| Partidos
estão 'desfalcados' na disputa pela Câmara
dos Deputados
André
Zahar
(O DIA ONLINE)
Rio
- PT, PSDB, PL, PP e PCdoB terão dificuldade este
ano para repetir o desempenho obtido no Rio de Janeiro na
disputa pela Câmara dos Deputados em 2002. Motivos
variados "desfalcam" as legendas de candidatos
que lhes renderam algumas de suas maiores votações
quatro anos atrás, os tradicionais "puxadores
de voto". A situação é ainda mais
crítica para os partidos médios como PL, PP
e PCdoB, que lutam para "sobreviver" à
cláusula de barreira e precisam ter 5% do total de
votos para a Câmara para continuarem a ter direito
a funcionamento parlamentar.
No
caso do PSDB, nenhum dos cinco parlamentares eleitos em
2002 está disputando um novo mandato. Três
deles, incluindo a deputada mais votada daquele ano, Denise
Frossard (385.111 eelitores), mudaram de partido. Além
da ex-juíza, que agora tenta chegar ao Palácio
Guanabara pelo PPS, Alexandre Santos migrou para o PMDB
e Heleno Augusto de Lima, o Dr. Heleno, foi para o PSC.
Além deles, Paulo Feijó se desfiliou do partido
após ser denunciado pela CPI dos Sanguessugas. Já
Ronaldo Cézar Coelho disputa uma vaga no Senado.
O partido tambem não poderá contar com a reeleição
do deputado federal Eduardo Paes, que entrou no PSDB em
2003, mas foi indicado para disputar o governo do RIo.
Para
repetir o desempenho da última eleição,
o presidente do diretório do PSDB no Rio, Luiz Paulo
Corrêa da Rocha, aposta na situação
desfavorável dos outros partidos. "A eleição
de deputado federal este ano está desfalcada de grandes
puxadores de legenda. Abriu-se um buraco eleitoral imenso
para deputado federal. O PSDB espera eleger no mínimo
quatro deputados", afirma.
A
crise deflagrada pelo escândalo do "mensalão"
fez com que o PT perdesse, em 2005, seu mais tradicional
"puxador de votos" no Rio, o deputado federal
Chico Alencar. Candidato da legenda mais votado em 2002,
com 169.131 eleitores, Alencar deixou o partido para ajudar
a fundar o PSOL, pelo qual tenta conseguir manter o assento
na Câmara. Decisão semelhante foi tomada por
Fernando Gabeira, que, descontente com os rumos do governo,
voltou para o PV. Também eleito deputado federal
pelo PT, Lindberg Farias está fora do páreo
este ano porque venceu a disputa pela Prefeitura de Nova
Iguaçu em 2004.
O
presidente do PT-RJ Alberto Cantalice, no entanto, explica
que o partido tem uma estratégia para não
reduzir sua bancada parlamentar. "O principal puxador
de votos dessa eleição é o presidente
Lula, que tem uma identificação profunda com
o partido. Além disso, na reta final, vamos fazer
uma série de aparições de figuras públicas
pedindo voto de legenda. A bancada não vai diminuir.
Vamos eleger entre seis e sete deputados federais",
avalia Cantalice.
O
PCdoB, por sua vez, elegeu no Rio, em 2002, apenas a deputada
federal Jandira Feghali, que agora disputa o Senado. A ausência
de um nome de peso equivalente ao de Jandira, a segunda
maior votação no estado (264.384 votos), é
reconhecida pela presidente do diretório estadual
do partido, Ana Rocha. Indagada sobre a dificuldade em ultrapassar
a cláusula de barreira, porém, ela manifesta
esperança na derrubada da regra eleitoral. "A
candidatura ao Senado e o potencial de voto dela é
uma demonstração de que a cláusula
de barreira não pode se basear apenas na Câmara.
O Brasil é bicameral e a gente quer uma reforma política
que faça essa adequação", pondera.
Tal
como o PSDB, o PL não manteve nenhum dos seus deputados
eleitos em 2002. Bispo Rodrigues, o quarto mais votado do
Rio, com 192.640 eleitores, renunciou ao cargo em setembro
de 2005 após denúncia de recebimento de "mensalão"
e não disputa cargo eletivo. Nelson Bornier entrou
no PMDB em 2003 e Almir Moura migrou para o PFL em 2005.
Já o PP disputará a Câmara sem o terceiro
deputado mais bem votado de 2002, Francisco Dornelles (219.012
votos), que tenta o Senado. Dos cinco outros candidatos
eleitos, dois (Eduardo Cosentino e Almerinda Carvalho, esta
última denunciada pela CPI dos Sanguessugas), deixaram
a legenda pelo PMDB.
O
PTB vive uma situação um pouco mais confortável.
O partido, que em 2002 elegeu apenas Roberto Jefferson,
espera transferir os votos do deputado cassado para a filha
dele, Cristiane Brasil. A eleição do pastor
Manuel Ferreira, que recebeu 1.782.219 votos na disputa
pelo Senado em 2002, é dada como certa.
Procurados
pelo O DIA ONLINE, os presidentes dos diretórios
estaduais de PP, Dornelles, PTB, Fernando Gonçalves,
e PL, Caetano Amado, não retornaram as ligações
Fonte:
www.odia.com.br |