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Lula questiona a quem interessa a crise


NOVA IORQUE (EUA) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou que repudia o uso de dossiês em campanha eleitoral, mas questionou a quem interessa a exploração política do caso. Ele defendeu investigação detalhada sobre a tentativa de compra de documentos para comprometer adversários do PSDB com a máfia dos sanguessugas.

As declarações de Lula foram feitas em Nova Iorque, onde participa da Assembléia Geral das Nações Unidas. À noite, o presidente recebeu o prêmio Estadista do Ano, concedido pela Fundação Appeal of Conscience, em evento realizado em um hotel em Times Square. “A quem interessa, a essa altura do campeonato, melar o processo eleitoral?”, indagou Lula, ao se aproximar dos jornalistas e tomar a iniciativa de dar entrevista.

“Já participei de muitas campanhas eleitorais. Em algumas, estive em situações muito desfavoráveis. Em nenhum momento utilizei qualquer tipo de denúncia contra qualquer candidato, mesmo quando tinha gente achando que a gente deveria fazer”, declarou. Em Brasília, o ministro Tarso Genro, das Relações Institucionais, voltou a defender o governo e Lula: “Se a responsabilidade for do PT, a pena tem que ser aplicada em dobro”.

Na solenidade de premiação, o presidente da Fundação Appeal of Conscience, Rabino Arthur Schneier, afirmou que o prêmio foi concedido a Lula por ser um “grande líder, não apenas no Brasil, pela compaixão e comprometimento em aliviar a fome e em manter a democracia e a tolerância, valores compartilhados por americanos e brasileiros”. Ele afirmou que Lula é um exemplo para lideranças latino-americanas”.

Oposição quer saber origem do dinheiro

Os adversários de Lula cobraram explicações sobre a origem do dinheiro que o PT supostamente usaria para comprar o dossiê. Em visita à Baixada Fluminense, Geraldo Alckmin (PSDB) disse que o escândalo já virou ‘mensalama’. “Parece um balaio de caranguejo. Você puxa um e sai uma lista”, comparou.

Em Nova Iguaçu, o tucano fez campanha com os ex-prefeitos Nelson Bornier (PMDB) e Mário Marques (PSDB), suspeito de receber propina da Planam. Quando questionado sobre o fato, o tucano defendeu-se, alegando que “conforme o espírito republicano, investigação e punição é para todos”.

Em Aracaju, Heloísa Helena (PSOL) questionou o alto valor em dinheiro encontrado pela polícia. “Só quem tem milhões é o narcotráfico, o crime organizado ou a corrupção”, alfinetou a candidata. Para Cristovam Buarque (PDT), o dossiê reforça sua tese “sobre o autoritarismo” do presidente Lula.

O Senado também pegou fogo. Sem meias-palavras, tucanos e pefelistas não pouparam críticas ao presidente. “Ele (Lula) é um rato etílico: que engorda com dinheiro da nação e que estava totalmente bêbado quando foi à Bahia”, reagiu enfurecido o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) no plenário da Casa.

ACM se referia ao fato de o presidente tê-lo chamado de hamster quando esteve em Salvador. Apesar de rouco devido a uma gripe, o senador Saturnino Braga (PT-RJ) tentou defender o presidente Lula, elogiando as investigações feitas pela Polícia Federal.

Investigação do TSE e na CPI

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu pela investigação judicial eleitoral contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os suspeitos de envolvimento no dossiê que prejudicaria os candidatos tucanos à Presidência, Geraldo Alckmin, e ao governo paulista, José Serra.

O corregedor-geral do TSE, César Asfor Rocha, acatou o pedido protocolado no tribunal pela coligação PSDB-PFL, além do PPS.

Já a CPI dos Sanguessugas encaminhou ofícios a diversos órgãos solicitando cópias do dossiê contra tucanos apreendidos pela Polícia Federal, na sexta-feira. A comissão quer acesso aos documentos e aos depoimentos.

Os ofícios foram encaminhados ao procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, ao diretor da Polícia Federal, Paulo Lacerda, ao juiz Jefferson Schineider e a seu substituto. “Todos os fatos da nova denúncia devem ser investigados”, disse o presidente da CPI, Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ).

ROSEANA SAIU DE DISPUTA APÓS APREENSÃO DA PF

Não é a primeira vez que montantes de dinheiro descobertos pela Polícia Federal abalam uma campanha eleitoral. No dia 1º de março de 2002, a senadora Roseana Sarney (PFL-MA), então pré-candidata à Presidência, teve que desistir da disputa depois que uma operação da PF na sede da Lunus, empresa de seu marido, Jorge Murad, em São Luís, apreendeu R$ 1,34 milhão, em espécie. A filha do senador José Sarney (PMDB-AP) foi lançada dois meses antes e apareceu disputando o 2º lugar na primeira pesquisa eleitoral em que foi incluída. As imagens do dinheiro apreendido foram exibidas no noticiário e detonaram uma crise entre o PFL e o governo do então presidente Fernando Henrique.

Roseana ainda tentou resistir. Exigiu rompimento total do partido com o governo — o que acabou ocorrendo uma semana após a operação da PF — e manteve a candidatura. No dia 12 de março, novo abalo na candidatura. Com a imagem do dinheiro sendo explorada por todos os adversários do PFL, Jorge Murad dá a sétima versão para a história: seriam recursos para a campanha de Roseana Sarney à Presidência. Uma semana depois, a senadora maranhense desistia da candidatura à sucessão do então presidente Fernando Henrique.

No dia 20, José Sarney vai à tribuna do Senado e diz que a filha foi vítima de espionagem e culpou o governo federal.

 

Fonte: www.odia.com.br

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