Cabral
e Lula já acertam parceria
Futuro
governador do Rio sai otimista de reunião com presidente,
após pedir apoio a vários projetos no estado
BRASÍLIA - O futuro governador do Rio, Sérgio
Cabral Filho (PMDB), se reuniu ontem à tarde, no
Palácio do Planalto, com o presidente reeleito
Luiz Inácio Lula da Silva. O senador saiu do encontro
muito confiante. Segundo Cabral, Lula demonstrou interesse
em cooperar com a segurança no Rio, na construção
do Arco Rodoviário (ligação das principais
estradas do estado ao Porto de Sepetiba) e nos Jogos Pan-Americanos
2007. E assegurou a dragagem do Porto de Sepetiba e a
expansão do metrô, além de afirmar
que vai ajudar a levar água para a Baixada Fluminense.
“Eu saio muito entusiasmado. Essa coisa de ficar
se queixando não dá mais. Nós temos
de jogar fora o baixo astral”, ressaltou Cabral.
O
presidente decidiu não esperar o fim do mandato
e já começou as negociações
para o próximo governo. Mais cedo, Lula também
recebeu o governador eleito de Pernambuco, Eduardo Campos
(PSB). Na lista de pedidos que Cabral levou ao presidente,
a prioridade foi a renegociação da dívida
do Estado do Rio com a União, de aproximadamente
R$ 41 bilhões. “As propostas de revisão
deverão ser apresentadas pelo presidente da República,
e não por mim. Mas, como se trata de uma reivindicação
de praticamente todos os governadores, estou esperançoso”,
comentou.
O
governador eleito do Rio passou pouco mais de duas horas
em Brasília e também se reuniu com o presidente
do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), na tentativa de
aproximar o PMDB de Lula. Evitando polemizar, em nome
da governabilidade, Cabral defendeu a parceria com a União
dos governadores eleitos — mesmo aqueles que não
apoiaram o novo mandato do presidente. “Está
na hora de um novo pacto. Chega de tanta crise. É
hora de pensar em agenda positiva”, disse.
Sorridente
e sempre apressado, Cabral passeou pela capital federal
acompanhado do vice-governador eleito do Rio, Luiz Fernando
Pezão (PMDB), e do deputado Alexandre Santos (PMDB).
No Congresso, apresentou Pezão a vários
senadores, de quem recebeu muitos cumprimentos. E ficou
quase 15 minutos conversando, ao pé-do-ouvido,
com a senadora Heloisa Helena (PSOL-AL), que presidia
a sessão do Senado.
PETISTA
QUER EMPENHO DE TODOS
Em
seu primeiro pronunciamento na televisão, em rede
nacional, após a reeleição, o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva adotou o tom da conciliação,
definindo-se como um “homem de diálogo”.
O presidente pediu, no discurso transmitido às
20h, o “empenho e a boa vontade de todos os setores
da vida nacional” para “fazer as coisas com
a velocidade que o Brasil precisa”. Lula disse que
pretende acelerar as reformas e unir o País em
torno de uma agenda comum. “O nome de meu segundo
mandato será desenvolvimento”, afirmou.
“A
eleição não é o fim, mas o
começo. Encerrada a disputa eleitoral, o que interessa
a todos é a vitória do Brasil. Agora, meus
maiores adversários são a desigualdade e
a injustiça social”, resumiu o presidente.
E
falou sobre sua votação expressiva. “A
votação enorme nos dá plena legitimidade
no exercício do poder, mas não resolve num
passe de mágica os problemas nacionais”,
disse o presidente.
Ele
ressaltou que conta com o apoio majoritário dos
governadores eleitos e que terá base sólida
no Congresso, mas deu a entender que espera uma oposição
combativa. “Nada vai mudar meus ideais e minhas
convicções, e sei que o mesmo ocorre com
meus opositores. E é essa diversidade de posições
que enriquece a democracia”, completou.
E
prosseguiu: “O Brasil tem ainda uma enorme dívida
social a resgatar, um grande atraso político a
vencer e questões éticas a discutir e superar”,
disse Lula, citando as denúncias de corrupção
que atingiram seu governo: “Continuarei empenhado
para que os órgãos de investigação
e a Justiça apurem as denúncias de corrupção,
e que os culpados sejam exemplarmente punidos”.
O
presidente reeleito ressaltou a importância de votações
como a do Fundo Nacional da Educação Básica,
a da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa e a das reformas
política e tributária. “Temos que
criar um clima de profunda responsabilidade republicana
para a discussão de reformas importantes, a começar
pela política”, afirmou Lula.
“É
preciso também a união das forças
regionais em favor de projetos já em curso e que
trarão progresso a todos os estados do País”,
disse, citando o Pólo Petroquímico do Rio,
a Refinaria de Pernambuco, o Pólo Siderúrgico
do Ceará e a Ferrovia Transnordestina.
DEMOCRACIA
Sobre
o processo eleitoral, Lula opinou: “Tivemos uma
das eleições mais transparentes e democráticas
da nossa história, por causa do amadurecimento
das instituições, da postura dos candidatos
e, especialmente, da ação e vigilância
do povo”.
O
presidente disse também que, pela primeira vez
na História brasileira, houve uma disputa presidencial
no País sem nenhum tipo de abalo econômico
no período. “Alguns afirmavam que a disputa
presidencial ia dividir o Brasil em dois, e isso não
ocorreu. Mas a exposição franca dos problemas
mostrou que ainda existem ‘brasis’ profundamente
desiguais”, disse.
Em
seguida, concluiu seu discurso de forma otimista. “Temos
tudo para crescer mais rápido e ampliar nossas
políticas sociais, aumentar o emprego, melhorar
a educação, a saúde e a segurança.
Mas vamos fazer isso com grande responsabilidade na área
fiscal”, disse o presidente Lula.
Bush
e Fidel parabenizam
O
presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, telefonou
ontem para o presidente Lula e o cumprimentou pela reeleição.
O ministro das Relações Exteriores, Celso
Amorim, contou que Bush reforçou a intenção
de manter boas relações com o Brasil e brincou
dizendo que precisava do ‘know-how’ do petista
para que o Partido Republicano tenha igual desempenho
nas eleições para o parlamento este mês.
“Você
teve uma vitória espetacular, tem que me dar um
pouquinho do know-how que preciso para ganhar agora”,
teria dito o presidente americano.
Nos
cinco minutos de conversa, Bush convidou Lula para visita
oficial a Washington, como a que o presidente brasileiro
fez após ser eleito pela primeira vez.
O
presidente cubano, Fidel Castro, que se restabelece de
cirurgia, também enviou mensagem a Lula: “Estimado
Lula: Nunca tive a menor dúvida de que a sua vitória
seria o melhor para a América Latina e para o Brasil.
Por isso fico feliz em mandar meus cumprimentos pela sua
vitória”. Lula recebeu ainda ligações
do primeiro-ministro britânico, Tony Blair, e do
presidente da Espanha, José Luiz Rodríguez
Zapatero.
Fonte:
www.odia.com.br