Fernanda
Malta, Jornal do Brasil
RIO - As cartas são endereçadas
ao Pólo Norte, mas os Correios interceptam
antes que cheguem ao CEP indicado. Afinal,
aqui no Rio há mais de um Papai Noel
disposto a atender os pedidos de crianças
desfavorecidas. São cerca de 5 mil
voluntários que, a cada Natal, doam
bicicletas, material escolar, roupas, livros,
carrinhos para alegrar crianças de
até 10 anos.
–
Nós fazemos uma triagem, em que analisamos
o local onde vivem, idade, situação
social e a opção de pedido.
Esses critérios servem para darmos
prioridade às crianças que moram
em áreas de risco e, muitas vezes,
não recebem presentes durante todo
o ano – explica o diretor regional dos
Correios, Mário Renato Borges da Silva.
Já
foram recebidas cerca de 50 mil cartas, apenas
no estado do Rio. Do total, mais de quatro
mil foram apadrinhadas. Como os autores pedem
o que vem à imaginação,
nem todos os pedidos são atendidos.
Os pequenos que pedem um rim para um transplante
ou um emprego para o pai, recebem uma resposta,
do Papai Noel.
–
A lembrança do bom velhinho é,
muitas vezes, mais importante do que o próprio
presente – define o diretor regional.
O projeto existe há mais de 20 anos.
Inicialmente, era uma iniciativa dos próprios
empregados dos Correios, mas, em 1997, foi
institucionalizado, e a sociedade passou a
participar.
– Fica a critério do doador escolher
o presente que melhor se adequar ao bolso.
Os pedidos têm uma variação
muito grande. Há desde fraldas a videogames.
Queremos que a criança mantenha a magia
de acreditar no Papai Noel, além de
incentivar o hábito de escrever cartas
– informa a chefe da seção
de Comunicação e Imprensa, Anita
Zoéga.
Quem quiser ser o Papai Noel das crianças
carentes, pode adotar, até a próxima
quinta-feira, uma das cartinhas na Casa de
Papai Noel montada no hall do edifício
sede dos Correios, na Avenida Presidente Vargas,
número 3.077, no Centro, ou nas 44
agências espalhadas pelo Estado, disponíveis
para entendimento das 9h às 16h30.
Iniciativa
pela educação
Já
a Ação de Cidadania do Natal
Sem Fome dos Sonhos, focou sua campanha na
luta pela educação dos jovens
moradores de comunidades carentes. Desde 2006,
a proposta deixou de ser a distribuição
de alimentos e voltou-se para o direito da
criança de brincar e estudar.
Na
véspera do Natal, milhares de crianças
de 900 comunidades pobres de 20 municípios
do estado vão ser presenteadas com
livros e brinquedos doados.
A
coordenadora da ação, Maria
José Andrade, acredita que o papel
de reivindicar políticas públicas
de combate à fome e à miséria
foi cumprido, com a implantação
dos programas de transferência de renda
pelo governo federal (Bolsa Família,
entre outros).
–
Nossa prioridade agora é a educação,
que, de fato, é o que transforma os
jovens. Queremos abrir horizontes, criar oportunidades.
A Constituição Brasileira afirma
que o jovem é obrigado a ter educação
e, mesmo assim, há muitos com revólveres
na mão desde cedo – explica Maria
José.
Bom
velhinho skatista leva o esporte às
crianças carentes
Aqui,
Papai Noel chega de shape, bermudão
e sobre quatro pequenas rodas para cerca de
40 crianças amantes do skate, mas sem
condições de comprar o equipamento
que, montado, pode custar até R$ 200.
A iniciativa comandada pela ONG Skate Solidário,
de São Bernando do Campo (SP), arrecada
peças usadas do equipamento junto a
skatistas locais. Em seguida, o material é
entregue a crianças e adolescentes
carentes.
–
Neste Natal, queremos bater a meta de 2008,
quando permitimos a mais de 40 crianças
e adolescentes melhorar o desempenho no rolê.
As peças doadas estavam em boas condições
e funcionam até hoje. Embora não
sejam equipamentos novos, são melhores
do que os que eles tinham – explica
o diretor da organização, Marcelo
Carlos de Azevedo.
No
último Natal, cerca de 35 voluntários
contribuiram para a evolução
das crianças carentes no esporte. Juntos,
doaram shapes (prancha de madeira), trucks
(espécie de eixos), rodas, rolamentos
(peças que determinam a velocidade),
parafusos, e até mesmo skates quase
completos.
Aqueles que ganham uma peça nova doam
a usada para outro iniciante. O gesto emociona
o voluntário Daniel Firnino, 23, que
ajudou a distribuir os presentes no ano passado.
–
É uma satisfação enorme
trabalhar com crianças. Se cada um
desse um poquinho de si pelo outro, a situação
do mundo seria diferente – avalia.
Além
do voluntariado natalino, a ONG também
realiza visitas em creches e escolas para
apresentar o esporte e interagir com as comunidades
ao longo do ano.
–
O projeto é uma forma de incentivar
os jovens ao estudo. A disciplina do esporte
ajuda na organização nas tarefas
do dia a dia.
Brincadeira
compartilhada entre crianças: mães
e filhos
As
comuniadades Bispo, Rodo, Matinha, Pantanal
e Sumaré, do Complexo do Turano, no
Rio Comprido (Zona Norte), recebem, há
seis anos, doações de Natal
do Jornal do Brasil. Cerca de 300 meninos
e meninas aguardam o fim do ano para receber
brinquedos e livros na antevéspera
de Natal (dia 23). O mesmo ritual se repete
em datas como Dia das Crianças e Páscoa.
–
É a forma que encontramos de interagir
com crianças e jovens, mesmo que por
um dia. Muitos deles, por mais que sejam pais
e mães, ainda são infantis.
Uma vez, entreguei uma boneca a uma menina,
e, sua mãe, adolescente ainda, quis
brincar também – conta o coordenador
do projeto social, Jaílton Ribeiro,
que escolhe os brinquedos pessoalmente.
Este
ano, ele vai apostar em diversões com
perfis mais educativos, como jogos que estimulam
o raciocínio e a criatividade, como
por exemplo, xadrez e resta-um. Em 2008, o
tema dos presentes foram as profissões.
Por isso, estetoscópios de médicos
e quadros negros de professores chegaram á
comunidade.
Armas
de plástico, dardos ou outros instrumentos
que podem incentivar a violência estão
sempre fora da lista de presentes.
–
Evitamos até o jogo de pega varetas.
Estamos oferecendo brinquedos a pessoas que
não recebem nada o ano inteiro e vivem
um cotidiano conturbado.