| Prioridade
para a educação: assassinaram o português
Se
estivessem vivos, os dicionaristas e lexicógrafos
Aurélio Buarque de Hollanda e Antônio Houaiss
fatalmente teriam sofrido um infarto fulminante já
no primeiro dia de transmissão dos programas eleitorais
gratuitos na TV, tamanha a quantidade de erros de português,
absurdos veiculados em rede para todo o estado, em legendas
que deveriam ajudar os deficientes auditivos a entender
as propostas dos candidatos. A falta de atenção
_ ou será de educação? _ dos candidatos
e dos partidos é tão grande, que não
me espantaria nada se Aurélio e Houaiss ressuscitassem
para pedir mais cuidado e carinho com a nossa língua-mãe.
O
português está sendo impiedosamente assassinado
na frente de todos os brasileiros. Os tropeços se
sucedem em palavras faladas ou escritas. São erros
de concordância ou plurais sem o “s” no
final das palavras. Mas nada foi mais aviltante que ler
“fraldulenta” na legenda da propaganda do PRP,
ou “empobresse”, no PSDC e “falça”,
no PSL. Os erros são tão gritantes, que fica
impossível prestar atenção em qualquer
proposta de campanha.
Na
verdade, a única coisa que consigo pensar é
que educação tem de ser prioridade em qualquer
nível de governo, seja ele municipal, estadual ou
federal. Os erros exibidos são o retrato do descaso
com que o tema vem sendo tratado ao longo de todos esses
anos pelos governantes. Saúde e segurança
também são importantes. Mas educação
é fundamental. Ela é a base para que as pessoas
saibam como se prevenir contra as doenças e se enfrentar
a desigualdade social que arrasta os menos favorecidos para
a marginalidade.
Quando
partidos e candidatos cometem erros grosseiros sinalizam
para seus eleitores que não têm cuidado nem
capacidade para dominar sequer o próprio idioma.
Mostram descaso com cidadãos e com a educação.
Mostram que não se importam ou se comprometem com
o desenvolvimento do povo, do país. Visam apenas
o poder pelo poder. Por isso, é preciso votar com
consciência em quem realmente está habilitado
para representar o povo no Congresso Nacional. Para acabar
com toda essa pouca vergonha que está aí é
preciso começar a pensar seriamente no futuro, em
proporcionar educação de qualidade para toda
a população.
(Indio
da Costa, vereador e ex-secretário de Administração
do Rio)
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