| Depois
do sucesso de filme, ex-traficante cobra R$ 5 mil por palestra
João Estrella teve sua vida retratada no longa
'Meu nome não é Johnny'.
Desde novembro do ano passado, João já deu
aproximadamente 50 palestras.
Fonte:
Do G1, no Rio
O
jovem de classe média, que virou traficante internacional
e inspirou o papel de Selton Mello no filme “Meu nome
não é Johnny”, já deu cerca de
50 palestras sobre sua jornada desde outubro de 2007.
João
Guilherme Estrella, que atualmente trabalha como produtor
musical, cobra cerca de R$ 5 mil por evento em colégios
e universidades de várias capitais brasileiras. Algumas
das palestras fizeram parte dos trabalhos de divulgação
do longa-metragem inspirado em sua vida, mas, neste ano
de 2008, João alça “carreira-solo”
no disputado ramo dos palestrantes.
Estrella
já tem sete palestras agendadas para este ano. Alguns
de seus destinos serão, Porto Alegre, onde falará
a internos de uma clínica de reabilitação,
além de Brasília, Fortaleza e Manaus, capitais
nas quais discursará para seu público cativo:
estudantes de colégios e universidades.
“Quando
falo com os jovens tento usar um discurso de amigo. Falarei
enquanto ainda quiserem me ouvir”, disse sobre a rotina
pesada de palestras. Ele conta que costuma abrir os eventos
com um cromo do filme – trailer grande, de cerca de
cinco minutos, que resume a história do longa –,
que é seguido de uma explicação sobre
sua vida após a saída da prisão, e
de debates com o público.
'E
a hipocrisia?', perguntou garoto de 14 anos
Ele garante que o número de elogios supera de longe
a quantidade de críticas, mas confessa que já
passou por momentos delicados nessas andanças pelo
Brasil. Certa vez um garoto de 14 anos soltou a seguinte
pergunta: “E a hipocrisia? Você fez tudo isso
e diz para a gente não fazer nada?”.
“Pedi
para que ele visse o filme para entender os perigos e a
‘barra pesada’ que o envolvimento com as drogas
traz”, explica Estrella. A maior parte dos jovens
nas platéias, no entanto, se aproxima para fazer
confidências. “Muitos vêm falar em off
sobre as experiências com as drogas. Eu tento alertar
para os problemas. Digo a eles que comecem a pensar em pular
fora”, disse ele, que ficou preso por dois anos em
uma Casa de Custódia.
Refletindo
sobre sua trajetória, João afirma não
ter arrependimentos. “Tudo valeu a pena, por um certo
ângulo. Costumo dizer que não me arrependo
de nada. Senão, me arrependeria de quase metade da
minha vida. Tentei transformar o que aconteceu em algo bom”,
disse ele durante uma de suas palestras.
Pais
ressabiados
Voltando de uma viagem a Vitória, onde deu uma palestra
até as 22h da segunda (11), João foi ao Colégio
Israelita Brasileiro A. Liessin, na Zona Sul do Rio, para
realizar uma aula inaugural às 8h30 da manhã
desta terça (12).
Cerca
de 300 pessoas, entre pais, estudantes, professores e funcionários
do colégio, lotaram o auditório da escola
para ouvir o que Estrella tinha para falar.
“Nossa
intenção é de que os alunos entendam
como é fácil cair no mundo das drogas. Temos
sempre a preocupação de trazer para a escola
assuntos que façam parte da vida dos alunos fora
dela”, explicou a assistente de direção
geral do colégio Aída Miller.
Ao
final do evento, o casal Regina e Eduardo Nigri, que tem
três filhos na escola, se disse ligeiramente desapontado
com o discurso de João. “A iniciativa foi boa,
pois discutir sobre drogas sempre é válido.
Mas, em nossa opinião, ficou a mensagem de que, apesar
de tudo, ele é um sucesso. Acho que ele poderia ter
sido mais enfático ao desaconselhar o caminho das
drogas”, explicaram os pais.
Fonte:
www.g1.com.br |