Nos passos da tolerância zero contra a violência


Ex-prefeito de Nova Iorque dará consultoria ao governo do Rio no combate ao crime

Rio - O homem que venceu o crime na cidade que é considerada a capital do planeta será aliado do Rio no combate à violência. A empresa de consultoria do ex-prefeito de Nova Iorque, Rudolph Giuliani — que administrou a metrópole americana de 1994 a 2001, tornando-se conhecido pela política de ‘tolerância zero’ contra bandidos — será contratada pelo governador Sérgio Cabral para melhorar a segurança no estado de olho na Copa de 2014 e na Olimpíada de 2016. Giuliani vai se reunir pelo menos cinco vezes por ano com autoridades da área. Ontem, na segunda passagem pelo Rio, o ex-prefeito começou a conhecer de perto a realidade local, ao visitar o Complexo do Alemão com o prefeito Eduardo Paes.

Iniciativas em curso no Rio, como as Escolas do Amanhã, foram elogiadas por Giuliani. “Iniciativas assim podem ajudar na redução da violência. É dando atenção adequada à educação, seja nas pequenas coisas, como consertar uma janela quebrada de escola, que o ensino se fortalece”, disse, ao assistir a apresentação de balé e samba de alunas da Escola Municipal Afonso Várzea, no Alemão.

Os detalhes do contrato entre Giuliani e o estado ainda não estão definidos. O modelo será parecido com o firmado com o instituto INDG, que desde 2007 presta consultoria em administração pública para o estado. Neste caso, um grupo de empresas paga parte da consultoria e o governo complementa o valor. “Ele (Giuliani) tem uma equipe de profissionais que tem dado consultoria no mundo inteiro. Com a sua experiência de grande sucesso, vai nos auxiliar no dia a dia da nossa segurança”, disse Cabral, depois de almoçar com Giuliani no Palácio Laranjeiras.

O ex-prefeito virá ao Rio a cada dois meses e meio acompanhar os trabalhos da sua equipe e dar palestras. Na primeira vez em que esteve na cidade, ele visitou o morro Santa Marta, em Botafogo, para conhecer a experiência da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). O chefe da Casa Civil, Régis Fichtner, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, e o seu subsecretário, Roberto Sá, trocarão informações com a equipe estrangeira que ficará no Rio. “Não temos medo de aprender com os outros. As melhores experiências que trouxermos de outros lugares, seja de Nova Iorque ou do estado vizinho, vamos usar para melhorar a vida das pessoas”, afirmou Cabral.

Uma das ideias usadas em Nova Iorque e já em prática no Rio é a das Regiões Integradas de Segurança Pública (Risp), criadas para articular melhor as polícias Civil e Militar. Policiais de Risps que atingirem metas pré-estabelecidas de redução de índices de violência receberão gratificações do governo. Ao todo, o estado terá 7 Risps, que contarão com uma base física comum para planejar ações.

Medida já liberou 300 PMs para as ruas

Uma das ideias da INDG, comandada pelo professor Vicente Falconi, foi a terceirização da manutenção das viaturas da Polícia Militar. A medida permitiu, segundo o governo do estado, uma economia de custos e a liberação de cerca de 300 PMs para as ruas. Ontem, Cabral comentou a derrubada pelos deputados estaduais do seu veto a projeto de lei que obriga à instalação de câmeras em viaturas: “É inconstitucional. A iniciativa tem que ser do Executivo. É muito bom o parlamentar dizer: ‘A partir de agora todo policial vai ganhar ‘x’ reais’. Tem político demagogo fazendo graça com as necessidades da polícia”, disse.

Luta contra o crime virou bandeira política

As melhorias na qualidade de vida do povo de Nova Iorque — muitas das quais são creditadas à famosa política de ‘tolerância zero’ com o crime, quando era prefeito — fizeram tanto sucesso que, junto com seu trabalho na cidade após os atentados de 11 de setembro, transformaram Rudolph Giuliani num dos principais nomes do Partido Republicano dos EUA.

Neto de imigrantes italianos, Giuliani ganhou fama pela dureza com que tratava mafiosos e bandidos de colarinho branco quando era procurador. Quando prefeito, entre 1994 e 2001, implementou a política que procurava levar à Justiça até infratores considerados de menor periculosidade, como pichadores e pessoas que eram flagradas jogando lixo nas ruas.

Segundo seus defensores, a política gerava um ambiente de maior respeito às leis. As taxas de crime caíram, em média, 44%, chegando aos menores níveis em décadas. O índice de homicídios despencou 70%. Entretanto, Giuliani também recebeu críticas e, em 1999, cerca de 70 mil pessoas processaram a polícia por abusos. Outros críticos lembravam que as taxas de crime também caíram no resto dos EUA.

A implantação da ‘tolerância zero’ em Nova Iorque no início do mandato de Giuliani foi comandada por William Bratton. Depois de ser comissário de polícia em Nova Iorque, ele trabalhou em Los Angeles, onde as taxas de crime caíram durante seis anos seguidos. Em outubro, ele deixou o comando da polícia de Los Angeles para dirigir uma empresa privada de segurança.

Fonte: odia.com.br

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