Câmara Municipal revela: muitos moradores são isentos do IPTU

A partir de informações da prefeitura, o RJTV constatou que uma grande parcela de moradores do Rio não paga IPTU. E eles não são sonegadores. São isentos.


Há oito dias, a Câmara Municipal do Rio de Janeiro aprovou uma nova taxa para os moradores da cidade: a da iluminação pública. A justificativa é que se gasta muito com energia nas ruas, e a conta não fechava. Teoricamente, um outro imposto deveria cobrir essa despesa: o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). Mas aí temos um outro problema.

A radiografia do IPTU mostra números surpreendentes. O Rio tem 1, 780 milhão de imóveis cadastrados na prefeitura. Mas 709 mil sequer recebem o carnê de pagamento do imposto. Dizendo de outra maneira: de cada 10 imóveis residenciais na cidade, 7 não pagam IPTU.

A isenção do pagamento de IPTU não vale apenas para casas e apartamentos. Metade das salas comerciais também não recebe a cobrança. E 92% dos terrenos do Rio não pagam o imposto.

O problema começou em 2000, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou que as prefeituras deveriam usar a mesma base de cálculo para cobrança do IPTU em toda a cidade. Na prática, isso aumentou o valor do imposto para quem pagava menos. Foi quando os vereadores decidiram criar compensações.

“Foi uma porção de emendas que os vereadores foram colocando, que parecia uma coisa muito bonita, de estar protegendo quem ganha menos, quem tem menor poder aquisitivo. Mas a gente acabou isentando imóveis de cem metros quadrados, em regiões formais. A impressão que a gente tem é que foi uma farra”, critica a vereadora Andréa Gouvêa Vieira (PSDB).

O resultado é que, hoje, em Copacabana, na Zona Sul do Rio, por exemplo, um terço dos imóveis não paga IPTU. No tradicional bairro da Tijuca, são 22% de isentos. Em Campo Grande, 89%. E Irajá é o bairro com o maior número isenções: 90% dos moradores não pagam IPTU.

Pelas contas do município, reorganizar a cobrança do imposto, respeitando as diferenças econômicas de cada região, poderia gerar mais R$ 150 milhões para a cidade. Exatamente o valor que a prefeitura diz que vai arrecadar com o novo imposto sobre a iluminação pública.

“O que nós tentamos fazer é melhorar a arrecadação, do Imposto Sobre Serviços (ISS), por exemplo. E quando se cria a contribuição da iluminação pública, tão contestada agora, vai fazer com que áreas da cidade que não pagam o IPTU ao menos paguem a contribuição da iluminação pública, que, mesmo assim, é muito menor do que pagar o IPTU”, argumenta o prefeito Eduardo Paes.

 

Fonte: rjtv.globo.com

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