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O Movimento Pendular da Segurança Pública


Por que os governos fluminenses sempre adotam políticas de enfrentamento ao crime se estas políticas acabam provocando muito mais mortes de ambos os lados, ou seja, do lado das forças do bem e dos bandidos? Mais ainda: estudos universitários mostram que o crime não recua, pelo contrário, tende a aumentar quando estas políticas repressivas entram em ação.

Este fato aconteceu com Moreira Franco (1986-1990) e Marcelo Alencar (1995-1998), que deixaram o governo com recordes nos índices de criminalidade, após adotarem por quatro anos a política de enfrentamento. Mesmo assim, os governadores não abrem mão dessas ações repressivas. Ano passado, aumentou em 12% o número de pessoas mortas em confronto. A polícia fluminense continua a ser a mais letal do mundo.

Em nossa análise, a permanência desta política está ligada ao fato de a mídia dar amplo destaque a estas operações gigantescas de caça-bandidos. A mídia transmite então para os leitores/expectadores que a polícia está trabalhando duro para combater a violência e conter a criminalidade, mas apenas num foco: a favela e o narcotráfico. O governo , então, tende a faturar politicamente com esta versão midiática.

Outra razão é que a classe média em geral concorda com este tipo de política de segurança, focada apenas num lado da moeda. Enquanto outras dinâmicas criminais crescem e se desenvolvem, necessitando do trabalho investigatório e da análise, a polícia fluminense permanece atuante em apenas um lado da história.

Segundo diversos estudiosos, desde o primeiro governo de Leonel Brizola (1983-1986), o combate à criminalidade oscila através de um pêndulo, ou seja, entre políticas de prevenção e políticas de enfrentamento. Foram os casos de dois governos Leonel Brizola (prevenção) e Moreira Franco e Marcello Alencar (enfrentamento). Já os governos de Anthony e Rosinha Garotinho fizeram uma mistura das duas tendências de segurança pública, em alguns casos, dando destaque ao enfrentamento direto ao crime nas comunidades de baixa renda.

Os exemplos de Colômbia e de outros paises que sofreram com a criminalidade e hoje estão com seus índices de violência razoavelmente controlados, mostram que as populações humildes não querem o modelo violento de intervenção do estado em suas localidades. Afinal, todos os dias assistimos à morte de crianças e adolescentes por balas perdidas, numa cena que se tornou banal no cotidiano carioca.

Afinal, a criminalidade em comunidades cai quando há investimentos em educação (criação de mini-universidades de cursos profissionalizantes), pequenos hospitais, quadras de esporte polivalentes, presença ampliada de agências do poder público (Ministério Publico, delegacias, posto de identificação, creches) e aceno para possibilidades de ascensão social. Estes fatores se complementam quando o governo transforma as favelas em bairros populares. Ora, é este esforço que sempre é prometido e nunca é aplicado. Daí, então, sempre a intervenção repressiva, causando luto e dor para os dois lados em confronto.

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