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Alckmin: pacto é "historinha de véspera de eleição"


PATOS DE MINAS (MG) - O candidato a presidente Geraldo Alckmin, da Coligação Por um Brasil Decente (PSDB-PFL), reagiu com ironia à proposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato da Coligação A Força do Povo (PT-PRB-PC do B) à reeleição, de fazer um grande entendimento nacional, independentemente o resultado das eleições. "Isso é historinha de véspera de eleição", disse. "O pacto que precisa ser feito é para erradicar a corrupção, esta praga que não vai deixar o Brasil crescer."

A afirmação foi feita depois de Alckmin participar de um ato político preparado pelo PSDB, ao lado do governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), candidato da Coligação Minas Não Pode Parar (PSDB-PP-PTB-PSC-PL-PPS-PFL-PAN-PHS-PSB) à reeleição, e com participação de 24 dos 28 prefeitos da região do Alto Paranaíba (MG), que tem como principais atividades econômicas as culturas de café e milho.

Apesar das críticas e do desempenho do candidato da Coligação Por um Brasil Decente a presidente nas pesquisas de intenção de votos, ele insiste em manter a estratégia da publicidade eleitoral gratuita de TV, de fazer, como disse, um programa propositivo, mostrando o que pretende fazer pelo Brasil.

Alckmin disse que o tema corrupção está, permanentemente, no discurso, mas não quis responder sobre as críticas que a publicidade eleitoral recebe de partidários, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que cobra mais contundência em favor da punição dos políticos envolvidos em irregularidades como o mensalão e o escândalo dos sanguessugas.

O candidato da Coligação Por um Brasil Decente disse que, segundo dados do Banco Mundial (Bird), as principais questões que atravancam o crescimento do Brasil são a corrupção e o desperdício. "Este é o primeiro pacto que tem de ser feito", afirmou.

Corrupção
Alckmin atribuiu ao Executivo a maior parcela da culpa pelos casos de corrupção na administração pública. Para ele, deputados são apenas "correias de transmissão", dado que os recursos desviados vêm da estrutura do Executivo federal.
As críticas foram feitas pelo candidato em debate promovido pelo Instituto Ethos, capitaneado pelo principal representante na área empresarial e amigo pessoal - do presidente Lula no meio empresarial, Oded Grajew. "É fácil bater em deputado. Eu acho que tem que bater mesmo, que precisa renovar, mas deputado é só correia de transmissão", disse Alckmin.

Segundo ele, "todo dinheiro sai do Executivo e tem um corruptor aqui fora". "Infelizmente não são situações pontuais, a corrupção no Brasil contaminou todos os poderes, os partidos", disse, ressaltando que a corrupção na administração federal dá mau exemplo para outros chefes do Executivo. "Imagine o prefeito lá do interior, com esse exemplo que ele tem no Brasil, o que ele não acha que pode fazer?", questionou.

Para Alckmin, apesar de importante, a reforma política não irá pôr um fim ou reduzir drasticamente a corrupção. "Não se vai extirpar a corrupção com reforma política, isso é cadeia. O que estimula a corrupção é a impunidade", afirmou.

O presidente do conselho do Ethos, Oded Grajew, por sua vez, fez uma defesa do presidente Lula, em coletiva concedida logo após o evento. Ele disse acreditar que o presidente foi traído no caso do mensalão e que não sabia do esquema montado para comprar deputados. "O presidente Lula tem uma característica, que eu conheço há muitos anos: ele confia nas pessoas, delega mesmo", disse, ressaltando que isso constituiu "um risco e ao mesmo tempo uma virtude."

Grajew que em 2002 foi o principal responsável por fazer a ponte entre o PT e o empresariado, disse que não participará dessa campanha, mas que isso não tem relação com os escândalos de corrupção. "Não sou mais necessário para o PT o governo, que já têm contato direto com os empresários. Meu papel nesse sentido se esgotou", concluiu.

Falta de notícia
Alckmin voltou a minimizar as críticas que tem recebido de membros da aliança e disse que a publicação desses comentários pela imprensa são motivadas por "falta de notícia". Alckmin se disse "muito satisfeito" pelo apoio que tem recebido dos integrantes dos partidos que compõem a coalizão e tentou justificar a pequena presença do nome dele na publicidade eleitoral gratuita dos aliados.

"Candidato a governo tem de fazer a sua campanha. É natural. O horário do candidato à Presidência é às terças, quintas e sábados", afirmou, destacando que "ocupar espaço do candidato estadual é ilegal."

 

Fonte: www.tribunadaimprensa.com.br

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