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Supremo mantém verticalização
das alianças
Demétrio
Weber e Ilimar Franco
BRASÍLIA
- O Supremo Tribunal Federal pôs ontem um ponto final
na polêmica sobre a regra da verticalização,
confirmando que ela continuará valendo nas eleições
deste ano, diferentemente do que previa emenda constitucional
promulgada pelo Congresso no último dia 8 de março.
Por nove votos a dois, os ministros decidiram que o fim
da verticalização só entrará
em vigor nas eleições de 2010. O argumento
central foi o princípio da anualidade, isto é,
a exigência constitucional de que qualquer mudança
no processo eleitoral seja feita pelo menos um ano antes
do dia da votação.
Assim,
as alianças partidárias firmadas nos estados
na eleição para governador não poderão
entrar em conflito com as coligações da eleição
presidencial. Os votos contrários foram dos ministros
Marco Aurélio Mello e Sepúlveda Pertence.
Pertence entendeu que a anualidade não é uma
cláusula pétrea, de modo que não haveria
problema em ser derrubado.
—
A Constituição proíbe qualquer alteração
a menos de um ano das eleições. A emenda constitucional
só se aplicará em 2010 — resumiu o presidente
do Supremo, Nelson Jobim, que votou na tese vencedora.
Líderes
falamem polarização
A
decisão deve, na opinião de líderes
partidários, levar a uma redução do
número de candidatos à Presidência da
República. Os líderes acreditam que sai fortalecida
a possibilidade de uma polarização entre os
candidatos do PT, o presidente Luiz Inácio Lula da
Silva, e do PSDB, o governador Geraldo Alckmin (SP). O maior
prejudicado é o ex-governador do Rio de Janeiro Anthony
Garotinho, que terá enorme dificuldades para aprovar
sua candidatura na convenção de junho, pois
ela contraria interesses dos caciques regionais do PMDB.
No Congresso considera-se que, num quadro de três
candidatos, o terceiro seria a senadora Heloísa Helena
(PSOL-AL), e as eleições poderiam ser decididas
no primeiro turno.
—
Será uma eleição polarizada e provavelmente
resolvida no primeiro turno — afirmou o líder
do PSDB na Câmara, Jutahy Magalhães Junior
(BA).
—
Temos que marcar logo a convenção
para abril para liberar o partido nos estados. A candidatura
Garotinho morreu —- disse o presidente do Senado,
Renan Calheiros (PMDB-AL).
O
presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), avalia
que a verticalização e mais a necessidade
dos partidos médios e pequenos de atingirem a cláusula
de desempenho (fazer 5% dos votos nacionais para a Câmara
e 2% dos votos em nove estados) fará com que muitos
optem por alianças informais. Os petistas, que negociam
uma aliança nacional com o PSB, o PCdoB, o PL e o
PTB, terão maior dificuldade para fechar coligações
oficiais.
—
Fica um pouco mais difícil para nossos aliados uma
coligação. Muitos partidos estão lutando
para superar a cláusula de desempenho e podem decidir
não fazer aliança formal — afirmou Berzoini.
O
partido mais afetado pela decisão é o PMDB.
Os governistas querem realizar convenção em
abril para sepultar a candidatura própria e deixar
o PMDB livre para fazer alianças nos estados. O presidente
do PMDB, deputado Michel Temer (SP), avalia que Garotinho
precisará de muita habilidade para conseguir aprovar
sua candidatura.
Renan
evitou contestar a decisão do STF:
—
Não há conflito entre os Poderes. Eles se
complementam e cabe ao Judiciário emitir parecer
sobre a constitucionalidade das leis aprovadas pelo Legislativo.
Fonte: O Globo
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