Direção da Justiça
Supremo, STJ e TSE trocam de comando em 2008
por Maria Fernanda Erdelyi
O
Supremo, o STJ e o TSE trocam de comando este ano. Em
abril, no STF sai Ellen Gracie e entra Gilmar Mendes.
No STJ, Barros Monteiro dá lugar a Humberto Gomes
de Barros, que fica só até junho e será
substituído por Cesar Asfor Rocha. E no TSE, em
maio, o irriquieto Marco Aurélio cede a vez para
o pacato Carlos Britto.
À
frente do Supremo Tribunal Federal, o ministro Gilmar
Mendes aplicará a experiência de administrador
adquirida nos tempos em que liderou a Advocacia-Geral
da União, entre 2000 e 2002. Ele organizou a AGU,
transformou-a em órgão ministerial do governo
e ditou a estrutura que dura até os dias de hoje.
Além de Advogado-geral da União no governo
Fernando Henrique, foi subchefe para Assuntos Jurídicos
da Casa Civil entre 1996 e 2000.
Ao
contrário de Ellen Gracie, que não gosta
de se expor e evita entrevistas, Gilmar Mendes parte para
o enfrentamento, é critico e não esconde
o que pensa. Critica abertamente o Ministério Público,
o avanço na ação de improbidade administrativa
e algumas condutas da Polícia. Sob sua direção,
o Supremo deverá ter ainda mais visibilidade.
Um
ministro aposentado da Corte ressalta que a administração
da ministra Ellen foi muito útil e proveitosa para
advogados e jurisdicionados. Ela implantou as petições
online, os julgamentos em bloco com matérias repetitivas
— como foi o caso da pensão por morte, com
cinco mil recursos julgados num só dia —
além de impulsionar a implantação
da Súmula Vinculante e da Repercussão-Geral
do Recurso Extraordinário. Ellen foi a primeira
mulher a integrar e presidir o Supremo.
Gilmar
deve dar continuidade a estes projetos da ministra, no
sentido de conferir ainda mais racionalidade aos julgamentos,
além de dar atenção especial à
Súmula Vinculante. Gilmar é mentor da Ação
Declaratória de Constitucionalidade e da Argüição
de Descumprimento de Preceito Fundamental e deve atuar
por maior elasticidade dos instrumentos. Manterá
diálogo necessário com o Executivo e o Legislativo.
Alta
rotatividade
Já
o Superior Tribunal de Justiça passará por
duas trocas de presidente em poucos meses. Raphael de
Barros Monteiro Filho, ministro reservado, dono de uma
administração técnica, deixa a cadeira
para o alagoano Humberto Gomes de Barros. Em administração
relâmpago — o ministro ficará no cargo
até julho, quando se aposenta compulsoriamente
aos 70 anos de idade — Gomes de Barros deve seguir
a política do antecessor e tocar projetos em andamento.
A
mudança de perfil deve vir na administração
do ministro Cesar Asfor Rocha, que assume a Presidência
no segundo semestre. Segundo avaliam advogados e ex-ministros
da casa, espera-se de Asfor Rocha uma gestão mais
dinâmica, de diálogo mais intenso com a sociedade
e com os outros poderes. Assim como Barros Monteiro, deve
dar atenção especial à questão
da celeridade e aparelhamento do tribunal. Barros Monteiro
investiu pesado na modernização e informatização
do STJ e colocou em funcionamento a petição
eletrônica.
Com
Asfor Rocha, não deve ser diferente. Em seis meses
à frente da Corregedoria-Nacional de Justiça,
o ministro implantou diversos projetos para identificar
os problemas e racionalizar a Justiça. Por exemplo,
quer levantar o número exato de processos em todo
o Brasil e formar um banco de dados para acompanhar o
andamento de cada um deles.
Nomeado
ao STJ em vaga do quinto constitucional da Advocacia,
Asfor Rocha mantém estreito diálogo com
a Ordem dos Advogados do Brasil e deve abrir mais espaço
para a classe em sua administração. O ministro
também deve travar diálogo próximo
com o Executivo e o Legislativo. É amigo de Ciro
Gomes (PSB-CE), Tasso Jereissati (PSDB-CE) e outros políticos,
sobretudo, do Ceará, sua terra natal.
Corte
Eleitoral
Depois
de comandar o Tribunal Superior Eleitoral com proeminência
nas eleições de 2006, o ministro Marco Aurélio
cede a cadeira de presidente para o ministro Carlos Ayres
Britto. Apesar de mais informal e menos apegado à
liturgia do cargo do que o antecessor, Britto deverá
seguir as diretrizes já traçadas, com rigor
na análise de irregularidades em busca de eleições
limpas e com ampla fiscalização. Mais reservado,
Britto não se expõe e não polemiza
como Marco Aurélio.
Na
opinião de advogados que militam no TSE, Britto
deve imprimir uma administração mais discreta,
deverá ouvir mais e descentralizar o trabalho.
O ministro já foi filiado ao Partido dos Trabalhadores.
Chegou a candidatar-se à vaga de deputado federal,
mas não foi eleito.
No
Tribunal Superior do Trabalho, a direção
não muda este ano. O presidente Rider de Brito
fica no comando da Corte até 2009.
Revista
Consultor Jurídico, 22 de janeiro de 2008