A
prova de fogo do novo metrô
Especialistas em transporte alertam para o
risco de a Linha 1A não trazer mais conforto
ou até piorar os serviços
Rio
- A partir do dia 21, o metrô do Rio começará
a operar com novo sistema, com a abertura da Estação
General Osório, em Ipanema, e a inauguração
da Linha 1A, que ligará a Pavuna a Botafogo.
Segundo a concessionária Metrô Rio,
a mudança foi decidida a partir de uma
pesquisa sobre o destino dos usuários.
Os dados revelaram que 85% dos passageiros da
Linha 2 fazem a transferência na Estação
Estácio e a maior parte deles — 78%
— tem como destino as estações
até Botafogo, coberta hoje apenas pela
Linha 1.
Especialistas
ouvidos por O DIA, no entanto, afirmam que o novo
sistema é frágil e questionam se
o problema da superlotação nos trens
vai melhorar. “O desconforto vai continuar”,
avisa Fernando MacDowell, doutor em Engenharia
de Transporte e professor da Universidade Federal
do Rio de Janeiro (UFRJ). “Estão
inaugurando um projeto que não vai resolver
os problemas do metrô. Deve aliviar um pouco
para quem usa entre a Central e Botafogo, mas
o aperto para quem vem da Pavuna continuará.
E pode até piorar”, adverte MacDowell.
Atualmente,
a Linha 2 funciona com intervalos de 4 minutos
e 40 segundos. Na linha 1, o tempo de espera é
um pouco menor, de 4 minutos e 10 segundos. Com
o novo sistema, quem pega o trem em qualquer estação
fora do trecho Central-Botafogo vai esperar um
pouco mais: 4 minutos e 50 segundos. Em compensação,
os trens nesta parte do trajeto terão os
intervalos cortados quase pela metade: 2 minutos
e meio.
O
Coordenador do Programa de Engenharia de Transportes
da Coppe UFRJ, Paulo Cesar Ribeiro, lembra que
os atrasos de uma linha, agora, afetarão
a outra. “Nesse sistema existe uma séria
fragilidade. Se der algum problema em uma das
linhas, a outra também sofrerá as
consequências”, explica Paulo Cesar.
A
relações-públicas Maria Flavia
Horta, 43 anos, mora na Barra da Tijuca e trabalha
no Centro. Ela pega o ônibus integração
para a Estação Del Castilho e faz
a baldeação no Estácio para
poder chegar à Estação Carioca.
“Não estou vendo nenhum benefício
nisso. O problema não era apenas no Estácio.
Eu já pego o trem em Del Castilho lotado.
Se o intervalo entre os trens ainda vai aumentar,
vai piorar. Acho que só haverá melhoria
com a chegada dos novos trens”, lamentou.
Hoje,
segundo o Metrô Rio, existem 33 trens: 16
na linha 1 e 17 na linha 2. Segundo a Secretaria
Estadual de Transportes, 19 composições
novas já foram compradas. A primeira chega
em dezembro de 2010 e as demais entrarão
em operação gradativamente até
dezembro de 2011. Ao longo de 30 anos de existência
do metrô, nunca houve a compra de novos
trens.
Reportagem
de Anna Luiza Guimarães.
Fonte:
www.odia.com.br