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TV Comunitária vai ter programação própria

 

Foto: Leonardo Lopes / ASFUNRIO
A TVC-Rio - Associação de Entidades Canal Comunitário de TVs por Assinatura do Rio de Janeiro – foi fundada em julho de 1996 e tornou-se a segunda TV Comunitária a cabo no Brasil (a primeira surgiu em Porto Alegre, em maio do mesmo ano). Nesses 12 anos de existência, a tevê já viveu seis eleições, que elegeram novas direções. Cada direção tem o direito de comandar a entidade por dois anos.

O último pleito, ocorrido no dia 29 de abril, elegeu a chapa “Por uma TVC-Rio ainda mais comunitária”, que assumiu a gestão 2008-2010 a partir do dia 12 maio. O novo coordenador geral da TVC-Rio, Moysés Corrêa, que representa a Associação Brasileira para a Comunicação Independente, pretende aumentar a divulgação da tevê e criar uma programação própria. Com isso, segundo o coordenador, a tevê poderá melhorar a representação das idéias circulantes nas comunidades.

“A TV Comunitária hoje ainda não aparece. Ela transmite mais os programas das entidades que são parceiras. Então, nós vamos divulgar melhor a existência da TV Comunitária e criar uma programação própria, que expresse mais o mundo comunitário, sindical e o político, que está fora do espaço aberto. A TVC-Rio vai promover ações de cidadania. Vamos estimular e mostrar o que é feito pelas comunidades”, explica Moysés Corrêa. A divulgação, de acordo com o coordenador, será através da internet e de campanhas feitas com o uso de carro de som. Além disso, Moysés também quer aumentar a cobertura dos eventos das entidades. “Por exemplo, acabamos de passar por uma greve nos Correios. A TV Comunitária precisava estar cobrindo as assembléias. O melhor seria cobertura ao vivo”, enfatiza.

Recentemente, a nova gestão fora alvejada de críticas, que tentaram dar a impressão de que a mesma havia “tomado de assalto” a entidade. Segundo Moysés, as críticas foram provenientes de um grupo que tentou romper o caráter da TV Comunitária. “Nós, da chapa “Por uma TVC-Rio ainda mais comunitária”, representamos a manutenção do caráter comunitário da tevê. Tentaram mudar a entidade da TVC-Rio, tentaram mercantilizá-la. A natureza e a finalidade de uma TV Comunitária são completamente diferentes de uma TV comercial. O sentido da TV Comunitária é a diversidade de olhares e opiniões que compõem o tecido social na cidade. Por defender tudo isso é que recebemos tantas críticas”, esclareceu o coordenador.

A TV Comunitária, por lei, é uma tevê de acesso público, garantida pela Lei nº 8.977, de 6 de janeiro de 1995. Essa lei, chamada de Lei do Cabo, regulamenta todas as TVs a cabo no país. Na legislação de telecomunicações do Brasil, a única mídia que permite o acesso comunitário é a mídia a cabo. Para Moysés, a TV Comunitária deveria ser exibida num canal aberto, o que ampliaria o seu papel social. “Sou a favor de uma ampla democratização em todos os meios de comunicação. O melhor seria se a TV Comunitária fosse aberta. O percentual da população que consegue ver tevê a cabo é ainda muito pequeno, em torno de 10% a 12%. Nós defendemos uma liberdade ampla de acesso, porque a isenção jornalística é uma conversa fiada, vendida em algumas escolas e defendida pelo segmento que domina a mídia”, acredita.

A futura programação da TV Comunitária, segundo Moysés, deverá estar em consonância com o aspecto de uma tevê que fuja completamente dos padrões da tevê comercial. “Vamos cobrir tudo aquilo que não passa na tevê comercial. Nós temos que expressar que temos uma crítica contra a tevê comercial. É importante perceber que a mídia comercial procura passar, através dos exemplos positivos, uma visão conservadora. Que é a visão de que o problema está nas pessoas, não está na sociedade. Esse drama todo de desemprego, por exemplo, a tevê comercial procura mostrar que quem luta consegue emprego. Obviamente, a tragédia do desemprego não é uma questão só de formação profissional. É uma questão de macroeconomia”.

Questionado sobre o que falta para a TVC-Rio adquirir sua própria programação, Moysés foi lacônico: “Faltava ter dirigentes que defendessem isso, agora já tem”. Mesmo assim, ele disse que a TVC-Rio precisará investir em tecnologia, na compra de novos equipamentos. “Para isso, vamos precisar transformar a forma de captar os recursos. Não vamos ter o mesmo financiamento que tem uma tevê comercial. Achamos que a TV Comunitária tem condição de gerar esse recurso, conforme for se posicionando numa tevê realmente voltada para a comunidade”. Quem quiser enviar sugestões, pode encaminhar para o email tvcrio@tvcrio.org.br

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