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Lula afirma que é o povo contra a elite

Presidente deixa a modéstia de lado e diz ter certeza de que a eleição vai terminar domingo


SOROCABA (SP) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse ontem, em comício para 3.800 pessoas em Sorocaba, no interior de São Paulo, que a campanha não é de um candidato contra outro, mas “do povo trabalhador contra uma elite aristocrática que manda neste País desde que (Pedro Álvares) Cabral chegou aqui”. “É isso que está em jogo neste momento”, afirmou.

Um dia depois de as pesquisas registrarem — dentro da margem de erro — avanço do candidato tucano Geraldo Alckmin, Lula foi incisivo, declarando que a reeleição é uma certeza. “Nunca falei que ia ganhar no primeiro turno, por modéstia, por respeito. Mas agora falo: nós vamos ganhar estas eleições domingo. E, se alguém achar que vai para o 2º turno, pode esperar para concorrer em 2010. Porque esta eleição nós matamos no dia 1º de outubro”, alardeou.

Disse que seus adversários não têm ódio dele, mas do povo, “porque o pobre está participando das coisas”. E voltou a conclamar os petistas a mostrar os números positivos do seu governo. “Ao invés de ficarem falando mal deles (os adversários), vamos falar bem de nós”.

Depois de citar que o número de empregos cresceu 22% em todas as categorias sindicais da região de Sorocaba, enumerou verbas liberadas para saneamento básico na cidade, administrada pelo PSDB. Disse que programas, como o Bolsa Família, incomodam seus concorrentes: “Por não terem condições de explicar o que fizeram, preferem fazer o jogo rasteiro da denúncia. Podem mandar fazer exame para saber o que eu fazia de mal quando era feto. Podem fazer denúncia, o que quiserem. Não tem problema. Vamos ganhar de cara limpa”.

Nesse raciocínio, Lula mandou recado a seus colegas de partido: “O que nós precisamos é ouvir menos o que eles falam e ouvir o que fala o coração desse povo. Se alguém pensa que vai ganhar a eleição com esse comportamento (de denúncias), pode tirar o cavalinho da chuva porque o povo brasileiro é mais esperto do que eles imaginam”.

Segundo Lula, os adversários terão de aceitar a decisão popular: “Eles não terão de se curvar diante de mim porque sou igual a eles. Eles vão ter que se curvar diante da maioria do povo brasileiro. Terão que aprender que este povo aprendeu a andar de cabeça erguida e não é mais massa de manobra”.

Um forte esquema de segurança marcou o comício do presidente que, no sábado, teve seu carro atingido por ovo atirado por manifestante, em Araraquara (SP). O saguão do aeroporto de Sorocaba, onde desceu o boeing presidencial, foi interditado. Uma escolta formada por dois carros da Polícia Militar, um da Polícia Civil e nove batedores em motos acompanhou a comitiva até o local do comício, uma praça no Centro da cidade. Depois do discurso, Lula surpreendeu a segurança e desceu no meio do público à frente do palanque. Distribuiu muitos autógrafos, beijos e abraços.

Referências a Jesus Cristo e Tiradentes

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva invocou ontem a traição de Cristo pelo apóstolo Judas para justificar a crise causada na sua campanha à reeleição pelo envolvimento de petistas no escândalo do dossiê Vedoin. “Não será o PT o único partido a ter companheiros que cometam erros”, disse, em Sorocaba, no interior de São Paulo. “Numa mesa de 12, um traiu Jesus Cristo e, na mesa dos Inconfidentes, um traiu Tiradentes. Mas as idéias deles permaneceram”, lembrou.

Apesar de reconhecer os erros do PT, Lula voltou a criticar a atuação da oposição, que continua atacando o governo e o partido no caso do dossiê: “Estou aqui também para dizer que não me assusta a gritaria e o denuncismo deles”.

Antes de encerrar o discurso, Lula voltou a destacar que pretende comparar seu governo com os anteriores. Segundo o presidente, com mais um mandato, ele poderá desmoralizar seus antecessores. “Dia 1º de outubro é dia de a onça beber água. E essa oncinha está com sede. Eles sabem que, com mais quatro anos, eu vou desmoralizar muitos que governaram este País”, afirmou.

 

Fonte: www.odia.com.br

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