| Alckmin
ironiza favoritismo
O candidato do PSDB à Presidência, Geraldo
Alckmin, atacou o Instituto Sensus e ironizou o resultado
da pesquisa divulgada ontem, sob encomenda da Confederação
Nacional do Transporte (CNT), que indica vitória
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro
turno, apesar do aumento de 7,9 pontos da intenção
de votos no tucano. "Eu só falo de coisa séria.
Você acredita (na pesquisa)? Puxa, mas é um
escândalo verdadeiro, é escandalosa",
declarou o candidato. "Anota esse número e confere
domingo agora, aí você vai ter a resposta."
Alckmin
comentou o resultado ao chegar de São Paulo para
uma entrevista a correspondentes internacionais em um centro
empresarial da Zona Sul do Rio. Mais tarde, ao afirmar que
está "praticamente" no segundo turno, declarou
que "as mudanças são tão fortes
que às vezes as pesquisas não pegam".
Na
entrada do prédio, apenas 13 cabos eleitorais com
bandeiras e camisetas do PSDB aguardavam o candidato. "É
Lula", gritou um jovem, no momento em que Alckmin entrava
no prédio - ele levantou uma pasta na qual havia
colado um adesivo da campanha petista de 2002.
Apesar
de admitir não gostar do legume ao qual é
comparado desde o início da campanha, Alckmin fez
uma previsão: "Se Deus quiser nós vamos
ter voto pra chuchu, e vamos trabalhar pra chuchu também."
O
tucano voltou a atacar o governo do PT e a "patota
inteira" do presidente Lula. "Ele (Lula) usa salto
número 15 e nós usamos as sandálias
da humildade. É uma arrogância enorme. O que
a população quer saber é a origem do
dinheiro, quem é o dono, porque 12 dias depois os
sigilos bancário, fiscal e telefônico não
haviam sido ainda quebrados. Estão querendo esconder
alguma coisa", disse.
Para
o candidato, o governo do PT "acaba antes de começar"
e o povo brasileiro "está cansado da mentira,
dessa coisa de que o Lula não sabe de nada, não
viu nada, foi traído por todo mundo". "É
que foi pego com a boca na botija, o envolvimento de pessoas
ligadas diretamente ao Lula, o Freud, assessor direto. Aliás,
se pegar o filme Entreatos (sobre a campanha petista de
2002, de João Moreira Salles), ele aparece no primeiro
minuto. A rapidez que se teve para violar sigilo bancário
de gente pobre, agora não se tem a mesma velocidade
para elucidar crimes graves."
Reformas
O candidato afirmou que enviará propostas de reformas
política e tributária "antes da abertura
do Congresso". A política, disse o candidato,
terá como prioridade a fidelidade partidária,
a cláusula de desempenho e o voto distrital - para
ele, a eventual redução do número de
partidos permitirá melhores condições
de governabilidade.
Alckmin
defendeu o voto distrital "quase" puro - com pelo
menos 70%, e o resto em lista partidária, para fortalecer
os partidos. A tributária começaria pela redução
de alíquotas do ICMS. "Não acredito em
reformas em caso de reeleição. Teve 4 anos
e não fez, é óbvio que não vai
fazer", afirmou.
O
tucano afirmou que Lula fez "a maior concentração
de renda do mundo". Ele negou que vá privatizar
Banco do Brasil, Caixa, Correios e Petrobras.
Alguns
correspondentes queixaram-se dizendo que o candidato não
respondia as perguntas - um deles, inglês, pedira
um comentário sobre os erros de FHC. "O PT,
no passado, dizia: 'nós somos diferentes de tudo
que está aí, experimente o PT'. Agora, eles
querem o contrário, somos iguais, somos iguais. Mentira,
não somos iguais. somos totalmente diferentes. Como
não conseguem, esse verdadeiro assalto ao aparelho
de Estado, a tese é que é todo mundo igual,
que isso já aconteceu antes. Talvez uma das piores
coisas que aconteceu na política brasileira foi o
PT ter roubado a esperança do povo. Houve muita esperança
e a gente sente na rua um enorme desencanto. Política
não é isso, não é esse vale
tudo, a luta pelo poder sem quartel. No passado, tinha utopia,
hoje é só poder."
Uma
repórter do "New York Times" terminou a
entrevista perguntando se Alckmin é da Opus Dei.
Ele negou. "Tive um tio que realmente era da Opus Dei.
Respeito a fé das pessoas e a religião de
cada um."
Em
rápida caminhada pela Rua Farani, em Botafogo, Alckmin
conversou com Regina Luiza Castelo Branco Dadald, de 80
anos, que identificou-se como filha de um primo do ex-presidente
e general Humberto Castelo Branco.
"Voto
no Lula, acho que ele tem caráter. O outro é
uma coisa mais elitista", disse ela, apontando para
o tucano. Quando o candidato puxou conversa com a moradora,
ela o abordou, perguntando. "Esse aí do seu
lado é a cara do nosso prefeito". Alckmin respondeu:
"Mas é o prefeito". Todos deram gargalhadas
- principalmente o prefeito Cesar Maia - e acabou a conversa
Fonte:
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