Secretário
faz alerta em prol dos meninos de rua
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O
secretário municipal de Assistência
Social, Fernando William, abriu o evento chamando
a atenção para a “Epidemia
Social” – definição
para ilustrar o cenário caótico
e devastador que aprisiona meninos de rua ao alto
consumo do crack no município do Rio.
Após discursar sobre os efeitos da droga
e como esses jovens se comportam, Fernando William
fez um alerta a todos envolvidos: “Se não
tomarmos providências, os meninos de rua
vão morrer em dois, quatro anos. Ou pior:
vão virar zumbis”.
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William atribuiu a circunstância atual ao passado
de conflito ideológico e político vivido
no Rio. “Lamentavelmente, o conflito ideológico
e político prejudica a vida dos usuários.
Ninguém precisa abrir mãos de seus conceitos.
Precisamos entender que a construção de
uma sociedade melhor surgirá da decisão
de estarmos mais unidos nas ações, focadas
naquilo que queremos resolver. Precisamos trabalhar para
atrair maior participação dos usuários”.
Sobre o tema do evento, William aponta que ainda há
um grau de imaturidade no comportamento das instituições
que representam a sociedade civil e até do segmento
dos usuários – no tocante à compreensão
e à fiscalização do controle social
– para que este não aconteça corporativamente.
“É preciso entender que essa integração
entre o poder público e a sociedade deve –
não no sentido de que cada um se desfaça
de seus interesses, das suas concepções
políticas ou ideológicas – avançar
priorizando as construções e as implementações
das políticas públicas sociais, dos recursos
públicos. Ainda percebemos que, muitas vezes, a
integração dessa forma não é
bem entendida. Ainda há alguns querendo participar
do conselho apenas para defender os interesses próprios
ou das suas instituições. Ainda há
muitos querendo se aparecer mais do que o outro”,
critica.
De
acordo com o secretário, a participação
popular dá ao governante maior condição
de entender o que se faz, quando se envolve a sociedade,
por se tratar de um aprendizado gerado a partir
de uma relação direta. “As decisões,
por mais bem elaboradas que venham de cima para
baixo, que são centralizadas, acabam não
criando um nível de satisfação,
quando não são debatidas, discutidas,
ampliadas. |
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Por outro lado, submeter à fiscalização
do controle social, dar ao governante uma segurança
muito maior nos seus atos, nas suas ações,
porque sabe que está sendo fiscalizado e acompanhado
por aqueles que são os maiores beneficiários
da aplicação dos recursos públicos”,
acredita.
William entende que os debates nas conferências
são importantes para consolidar a democracia, e
ainda para que todos tomem conhecimento das dificuldades
orçamentárias, administrativas e burocráticas
do governo no atendimento das demandas da população.
Embora ainda seja uma dificuldade atrair a participação
de mais usuários nesses eventos, o secretário
reforça maior presença.
“Temos que trabalhar cada vez mais para que eles
sejam o protagonista maior. São eles que sentem
o resultado final das aplicações das políticas
públicas. São eles que sabem bem se está
dando certo ou não. O papel do usuário,
a meu ver, é fundamental. Tanto é que, por
exemplo, terminamos um curso e contratamos, para fazer
acolhimentos nas ruas, um numero significativo de ex-moradores
de rua. Ninguém sabe melhor do que eles como se
comportar, abordar”.
O secretário antecipou que vai sugerir a todos
os conselheiros que convidem outros segmentos da sociedade
civil para tomar conhecimento de como funciona a burocracia
do município, no Estado, o que é orçamento,
como se deve prestar contas, e ainda explicar o porquê
de muitas vezes haver um tempo enorme entre “a intenção
e o gesto”. “Entender tudo isso é um
problema grande. Tem gente que reclama que o governo não
paga há três meses. Mas há três
meses que ele não presta conta. No passado, foi
comum as pessoas receberem e só prestarem conta
seis, sete meses depois, contrariando a legislação.
Agora estamos sendo muito rígidos. Tem que aprender
a prestar contas, para cumprir as regras exigidas pelo
Poder Público”, explica.
| Aos
conselheiros: “Tenho uma visão
que já não é de agora de que
precisamos fortalecer todas as instâncias
de participação e controle social.
Não é que eu seja a favor da democracia
direta. Mas é preciso associar a democracia
representativa à democracia direta. Todos
esses instrumentos de conferência e os conselhos
têm um papel da maior importância, para
que as pessoas compreendam melhor como funcionam
o Poder Público. E a gente não vive
sem o poder do Estado. O que fazer de melhor daqui
por diante? A capacitação é
muito importante. Eu tenho, pessoalmente, participado
das reuniões dos Conselhos da Criança
e do Adolescente e também da Assistência
Social. O que as pessoas precisam é conhecer
a realidade, e a partir daí apresentar as
propostas condizentes”. (Fernando William) |