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Cesar: Aliança com PSDB é certa

SÃO PAULO - A aliança entre PSDB e PFL para as eleições presidenciais já está costurada e poderá ser anunciada até o final desta semana. O prefeito do Rio, Cesar Maia (PFL), personagem central para a formação desse acordo e considerado um dos últimos obstáculos para que tucanos e pefelistas repitam a aliança vitoriosa que elegeu Fernando Henrique Cardoso, garantiu que a decisão sobre o tema "caberá exclusivamente" ao governador Geraldo Alckmin, pré-candidato do PSDB à Presidência.

"Se ele (Alckmin) entender que para a candidatura dele e da oposição é melhor o PFL somar na vice-presidência, nós faremos isso. Agora, o que o PFL quer é que ele tenha o peso e a dimensão da decisão", disse o prefeito. Amanhã, Maia e Alckmin encontram-se no Rio para tratar deste tema. "Se o governador disser que o melhor é dar a vaga de vice para ir junto (com o PFL) já no primeiro turno, ele estará assumindo a responsabilidade para ele dessa decisão," reiterou. A respeito do nome mais adequado para ocupar a vice-presidência na chapa tucana, Cesar Maia disse: "Meu preferido será o escolhido pelo governador Alckmin".

Apesar da proximidade maior com José Serra (PSDB), que perdeu a disputa interna da cabeça de chapa tucana nessas eleições presidenciais para Alckmin, o prefeito do Rio tem certeza que qualquer candidato que enfrentar o presidente Lula (PT) no segundo turno do pleito presidencial terá condições de derrotá-lo. "Alckmin pode ter certeza de que vou ajudá-lo nessa campanha (presidencial) e ninguém será mais militante da sua candidatura do que eu. Serei um soldado dessa candidatura."

Além de abrir mão da disputa presidencial, Cesar Maia afirmou que não pretende se desincompatibilizar da Prefeitura para disputar as eleições para o governo do Rio. Apesar das manifestações que vem recebendo nesse sentido, inclusive do pré-candidato tucano à Presidência, o prefeito disse que, depois de dizer a Alckmin que a decisão sobre a aliança com o PFL depende exclusivamente dele, pegará as malas e sábado de manhã viajará para Quito, capital do Equador, onde assina convênio de revitalização do centro histórico. "Só volto ao Rio no dia 1º de abril."

Antes de se reunir com o governador Geraldo Alckmin, Cesar Maia encontra-se hoje com o presidente nacional do PFL, Jorge Bornhausen. Eles vão conversar sobre as consultas internas realizadas pela legenda, inclusive a respeito do nome do vice que deverá compor a chapa tucana. "O vice é uma pessoa que tem de estar absolutamente integrada, como elemento de confiança e garantia de lealdade. Precisamos de um vice como Marco Maciel, que não será o caso, nas eleições deste ano." O PFL está ouvindo senadores, deputados, governadores e prefeitos, "mas no final a decisão será tomada pelo próprio governador Alckmin".

Serra

Apesar de acreditar que uma possível decisão do prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB), de disputar o governo estadual poderia ajudar a transformar o PFL no maior partido do País, Maia avaliou que essa solução poderá comprometer a candidatura do governador Geraldo Alckmin à Presidência da República.

Embora Alckmin tenha sido escolhido pelo PSDB para a cabeça de chapa do PSDB nessas eleições presidenciais, a homologação da candidatura só ocorrerá no mês de junho, quando os partidos realizam suas convenções nacionais. E o registro oficial das chapas será feito no mês de julho. Fora da prefeitura, em tese, Serra ficará legalmente liberado para concorrer a qualquer cargo público neste pleito.

Para Maia, a desincompatibilização de Serra, conjugada com um eventual desempenho insatisfatório do nome de Alckmin nas próximas pesquisas eleitorais, levaria a uma nova discussão interna no PSDB sobre qual deveria ser o melhor concorrente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nessas eleições, criando assim mais desgaste na candidatura da
oposição.

"O Serra se desincompatibiliza e é candidato a governador de São Paulo. A candidatura do governador Alckmin começa a não ter aquela dinâmica esperada, aí começa um movimento paralelo dizendo: 'não há problema, nós temos o Serra como candidato.'", disse Maia, já imaginando a nova discussão que voltaria a dividir o tucanato.

Para ele, o problema deriva, essencialmente, do peso que o nome do prefeito Serra demonstrou ter junto ao eleitorado nas últimas pesquisas de intenção de voto. "A desincompatibilização dele (Serra), no dia seguinte, começa a gerar uma alternativa forte ao governador Alckmin, no caso da candidatura não pegar, e fragiliza a candidatura do Alckmin à Presidência da República", disse Maia, que defendia a candidatura do prefeito de São Paulo para a eleição presidencial.

"Se eu fosse o presidente do PSDB e tivesse o voto de Minerva, eu não correria esse risco", afirmou Maia, que ainda citou um conceito da física para explicar a tese de que a candidatura Serra ao governo de São Paulo enfraqueceria Alckmin. "Bote uma matéria de alta densidade próxima de uma outra de baixa densidade, você tem uma tendência de atração."

Para Maia, do ponto de vista de crescimento do PFL, no entanto, a opção de Serra pelo governo estadual seria ideal, dado que a prefeitura da capital paulista ficaria nas mãos do partido por mais de dois anos, com o pefelista Gilberto Kassab. "Agora, eu tenho uma prioridade, uma hierarquia política. A primeira é tirar da frente um governo incompetente administrativamente, corrupto", finalizou.

Lula

Por considerar a política econômica equivocada, Maia disse que a economia pode representar um fardo na candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Os dados da economia certamente não vão contribuir para uma vitória do presidente Lula. Aliás, se a gente tomar a correlação entre economia e reeleição, vamos ver que a economia é muito importante nos dois extremos: quando a economia vai muito bem, e aí ela pode ser decisiva, ou quando vai muito mal - certamente é decisiva", disse o prefeito.

Segundo ele, a política econômica, excessivamente concentrada na manutenção da estabilidade monetária, não tem permitido um aumento nas taxas de investimento e poupança interna, o que impede um crescimento vigoroso da economia.
"Acho que a economia vai mal. Imaginar que inflação e moeda estável é política econômica, é um equívoco. Os países desenvolvidos tiram a moeda estável da política e colocam num Banco Central independente", afirmou, ressaltando que "a economia não será um dado decisivo nesse momento. O decisivo são valores, capacidade de governar, a questão ética e o desgoverno Lula."

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