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CARTA DE SÃO MATEUS - contra o Deserto Verde e a monotonia das monoculturas

A origem da maior parte dos problemas urbanos, a doença das cidades (crise habitacional, desemprego estrutural, violência urbana crescente, exclusão social, pobreza nas periferias urbanas etc) está na contínua política de expulsão de trabalhadores(as) rurais do campo que vêm sendo intensificado pelas monoculturas predatórias de eucalipto, cana etc.

Sem agricultura familiar e a reforma agrária não haverá Paz nas cidades, nem alimentos!

Contamos com sua participação no Ato público na Sede do BNDES, dia 26/3, as 10 hs, por mais investimentos na agricultura camponesa.

Sérgio Ricardo

CARTA DE SÃO MATEUS

Março de 2008

Reunida no CEFORMA, nos dias 28/02 a 02/03/2008, em encontro estadual, com Camponeses/as, Sem Terra, Indígenas, Quilombolas e técnicos e profissionais de diversas áreas do conhecimento do ES, e colegas da BA e RJ, a Rede Deserto Verde vem a público declarar seu repúdio à expansão das monoculturas em larga escala do eucalipto e da cana de açúcar em nossos estados, financiada pelo BNDES, pelo governo Lula e por seus sócios da poluição, Paulo Hartung, Sérgio Cabral e Jacques Wagner.

Depois de devastar os territórios indígenas Tupinikim e Guarani e quilombolas, o insustentável modelo agrícola e agrário busca se expandir sobre a agricultura camponesa, disputando as áreas que deveriam ser destinadas à Reforma Agrária, ameaçando a produção de alimentos, os recursos hídricos, na Mata Atlântica, no cerrado, nos campos sulinos, na caatinga e na Amazônia.

O deserto verde também se expande tecnologicamente, nos agrotóxicos de última geração, nas árvores geneticamente modificadas, no mercado de carbono, no etanol de cana de açúcar e de celulose; controlando os centros tecnológicos e disputando os recursos públicos da pesquisa e da universidade brasileira.

As fábricas fecham no Norte, transferindo a poluição para o Sul.

Conclamamos a sociedade civil brasileira, suas redes e fóruns de resistência, para enfrentarmos a expansão do deserto verde, para consolidarmos a vitória indígena Tupinikim e Guarani, para avançarmos na reconquista dos territórios quilombolas, na Reforma Agrária e Agricultura Camponesa; porque insistimos na possibilidade de outra sociedade. Na contra-cultura do eucalipto, vamos somar forças na defesa da autonomia e segurança alimentar, da agroecologia e da sócio-biodiversidade democrática, como os valores e práticas de um outro mundo já em construção.

Rede Deserto Verde ES/BA/RJ

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