Lula
diz que vai apresentar segundo PAC pensando nas
Olimpíadas
Para presidente, é preciso comprometer
dinheiro no Orçamento na União.
Ele criticou quem classifica obras em comunidades
como ‘marqueteiras’.
Daniella
Clark
Do G1, no Rio
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva
afirmou nesta quarta-feira (25) que, com a escolha
do Rio como sede das Olimpíadas de 2016,
o país tem a obrigação de
garantir políticas públicas em comunidades
carentes. Para garantir que essas obras tenham
recursos previstos no Orçamento da União,
Lula afirmou que vai apresentar um segundo Programa
de Aceleração do Crescimento (PAC)
- para 2011 e 2015.
“Agora muito mais com as Olimpíadas,
nós temos mais obrigação.
Todo PAC a gente não pensava em Olimpíadas.
Nós agora vamos apresentar um segundo PAC
2011 e 2015. Por que nós vamos apresentar
agora, se eu não vou estar mais governando
em 2011? É porque é necessário
começar a comprometer dinheiro no Orçamento
da União para que quem vier depois não
tenha pretexto para não fazer”, afirmou
Lula, durante discurso na Convenção
Mobilidade Sustentável de Renovação
Urbana, realizada em um hotel na Zona Sul do Rio.
O
presidente citou as obras do PAC em comunidades
do Rio, como o Complexo do Alemão, no subúrbio
da cidade, e reclamou que essas iniciativas costumam
ser classificadas como “marqueteiras”.
“Viadutos,
às vezes até mesmo menos importantes
destinadas a desafogar o trânsito de bairros
mais ricos, ganham luzes e tratamento de obra
de arte na imprensa. Quando o beneficiado, todavia,
é a comunidade pobre, não falta
quem acuse de marqueteira a obra pública
que vai ampliar a mobilidade urbana de milhares
e milhares de famílias nesse país”,
afirmou.
Crítica
ao estado mínimo
Em
seu discurso, Lula criticou ainda a adoção
da política de um estado mínimo
durante as décadas de 80 e 90, com a transferência
de obrigações do poder público
para a iniciativa privada.
“O
sufoco que o nosso continente sofreu durante toda
a década de 80 e a década de 90,
em que os estados adotaram como definição
filosófica, e eu diria ideológica,
de ser um estado mínimo, em que a iniciativa
privada iria resolver todos os problemas pertinentes
à sociedade, levou a que em cidades inteiras
neste país e em outros países fossem
colocados asfaltos sem que se colocasse uma manilha
para fazer a coleta de esgoto”.
Placas
para 'puxar o saco'
O
presidente criticou ainda a postura de administradores
públicos que, segundo ele, preferiam erguer
pontes e viadutos a investir em saneamento básico.
A falta de investimentos, segundo o presidente,
fará com que governos tenham que gastar
mais para reparar a infra-estrutura de estados
e municípios.
“O
que era importante nesse país era fazer
pontes e viadutos, porque ali você poderia
imprimir numa placa o nome do pai, o nome da mãe,
o nome de um parente, ou o nome de uma autoridade
que você queria puxar o saco”.
Pobres
sustentaram país na crise, diz Lula
O
presidente afirmou ainda que foi a capacidade
de consumo dos pobres que sustentou o país
no auge da crise econômica:
“É
só pegar um estado do Norte e do Nordeste,
que a gente vai descobrir que no mês de
outubro, a classe D e E do Norte e do Nordeste
consumiram 5% a mais do que a classe A e B da
região sudeste”.
Fonte:
www.g1.com.br