Fernanda
Malta, Jornal do Brasil
RIO - O Paço Imperial, na Praça
15, foi o centro das movimentações
políticas e sociais do país. Desde
o século 18, o local foi palco e testemunha
das mais importantes histórias do Brasil
Imperial. Foi lá que aconteceu o “Dia
do Fico”, a abolição da escravidão
e a proclamação da Independência
do Brasil. Agora, o monumento situado no Centro
vai virar ficção. As cenas descritas
acima farão parte do curta-metragem produzido
pela Escola Audiovisual do Cinema Nosso, Passo
no Paço. Nele, duas crianças de
11 e 12 anos vão conhecer o museu pela
primeira vez, acompanhados da monitora Verônica,
personagem interpretada pela atriz Amanda Paiva,
22 anos.
Segundo
o diretor Luis Nascimento, a ideia do filme, que
terá duração máxima
de 12 minutos, é mostrar a reação
de duas crianças que vão conhecer
o Paço pela primeira vez. O curta educativo
foi um pedido da diretoria do museu, que percebeu
que a grande maioria dos visitantes não
enxerga que as expressões do mundo atual
dialogam com as referências do passado.
– O Paço Imperial é um local
muito antigo, e por isso gera um contraste com
a modernidade. Muitos não sabem que há
arte contemporânea imersa nele. É
muita cultura em um único lugar –
afirmou.
O
filme será veiculado nas escolas da rede
pública de ensino, onde os próprios
atores mirins estudam. Bia Braga, 12 anos, é
aluna do Centro Educacional Rosa Chamma (Cerc),
na Vila da Penha, e já atuou em novelas
da Globo e peças infantis. Mas para ela,
nada se compara a vivência dentro do museu
histórico.
–
Fico impressionada em quanta gente importante
já passou por aqui, como Pedro II e Carlota
Joaquina. É demais pisar no chão
deles, ver os mesmos muros, acho que sinto até
o mesmo cheiro – emocionou-se.
Já
Max Lima, 11 anos, aluno do colégio Presidente
Kennedy, em Bangu, inspirado pela emoção,
tirou suas dúvidas sobre o local com o
segurança do Paço.
–
Perguntei para ele o que mudou desde a época
colonial e ele disse que muitos muros sequer foram
pintados novamente. Eu estou vendo a mesma coisa
que eles viam! Aqui eu me sinto quase importante
– brincou.
Os
dias 21 e 22 de dezembro, dias em que o filme
foi rodado, marcou a estreia das crianças
no museu. O filme fortaleceu o entrosamento entre
a equipe, que se conhece há menos de um
mês. A veterana Amanda ensina métodos
de concentração e respiração
aos “calouros”, durante as pausas
no set.
–
A personagem é uma arte-educadora como
eu, que também dou aula a crianças.
Aliás, esta é a primeira vez em
que contraceno com crianças. É bem
diferente da relação de aluno e
professor. Aprendo bastante, temos várias
brincadeiras entre nós, fazemos uma bagunça
depois das filmagens. Já trocamos telefone
e orkut, porque queremos voltar a trabalhar juntos
– disse a atriz formada, com licenciatura,
em teatro na UniRio.
Algumas
cenas foram produzidas em estúdio, a fim
de servir de animação. Elas convidam
o espectador a passear por séculos de história.