| "Posso
até ser assassinada", teme Denise
Por: Roberta Araujo
A
candidata ao governo fluminense pelo PPS, Denise Frossard,
reafirmou ontem que vai recuperar a polícia com treinamento
e aparelhamento específico e disse que, se eleita,
a corporação irá subir o morro "sem
matar". Ao falar como juiza (inativa) e conhecedora
do sistema carcerário, Frossard admitiu não
ter certeza se terá êxito no combate à
violência, por ser um caso que requer tempo, e vislumbra
até a hipótese de ser assassinada, uma vez
que não pretende dar trégua ao crime "desorganizado".
Denise participou ontem da série de entrevistas Sabatina
Folha, feita pelo jornal "Folha de São Paulo",
na Gávea, Zona Sul.
"Não
sei se vou conseguir ter êxito. Nada muda da noite
para o dia. Mas estou animada, posso até ser assassinada,
já sofri três atentados. Mas vou lutar. Vou
recuperar a polícia, ela não existe",
disse a candidata, dando um ar de suspense ao afirmar que
tem guarda-costas não contratados por ela.
Denise
não quis dar detalhes do seu projeto de governo para
combater a violência no estado. Falou apenas que se
trata de "estratégias". Se contasse, disse
ela, as pessoas do tráfico iriam tomar conhecimento
e agir de outra forma. "Não posso contar, revelar
como isso será feito. Estou sendo ouvida", afirmou
a candidata da coligação "Unir para mudar"
(PPS/PFL/PV).
Frossard
afirmou não ser favorável à intervenção
do Exército em situações que exponham
a população a risco e que pretende ocupar
as favelas com educação. "O Exército
não estabelece papel de polícia. (...) Quando
o policial faz uma intervenção aqui (na Gávea),
não morre ninguém. No morro, morre! Por que
no morro é diferente? Se aqui não morre ninguém,
lá também não tem que morrer. Da mesma
forma, se aqui tem escola de qualidade, lá também
tem que ter".
Frossard
se comprometeu a dar autonomia administrativo-financeira
para a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e
implementar bolsas de auxílio para as famílias
que tiverem os filhos que já trabalham matriculados
em horário integral nas escolas.
A
candidata também se declarou a favor da manutenção
nas favelas do Bolsa Família, programa do governo
Luiz Inácio Lula da Silva, para impedir que os jovens
sejam reféns do tráfico de drogas. E alfinetou
a admistração da governadora Rosinha Matheus
ao dizer que criminalidade e a violência têm
mãe: a corrupção que mora "nos
palácios".
Secretarias
Questionada sobre a implementação de suas
intenções de combate à violência,
já que o orçamento do estado é precário,
Denise prometeu reduzir as secretarias estaduais de 39 para
10, dividindo-as (administrativamente) igualmente entre
homens e mulheres. "Dessa forma, pode-se conseguir
dinheiro para investir nas ações prioritárias".
Sobre as deficiência no setor de transporte, sobretudo
na Baixada, a candidata disse que pretende implantar o sistema
de bilhete único para um período de duas horas.
Prometeu também investir na construção
de moradias nos terrenos ociosos do Metrô e da SuperVia
ao longo das vias férreas da região.
No
final da sabatina, quando foi interrogada também
pelo público presente, Frossard defendeu o programa
de cotas nas universidades e a união civil entre
homossexuais e se disse contrária à descriminalização
das drogas, à pena de morte e à ampliação
do direito ao aborto.
Fonte:
www.tribunadaimprensa.com.br
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