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RJ: Devoção a Brizola garante votos para PDT




A imagem das flores depositadas no túmulo de Leonel Brizola, em junho de 2004, veio aos olhos lacrimejantes de Cornélio Cabral, 71 anos, pela televisão de sua casa no Morro do Pavão-Pavãozinho, em Copacabana, no Rio. A mão que segura a rosa - símbolo do partido - parecia cansar-se e, para alguns, o outono da trajetória do Partido Democrático Trabalhista (PDT) chegava.

Mas não para todos. Assim como muitos brizolistas fiéis, Cornélio faz viver a legenda até hoje ao digitar o número 12 nas urnas a cada eleição que passa. O partido continua a ganhar votos graças, em parte, ao espírito eternizado de Leonel Brizola. "Vou votar no 12 para tudo, como sempre fiz", afirma ele, sem esquecer as realizações do líder trabalhista na comunidade onde mora. "Brizola asfaltou tudo aqui, instalou teleférico, construiu Ciep e ainda foi perseguido só porque realmente trabalhava para os pobres", defende.

A região é um dos redutos simpatizantes do PDT graças às obras de urbanização feitas depois de uma tragédia causada pelas chuvas na década de 1980, que matou 18 pessoas. "Só quem fez alguma coisa aqui foi o Leonel", diz o segurança particular Charles Sousa, 36, que faz campanha todos os dias para o PDT, distribuindo santinhos de candidatos a deputado estadual.

Apesar do vácuo deixado pela morte do seu principal líder, o presidente nacional do PDT e atual candidato do partido ao governo do estado, Carlos Lupi, não vê problema de a legenda ficar calcada na figura de Brizola. "Para mim é uma honra representar o brizolismo até hoje", afirma.

Já o vereador Brizola Neto mostra-se preocupado com a descaracterização da sigla. Ele destaca a importância de manter viva a memória de seu avô. "É enorme o risco oportunista de uma petucanização (união de PT com PSDB) do brizolismo no PDT", afirma em seu blog.

Fonte: www.terra.com.br

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