| Sérgio
Cabral: vou diminuir o número de secretarias
Sérgio Cabral Filho (PMDB) fala como candidato de
oposição. Mesmo contando com o apoio do casal
Anthony e Rosinha Garotinho, o senador faz ressalvas à
atual administração do Estado, à gestão
da saúde, educação e segurança
pública, especialmente em relação aos
gastos do governo.
Os rombos nos cofres do Estado não impedem o candidato
de prometer reajustes de salários e a implantação
de planos de cargos. "Basta combater o custeio",
aposta.
Líder
nas pesquisas, Cabral acredita que leva no primeiro turno
e garante que não planejou nada para uma eventual
segundo votação - ainda que índice
de intenção de voto dos adversários
esteja se aproximando.
Algumas
estimativas dão conta que o rombo no cofre do Estado
está acima de R$ 1 bilhão. Como governar o
estado assim?
Enxugando
a máquina pública, o custeio. Vou diminuir
o número de secretarias de estado, controlar o gasto
público com rigor. Como fiz quando fui presidente
da Assembléia Legislativa (entre 1995 e 2002), que
representava 4% do orçamento e passou para 1,2%.
Acabei com as aposentadorias especiais dos deputados, os
supersalários, o auxílio-moradia de parlamentares
que residiam na capital. No Executivo, a capacidade de decisão
e a agilidade nas mudanças são muito maiores.
Rapidamente, o Estado estará saneado, com capacidade
de investimento. Vejo os próximos quatro anos com
otimismo. Teremos êxito financeiro e em serviços
prestados.
Como
o senhor vai fazer para melhorar a situação
da saúde pública e acabar com as filas nos
hospitais?
Vamos
fazer administração integrada da saúde
pública com os municípios e o governo federal.
O Rio tem uma oferta de 35 mil leitos em seus hospitais.
É inconcebível o cidadão ter que ficar
procurando vaga em hospital. O Estado financiará
os municípios para que os postos de saúde
funcionem 24 horas. Com isso, 50% da demanda nas emergências
dos hospitais terá seu problema resolvido no posto
de saúde.
O
senhor tem alguma estratégia para um possível
segundo turno?
Estou
muito confiante na vitória. Todas as pesquisas me
dão quatro ou cinco pontos de vantagem. Essa margem
vem se mantendo nos últimos 40 dias. Estou trabalhando
efetivamente para ganhar no primeiro turno.
Quais
são suas ambições políticas?
Amo
o Rio de Janeiro e tenho enorme gratidão ao povo
do meu Estado. Desejo ser governador e pretendo governar
com seriedade. Será a melhor administração
da história do Rio de Janeiro. Essa é a minha
ambição.
Como
seria sua relação com o presidente Lula, casos
os senhores vençam as eleições?
Vou
chegar na frente dos demais 26 governadores eleitos, para
ter a primeira audiência com o presidente. Quero discutir
uma pauta de ações em comum. Farei a mesma
coisa com o prefeito da capital e com os demais prefeitos
do estado.
Como
o senhor vai melhorar as escolas públicas?
A
prioridade é a implantação do plano
de cargos e salários dos professores. Não
se faz educação pública de qualidade
sem salário digno ao magistério. Temos projetos
para o ensino fundamental, com a cooperação
com as prefeituras; e para o ensino médio, com a
construção de novas escolas na Região
Metropolitana, o que não ocorre há mais de
20 anos, e o uso de prédios do Estado para abrigar
novas turmas. Para o ensino técnico, nossa proposta
é a construção de 18 novas escolas
de grande porte voltadas para a vocação econômica
de cada região. No ensino superior, nós precisamos
resgatar a Uerj, aumentando em 50% o repasse mensal para
o custeio da universidade. Também pretendo implantar
universidades estaduais no Sul Fluminense, Baixada e Região
Serrana.
Como
solucionar os problemas de segurança pública
no Estado?
Inteligência,
integração e logística. Vamos usar
a Polícia Federal, que fez 200 operações
nos últimos anos sem disparar nenhum tiro, como exemplo.
Será o modelo para a nossa Polícia Civil.
Vamos fortalecer os delegados, investigadores e inspetores
que trabalham com seriedade e investir nas delegacias especializadas.
Quero também concluir todas as delegacias legais
e investir na polícia técnica. É uma
barbaridade o fato de apenas um em 40 crimes no Rio ser
elucidado. Na Polícia Militar, vamos priorizar a
logística, ampliando sua presença nas ruas.
A PM tem que estar sintonizada com as estatísticas
e organizá-la de modo que ela esteja onde há
maior demanda para combater a criminalidade.
E
a corrupção policial, como será combatida?
Afastando
os maus policiais. Não apenas expulsando-os da corporação,
mas também colocando-os na cadeia, como bandidos.
Vamos dar um grande choque de gestão e prestigiar
os bons policiais, que são heróis.
O
que o senhor vai fazer para melhorar as condições
de moradias de quem vive nas favelas?
Junto
com o programa de acessibilidade nas favelas, vamos criar
o Fundo Estadual de Habitação e estabelecer
parcerias com o governo federal, que tem recursos para o
setor. Vamos fazer trabalho efetivo de oferta de habitações
populares para as classes C, D e E, com a construção
de novos bairros.
O
senhor diz que não vai permitir nomeações
políticas. Como fazer para manter uma base coesa
na Assembléia Legislativa, uma vez que muitos dos
deputados são fisiológicos?
Tendo
resultados efetivos para a população. Não
dá para deputado nomear diretor de hospital, coordenador
de escola. O bom político é aquele que respeita
o desejo popular. Ele vai se beneficiar com a população
satisfeita com a boa prestação dos serviços
públicos em sua região, e não influindo
na administração desses serviços.
Fonte:
www.terra.com.br |