Cesar
Maia quer voltar à prefeitura
Em
entrevista na TV, prefeito faz um balanço de sua
gestão e lança candidatura para eleição
de 2012
Rio - Após governar a cidade por 12 anos, fazer
um sucessor e cogitar concorrer ao Senado e ao governo
do estado, Cesar Maia admitiu ontem que pode ser candidato
à prefeitura em 2012. Ano que vem, Cesar quer se
mudar para a Espanha, onde dará aulas. “Voltaria
em 2011 como candidato à cidade que amo, o Rio,
prefeito outra vez”, afirmou em entrevista ao ‘RJ
TV’.
Nem
as pesadas críticas ao abandono da cidade o fariam
mudar de idéia. Às vésperas de passar
o comando, o prefeito voltou a admitir, como adiantara
em entrevista a O DIA em outubro, que deixou de investir
em conservação e melhorias para pagar as
dívidas do Pan.
“Todo
mundo percebeu que a cidade piorou em conservação.
Para o Pan, desembolsamos R$ 1 bilhão. Eu tirei
da conservação e obras. Esses recursos desviados
impactaram a cidade”, afirmou.
Os
custos do Pan foram estimados em R$ 380 milhões.
Segundo o Comitê Olímpico Brasileiro, custou
R$ 3,8 bilhões. Cesar questionou, dizendo que a
prefeitura pagou R$ 1,8 bilhão e a diferença
do valor real e estimado se deu por exigências do
COB. “O Pan mudou de patamar por pedido do COB,
para dar garantias à candidatura às Olimpíadas
de 2016”, respondeu.
VIAÇÕES
NA MIRA
Questionado
sobre o caos no transporte público, Cesar Maia
culpou o lobby das empresas de ônibus: “Esse
poder impede a ação do poder público.
Uma saída é expandir o metrô e a SuperVia”,
disse, negando que tivesse incluído nas promessas
do Pan o metrô até a Barra, o que disse repetidas
vezes à imprensa na época da candidatura
da cidade.
Cesar
voltou a negar que o Rio tenha vivido uma epidemia de
dengue este ano, apesar das quase 100 mortes e mais de
110 mil infectados. “Ela estava concentrada em Jacarepaguá
e foi para Bangu, Santa Cruz. Mas não foi na cidade
toda”, alegou. Para o prefeito, a cidade não
terá epidemia em 2009.
Ele
crê que o Favela-Bairro, Rio Cidade e a Cidade da
Música serão marcas da sua gestão.
“A Cidade da Música é uma obra para
as próximas gerações, para o Rio
recuperar a condição de centro cultural
do Brasil”.
Cidade
da Música tira da conservação
Para
garantir recursos para a manutenção da Cidade
da Música no primeiro semestre do ano que vem,
o prefeito Cesar Maia utilizou o mesmo método que
garantiu a realização do Pan. Foram cancelados
créditos orçamentários de programas
de trabalho ligados à conservação
e à iluminação da cidade para serem
empregados no novo equipamento cultural. Verbas que iriam
para implantação da rede de esgoto da Zona
Oeste também foram transferidas.
Para
a manutenção dos equipamentos e da infra-estrutura
da Cidade da Música, que será licitada ainda
este mês, foram destinados mais de R$ 3 milhões.
Levantamento feito pela vereadora Andrea Gouvêa
Vieira (PSDB) mostra que foram retirados recursos para
implantação de novas redes de drenagem e
esgoto e para manutenção das existentes.
Da iluminação das ruas foram cortados R$
250 mil. Cesar disse, no entanto, que “os recursos
do orçamento de vários programas ficaram
além do previsto, o que os tornou todos disponíveis”.
Apesar
de ter sido marcada para ontem, não ocorreu a votação
do orçamento de 2009 da prefeitura por falta de
quorum na Câmara Municipal. A Lei Orçamentária
é necessária para que o prefeito eleito
Eduardo Paes possa autorizar despesas a partir de 1º
de janeiro.
NÚMERO
DE RADARES E LOMBADAS AUMENTOU 266% NAS RUAS DO RIO
O
Rio se transformou num ‘campo minado’ para
os motoristas. Levantamento feito por O DIA mostra que
só nos últimos dois anos o número
de pardais e lombadas instalados nas ruas da capital aumentou
266%. Em 2006, o trânsito na cidade era vigiado
por apenas 78 equipamentos eletrônicos. Atualmente
existem 286 aparelhos espalhados pelo Rio.
Desde
janeiro já foram instalados 105 novos aparelhos.
Em 2007 a Secretaria de Transportes instalou outros 103
radares, muito mais do que o número de equipamentos
em funcionamento até então (78).
Com
tantos pardais nas ruas, a arrecadação da
Prefeitura com o pagamento de multas também aumentou.
Em 2007, os cofres públicos do município
foram abastecidos com R$ 55.640.768,83. Este ano a arrecadação
saltou para R$ 69.374.262,96, R$ 13.733.494,13 a mais.
Segunda-feira
o prefeito Cesar Maia levantou suspeitas sobre o excesso
de radares instalados na cidade. Segundo ele, dois funcionários
que já foram exonerados participariam de esquema
para beneficiar empresas que operam os aparelhos. Eles
teriam até viajado para os Estados Unidos às
custas das empresas. Autor do projeto de lei que determina
o desligamento dos aparelhos instalados em áreas
de risco do Rio durante a madrugada, o vereador Charbel
Zaib ficou revoltado com a revelação. “Isso
é a prova de que estávamos certos quando
falávamos sobre a indústria das multas”.
Irregularidades
na aplicação das multas pelos radares também
serão investigadas pelo Ministério Público.
Ontem, o deputado Dionísio Lins (PP) entrou com
uma ação contra as empresas que operam os
aparelhos, que, segundo denúncias encaminhadas
à Comissão Antipirataria da Alerj, estariam
“viciados”. “Em ruas onde o limite de
velocidade é de 60km/h, os equipamentos estariam
multando quem passa a 50 km/h.”
Fonte: www.odia.com.br