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contra Lula no debate da TV Globo
Por: André Zahar
Rio
- Mesmo ausente no debate da TV Globo, o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva foi o centro das atenções
dos participantes do confronto. No programa, transmitido
ao vivo na noite desta quinta-feira, Geraldo Alckmin (PSDB),
Heloísa Helena (PSOL) e Cristovam Buarque (PDT) não
desperdiçaram oportunidades para disparar ataques
contra o petista, a começar pela própria ausência
dele, qualificada por eles como um gesto de covardia e desrespeito
ao eleitor. Apesar de atritos pontuais entre Heloísa
e Alckmin, o programa terminou sem pedidos de direito de
resposta.
O
debate foi morno, com regras rígidas. Heloísa
Helena foi a que mais tentou esquentar o clima, com críticas
a Lula e ao PSDB. Cristovam e Alckmin praticamente trocaram
figurinhas. O tucano disse lamentar a ausência do
candidato Lula, que, segundo ele, foi um desrespeito não
aos candidatos, mas ao eleitor. Heloísa aproveitou
sua primeira fala para responder a declaração
de Lula de que o debate poderia se tranformar em uma arena
de agressões.
"Ele
tinha a obrigação de descer de seu trono de
corrupção arrogante e covardia política
e estar aqui para responder o povo brasileiro. Mas eu sei
também que ele não está aqui porque
não tem autoridade moral para me enfrentar. Eu sobrevivi
à perseguição implacável dele.
Eu nasci como ele, de família simples, do interior
de Alagoas, nordestina como ele, mas ao contrário
dele, não traí a minha classe de origem",
atacou.
A
candidata também acusou Lula de comandar uma quadrilha
instalada no Palácio do Planalto. "Existem dentro
do PT militantes honestos, socialistas, que se envergonham
dessa estrutura de uma organização criminosa
comandada pelo presidente da República e capaz de
aniquilar qualquer um que possa ameaçar seu projeto
de poder", acusou.
Cristovam
Buarque dividiu seu tempo entre a defesa da revolução
pela Educação e o apelo por um segundo turno
na eleição presidencial. O pedetista abriu
o programa dirigindo uma pergunta a Lula, usando uma prerrogativa
das regras do debate. "O senhor é um candidato
sob forte supeita de uso de recursos públicos e outros
de que ninguém sabe a origem no processo eleitoral.
Se for eleito e as suspeitas se comprovarem, renunciará
ao cargo?", questionou.
Crise
do dossiê
A
crise deflagrada após a prisão de petistas
que tentavam comprar um dossiê contra políticos
do PSDB também ecoou no debate. Para Alckmin, o governo
retarda as investigações sobre os R$ 1,7 milhão
apreendidos pela Polícia Federal com Gedimar Passos
e Valdebran Padilha. O candidato tucano também citou
os escândalos do mensalão, Visanet, Gtech,
valerioduto e da suspeição de superfaturamento
na confecção de cartilhas do governo federal
"Não
é possível um país como o Brasil continuar
com tãos maus exemplos. Meu pai morreu há
10 anos, me lembro dele pelos exemplos, os exemplos permanecem
ficam nas nossas almas, não é possível
as crianças assistirem à esses maus exemplos
permanentes.
Alckmin
x Heloísa
Se
em relação à Lula os discursos estavam
afinados, ao tratar de propostas de governo, o clima azedou
entre os candidatos e, em especial, entre Alckmin e Heloísa.
No primeiro bloco, ao responder pergunta feita pelo tucano
sobre desemprego, a candidata do PSOL disse se tratar de
um problema iniciado no governo Fernando Henrique Cardoso,
"do partido de vossa excelência", que teria
destruído "milhões de postos de trabalho"
e sido incapaz de fazer a reforma tributária.
Alckmin
saiu em defesa do ex-presidente. "O presidente Fernando
Henrique Cardoso teve avanços. A estabilidade da
moeda foi importante, as agências reguladoras... A
diferença entre o remédio e o veneno é
a dose", disse o tucano, que, na resposta, alfinetou
a senadora: "redução de taxa de juros
não é por decreto. O governo precisa fazer
um grande ajuste e reduzir a carga tributária",
afirmou.
No
terceiro bloco, uma nova crítica ao governo FHC,
no caso do apagão, irritou o ex-governador de São
Paulo. "A senadora sempre vem com essa história,
mas nós estamos discutindo o futuro, quem pode fazer
mais pelo Brasil nos próximos quatro anos. O que
tivemos [no caso do apagão] é que o Brasil
é muito dependende de hidrelétricas e tivemos
problemas hídricos graves", respondeu.
O
tema da Segurança Pública também dividiu
os candidatos do PSDB e do PSOL. Para Heloísa, PSDB
e PT "têm obrigação de reconhecer
a irresponsibilidade, a inconseqüência"
de suas gestões na área. "Não
sei o que a senadora Heloísa Helena fez pela Segurança
Pública, eu fiz", rebateu Alckmin.
As
"gentilezas" de Cristovam
Mais
moderado, Cristovam distribuiu gentilezas aos candidatos
presentes. Logo no primeiro bloco, elogiou a proposta do
"choque de gestão" defendida por Alckmin.
Em outro momento, disse ficar feliz por compartilhar com
a candidata do PSOL as paixões por Educação
e Saúde. A munição verbal foi utilizada
apenas em relação a Lula:
"Se
dez dias depois de o presidente Lula ganhar descobrirmos
que tinha dinheiro de campnha nesse dossiê, o que
vai acontecer? Outro impeachment?", indagou. "Ou
a gente apura isso nas próximas horas ou, em nome
da democracia, por favor, vamos fazer um segundo turno",
apelou.
O
pedetista defendeu ainda a sua proposta de revolução
pela educação, que, segundo ele, seria uma
"revolução doce", que não
exigiria desapropriação ou manobras radicais
na economia.
Frases
“Lula
não veio porque não tem autoridade moral e
tem medo de me enfrentar” - Heloísa Helena
“Faltar
ao debate é forma de roubar a esperança do
eleitor” - Cristovam Buarque
“Existem
no PT pessoas que se envergonham dessa organização
criminosa comandada pelo presidente” - Heloísa
Helena
“Seja
fiel a você. Faça com que haja 2º turno”
- Cristovam Buarque, após a frase de Heloísa
Helena, em apelo aos militantes petistas
“Não
poderia deixar de vir ao comício por nada no mundo.
O reencontro com os companheiros vale mais do que muitas
coisas” - Lula, no comício de São Bernardo
do Campo
“O
atual governo gasta mal. Até na compra de ambulância
há roubo e dinheiro jogado fora” - Geraldo
Alckmin, citando a máfia dos sanguessugas
“Foram
denúncias e mais denúncias de distribuição
de cargos, prestígio e poder. O presidente Lula se
acovardou e passou a patrocinar a mesma corrupção”
- Heloísa Helena, referindo-se a problemas que supostamente
começaram no governo de FH
“Qual
a origem dos dólares nas peças íntimas
do vestuário masculino?” - Heloísa Helena
Fonte:
www.odia.com.br |