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MARINHEIROS SÃO ANISTIADOS UM SÉCULO DEPOIS DA REVOLTA

Quase um século depois – 98 anos – os marinheiros que lideraram a Revolta da Chibata, na Baía de Guanabara, em 1910, no Rio de Janeiro, foram anistiados pelo Senado Federal, que aprovou recentemente o projeto de lei, de 2001, da senadora Marina Silva (PT). O projeto de Marina tira do mofo o decreto presidencial nº 2.280, de 1910, não aplicado, que concedia anistia aos participantes do levante, entre eles, o líder João Cândido Felisberto.

Enquanto intelectuais de classe média recebem milhões como reparação por terem sido impedidos de trabalhar durante a ditadura militar (1964-1985), os parentes dos marinheiros não sabem se efetivamente vão ganhar reparação pela anistia aos seus parentes, em geral, negros pobres, que eram recrutados à força para a marinha.

A Revolta da Chibata é um dos mais emblemáticos episódios da história social brasileira.. Em 1910, os marinheiros estavam fartos de serem castigados pelos oficiais através de chibatadas nos convés. As chibatadas eram um castigo aplicado aos escravos que ainda persistia na sociedade e nos organismos de controle social.

Liderados por João Cândido, os marinheiros passaram a fazer reuniões em casarões da Praça Mauá ou nos fundos dos botequins. A conspiração prosperou e praticamente todos aderiram ao plano de João Candido: quando chegassem ao Rio, vindos da Inglaterra, com os mais novos e poderosos navios da Marinha, o levante começaria.

Em 22 de novembro de 1910, os marinheiros se levantaram, detiveram os oficiais e apontaram os poderosos canhões dos navios recém adquiridos para a cidade do Rio de Janeiro. A população e a elite dirigente entraram em polvorosa. O presidente da República, Hermes da Fonseca, reuniu todo o seu ministério para debater a crise. Durante as negociações, os marinheiros disseram que queriam o fim das chibatadas, tratamento condigno e não serem perseguidos após a rebelião.

Hermes da Fonseca deu sinal verde que atenderia às reivindicações dos marujos. Estes, acreditando nas palavras dos negociadores estatais, mudaram o foco dos canhões, soltaram os oficiais e desceram de barco para a Praça Quinze. Dias depois, foram presos, levados para a Ilha das Cobras e Fernando de Noronha, onde foram trucidados. João Candido, o líder, passou por várias prisões, e sobreviveu às tentativas de assassinato. Ele morreu pobre nos anos 1960.

Hoje, militantes negros tentam resgatar a história do marinheiro que liderou a revolta que entrou para a história brasileira. Uma das tentativas é que a Marinha conceda o titulo de almirante para João Cândido. Pelo lado militante, um monumento ao líder da Revolta da Chibata foi colocado, nos jardins do Museu da República, no ano passado. Nos anos 1980, João Bosco e Aldir Blanc homenagearam João Cândido com a música “ Mestre Sala dos Mares”, que se tornou mais um sucesso da dupla. O cineasta negro Zózimo Bulbul há alguns anos, tentou ficcionar o levante, mas não conseguiu os recursos necessários para a produção cinematográfica.

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