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Heloísa acusa Lula de liderar grupo corrupto



SÃO PAULO - A candidata do PSOL à Presidência, Heloísa Helena, acusou ontem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ser o chefe de uma organização criminosa e, quando indagada se acreditava na participação de Lula no episódio de compra do dossiê Vedoin, foi incisiva. "Não tenho dúvida de que o presidente Lula é o grande comandante dessa estrutura, que é uma organização criminosa, capaz de roubar, matar e liquidar quem estiver pela frente, ameaçando seu projeto de poder", disse após participar de um encontro na Força Sindical, no centro de São Paulo.

"O que eu estou exigindo como cidadã brasileira é saber de onde veio esse dinheiro", argumentou. "Nunca vi tanto dinheiro no Brasil", disse, referindo-se ao R$ 1,75 milhão apreendido pela Polícia Federal com suspeitos de negociar a compra do dossiê Vedoin.

Apesar das duras críticas, a candidata afirmou ser contra a abertura de processo de impeachment contra o presidente Lula. "A abertura de um procedimento para interromper o mandato agora não faz sentido. Eu prefiro acreditar que o povo brasileiro não será omisso e cúmplice com a corrupção. Democraticamente temos de respeitar qualquer que seja o resultado das urnas", afirmou ela.

No entanto, Heloísa Helena argumentou que a eventual vitória de Lula, seja no primeiro ou no segundo turno, seria uma legitimação da corrupção no Brasil. "Não há dúvida que seria (legitimar a corrupção), mas eu ainda acredito na capacidade do brasileiro de não ser omisso com o banditismo político", argumentou. Ainda em sua opinião, uma vitória de Lula escancararia a fragilidade da democracia representativa no País.

Em discurso, Heloísa acusou o governo Lula de cooptar setores dos movimentos sociais para evitar que cobrem promessas de campanha e explicações sobre sua conduta ética e moral. Ela não quis citar nomes e, quando indagada se o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) era um dos setores, negou-se a dar exemplos, alegando que "a generalização é sempre perigosa".

"Infelizmente, alguns setores do movimento social foram paralisados, comprados pela articulação da máquina pública", afirmou a candidata. "Se todas essas denúncias contra a administração pública fossem no governo passado, com certeza, muita água já teria rolado com os movimentos sociais."

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