Quatro
anos em 12 - A era Cesar Maia
O Globo
RIO - Epitácio Maia chegou ao poder em 1993 como
azarão, sem força, sem equipe, sem partido
e sem carisma. Mas, em apenas quatro anos, marcou a história
do Rio de Janeiro com uma gestão de impacto: liderando
um time de técnicos independentes, o então
(hiper) ativo prefeito promoveu o ordenamento urbano,
o controle financeiro , a construção da
Linha Amarela e a implantação dos programas
Rio Cidade e Favela-Bairro. Foram quatro anos tão
marcantes que ele fez o sucessor (não havia reeleição)
e ainda se elegeu nas duas vezes seguintes para o mesmo
cargo, batendo o recorde de tempo de um governante na
administração do Rio.
Mas
a imagem que construiu, o próprio Cesar desconstruiu
nos dois últimos mandatos (2001-2004 e 2005-2008),
marcados pela politização, pelo isolamento
e pelo abandono do dia-a-dia dos problemas da cidade.
Neste período, o prefeito sumiu das ruas - as mesmas
que foram tomadas pelos buracos, pela favelização
descontrolada e pelas vans ilegais . Mergulhado na internet,
Cesar virou para o cidadão um prefeito virtual,
que não aparece e só dá entrevistas
por email - mesmo para a TV... Até virar, ainda
no cargo, o "ex-prefeito em exercício",
como passou a ser rotulado.
Feitas
as contas da Era Cesar Maia, foram quatro anos em 12 -
ou 16, se somado o período Conde (1997-2000), a
quem elegeu -, avaliam pesquisadores, ex-prefeitos e intelectuais.
Uma versão às avessas do lema desenvolvimentista
"50 anos em cinco" do ex-presidente Juscelino
Kubitschek. Neste fim de ano, ao limpar as gavetas, o
político que mais tempo ficou no poder no Rio,
mas não deixa, por exemplo, qualquer obra de transporte
público - Paris, no período, fez cerca de
20 novas estações em seu já completíssimo
metrô - fecha o ciclo na prefeitura inaugurando
a mais faraônica e polêmica de suas obras:
a Cidade da Música, cujos gastos vão ultrapassar
(muito) a casa dos R$ 500 milhões.
Mande
sua pergunta para o prefeito Cesar Maia
Em entrevista exclusiva a jornalistas do GLOBO , Cesar
Maia elogiou seus três mandatos e recusou-se a admitir
que o segundo e o terceiro não tiveram a força
da estréia. Não reconhece falhas administrativas,
exceto a municipalização da saúde
- usada como bode expiatório para a crise que se
seguiu. O político que se orgulha de nunca ter
perdido uma eleição no Rio diz, no entanto,
que seu maior erro foi justamente não saber fazer
política. Chega a dizer que a saúde e o
transporte - bombardeados pela oposição
na campanha eleitoral deste ano - melhoraram. E garante
que cumpriu o compromisso de mudar esses setores, assumido
em entrevista ao GLOBO em outubro de 2004, dias depois
de eleito.
Fonte:
http://extra.globo.com