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Alckmin: credibilidade de Lula passa por corrosão diária



SÃO PAULO - O candidato do PSDB à Presidência da República, Geraldo Alckmin, disse ontem que a credibilidade do presidente Lula está passando por uma corrosão diariamente. Ele afirmou que ninguém acredita mais em seu principal adversário na disputa presidencial de 2006, o candidato petista à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva, depois dos vários escândalos que surgiram durante o governo atual, inclusive o mais recente, sobre o suposto dossiê que tentou envolver o ex-governador paulista e o candidato ao governo de São Paulo pelo PSDB, José Serra, na máfia dos sanguessugas.

"O que nós estamos vendo é uma corrosão diária da credibilidade do presidente. Eu acho que ninguém mais acredita no Lula", comentou Alckmin, lembrando o casos do mensalão, a queda de nomes importantes do governo, como o ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu e o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, além do envolvimento do ex-assessor da Presidência Freud Godoy na tentativa de compra do dossiê contra os tucanos.

"Não é possível alguém acreditar que o presidente, de novo, não sabe de nada, não viu nada, foi pego de surpresa. É muito triste o que está acontecendo no Brasil", acrescentou. "O que nós estamos vendo no governo federal é uma sofisticada organização criminosa", observou.

Na avaliação de Alckmin, todos estes casos aconteceram por causa da impunidade existente no País. "É igual ao ladrão de carro. Por que ele rouba? Porque acha que não vai ser pego pela polícia", disse o candidato, que elogiou, no entanto, o trabalho que a Polícia Federal tem feito.

Indagado se o esquema de fraude na compra de ambulâncias não poderia ter surgido no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), quando Serra era ministro da Saúde, Alckmin simplesmente negou esta possibilidade e destacou: "O senhor Freud não era do governo? Esta é a turma do Lula. Todo esse pessoal (envolvido na tentativa de compra do dossiê) é a turma do Lula."

2º turno
Alckmin disse que não leva a questão do dossiê para o lado eleitoral, pois, para ele, o problema principal deste novo escândalo está ligado a princípios e valores morais. Destacou, entretanto, que acredita que haverá repercussão dos fatos recentes na disputa eleitoral e que o pleito não terminará no primeiro turno, como ainda as pesquisas vêm indicando.

"É óbvio que vai ter segundo turno, é só olhar", afirmou o ex-governador paulista, lembrando que vem conquistando pontos, nas pesquisas de intenção de voto. "Eu vejo que já há 15, 20 dias, vem um processo de mudança. Porque eu acho que a população brasileira está entendendo que o Lula jogou fora a sua chance. Sob o ponto de vista ético, o Brasil retrocedeu. Sob o ponto de vista de crescimento, nós estamos perdendo tempo."

Impeachment
Indagado sobre a afirmação do presidente Lula de que os partidos da oposição estariam interessados em "melar a eleição", Alckmin negou esta possibilidade e disse que o País teve vários motivos para o impeachment de Lula, mas que houve muita tolerância com o atual presidente. "Razões para impeachment, o Brasil teve todas. Se fosse parlamentarismo, o governo tinha caído há um ano e meio atrás, a Câmara tinha sido dissolvida há um ano e meio atrás, já tinha tido eleição no ano passado", afirmou. "Mais tolerância que houve com o governo do PT e do Lula é impossível", complementou, dizendo que se Lula fosse reeleito "o governo já acabava antes de começar".

Crise com a Bolívia
Alckmin afirmou que a disputa travada entre Bolívia e Brasil na questão das reservas de gás natural do país-vizinho criou uma "insegurança jurídica em toda a América Latina" e uma desconfiança para o investidor estrangeiro na região. Ele disse que a postura do presidente e candidato à reeleição pelo PT, Luiz Inácio Lula da Silva, na polêmica disputa, que envolve a Petrobras, foi "dúbia e submissa".

"Quando houve a expropriação dos ativos da Petrobras, o governo do Brasil tinha que ter, de cara, recriminado", comentou Alckmin, acrescentando que o País deveria recorrer à Corte Internacional, exigindo o cumprimento dos contratos estabelecidos. "Isso cria uma insegurança na região. Quem vai investir na América Latina? Eu vou pôr US$ 1 bilhão, US$ 2 bilhões e amanhã me expropriam, amanhã não respeitam contrato", exemplificou.

De acordo com Alckmin, os bolivianos só estão esperando o pleito no Brasil para tomar a Petrobras e a principal conseqüência para o País será o aumento do gás. "Deixa passar a eleição. Passou a eleição, tomam a Petrobras, não vão pagar nada, já disseram que a Petrobras teve lucro e não precisam pagar, o governo é mole e mais: vai aumentar a conta do gás. Tudo o que eles querem é aumentar o preço do gás e quem vai pagar a conta é o taxista, a dona de casa e o condutor."

Segundo Alckmin, a saída para o Brasil é deixar claro que o País não é como a Bolívia, que "estaria dando um tiro no próprio pé" para futuros investimentos, e ter um presidente que aja com firmeza. Para o candidato do PSDB, em outros países da região a reação à Bolívia seria mais dura. "O que faz o presidente (Néstor) Kirchner na Argentina? Ele defende o trabalhador argentino. O que faz o presidente da China quando inunda o Brasil de produto chinês, tirando nosso emprego aqui dentro? Ele está defendendo o trabalhador chinês", avaliou. "O presidente do Brasil tem o dever de defender o Brasil e defender o trabalho e o emprego no Brasil. O Lula coloca na frente do interesse do Brasil o interesse dos companheiros, dos amigos, ideológico, partidário. Esse é o fato", acrescentou.

Alckmin assinou, ontem, o termo de compromisso "Presidente Amigo da Criança", da Fundação Abrinq, Unicef e Rede de Monitoramento Amiga da Criança. O tucano foi o quarto presidenciável a aderir a este compromisso, que inclui metas para a infância e adolescência. Os candidatos Heloísa Helena (PSOL), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Luciano Bivar (PSL) já assinaram o termo. Dentre as prioridades, estão a redução das taxas de mortalidade infantil e materna.

 

Fonte: www.tribunadaimprensa.com.br

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