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Retrato
do parlamento
De cada três deputados, um responde a processo
Um terço dos deputados federais responde a processo
no Judiciário ou nos Tribunais de Contas. Nas bancadas
de alguns estados eles são maioria. Em Tocantins,
75% dos eleitos estão nessa condição.
O dado faz parte da pesquisa feita pela ONG Transparência
Brasil, que analisou o histórico de senadores e deputados
federais e estaduais.
No
Senado, a situação não é diferente.
Mais de um terço dos senadores registra ocorrências
na Justiça. Entre os trinta senadores com tais ocorrências,
onze foram eleitos no Nordeste.
A
situação se repete nas Assembléias
Legislativas. Em 15 delas, pelo menos um terço sofre
processos. Em Goiás, o índice sobe para mais
de 70%. Em outros sete estados o porcentual é de
pelo menos 40%.
Segundo
a Transparência Brasil, a maioria dos processos criminais
é relacionado com a atividade parlamentar. Do levantamento
foram desconsiderados alguns tipos, como crimes de calúnia.
Segundo
a pesquisa, os deputados federais gastaram quase R$ 20 milhões
com viagens aéreas em 2007. Há um caso de
um deputado que colocou gastos de R$ 180 mil, o que equivale
a 900 mil quilômetros de vôo. Com isso, seria
possível dar mais de 20 voltas em torno da Terra.
Os
deputados também consumiram R$ 16,7 milhões
em combustível. O valor é suficiente para
percorrer 73,8 milhões de quilômetros de automóvel.
Já
os deputados estaduais de São Paulo gastaram gasolina
para 11,1 milhões de quilômetros e os do Rio
Grande do Sul, 13,2 milhões de quilômetros.
O combustível que os 24 deputados de Brasília
declararam ter gasto seria suficiente para percorrer o Plano
Piloto de uma ponta a outra mais de 235 mil vezes durante
o ano.
Apesar
de toda esta gasolina, a assiduidade dos parlamentares ao
trabalho deixa a desejar. Na Câmara dos Deputados,
a média de faltas nas sessões plenárias
foi de 12% no ano. No Rio Grande do Norte, as ausências
chegam a 18,9%.
A
média de ausências nas sessões das comissões
temáticas da Câmara dos Deputados é
de 28%. Os do Rio Grande do Norte foram campeões
também nesta categoria, tendo faltado em média
a 39,3% das sessões.
Fonte:
Revista Consultor Jurídico, 17 de janeiro de 2008
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