmin acusou Lula de ser arrogante, de subestimar a inteligência dos brasileiros e o relacionou aos escândalos do mensalão, dos sanguessugas e ao caso Waldomiro Diniz. "Na realidade, o presidente deu as costas para o povo brasileiro, para a Justiça e os bons costumes. Trabalhou do lado do Waldomiro (Diniz), do mensalão, dos sanguessugas, do valerioduto, desses escândalos todos. Isso é que é grave", reagiu o candidato.

Em Teresina, divertiu-se quando o senador Heráclito Fortes (PFL-PI) exibiu um boneco ‘Pitóquio’ — uma sátira ao presidente Lula, acusando-o de mentiroso.

 

Fonte: www.odia.com.br

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