Projeto
une comunidades, ONG´s, empresários, imprensa
e poder público para garantir os direitos da criança
e do adolescente no Rio
Por
Mario Thurler*
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O
prefeito Eduardo Paes e o governador Sérgio
Cabral participaram do lança mento da Plataforma
dos Centros Urbanos, projeto do Fundo das Nações
Unidas para a Infância (Unicef), que promove
uma articulação dos três níveis
de governo com a iniciativa privada para desenvolver
políticas públicas que garantam os
direitos da criança e do adolescente no Rio. |
Além de autoridades do Poder Público e privado,
o evento reuniu toda a imprensa, o Unicef e também
as comunidades participantes dos Grupos de Articuladores
Locais (GALs) – que desempenharão atuação
importante no desenvolvimento do projeto – no último
dia 8, no Jardim de Inverno do Palácio Guanabara,
em Laranjeiras.
Na
ocasião, o ator Lázaro Ramos foi apresentado
como o novo embaixador do Unicef no Brasil. Segundo Marie-Pierre
Poirier, que cuida da instituição no Brasil,
Lázaro foi escolhido porque conjuga o talento artístico
com as qualidades pessoais para dialogar com a sociedade
sobre o problema das desigualdades, do racismo e dos efeitos
disso para todos.
A Plataforma dos Centros Urbanos visa à mobilização
de todo o município - ONGs, lideranças comunitárias,
poder público, veículos de comunicação
– para que todos se envolvam na causa, promovendo
o acesso de meninos e meninas a serviços públicos
de qualidade e a equipamentos de lazer e cultura. O Unicef
decidiu voltar a sua atenção para as grandes
cidades, após centrar sua atuação
no semiárido nordestino e na Amazônia. A
Plataforma estabelece 30 metas comunitárias e 20
metas municipais na área de saúde, educação
e assistência social, que devem ser monitoradas
pelos agentes envolvidos no programa, e prevê ainda
a capacitação de quem trabalha na área
da infância e adolescência.
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Essas
metas dizem respeito a compromissos e ações
em prol da garantia dos direitos da crianças
e do adolescentes em risco social, especialmente
aquelas que vivem em locais de maior vulnerabilidade.
Foram criadas em várias comunidades do Rio
os GALs, com a responsabilidade de descobrir seus
potenciais, e a partir daí, através
de suas próprias mobilizações,
lutar por melhorias das condições
de vida de suas crianças e jovens. |
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Dentro desta perspectiva, o Unicef arregaçou as
mangas e foi a luta, conseguindo 95 inscrições
de comunidades interessadas em participar. Destas, foram
credenciadas 64 Grupos Articuladores Locais ( GALs), que
participarão da Plataforma dos Centros Urbanos
nos próximos três anos. É importante
ressaltar, que segundo a UNICEF, “a intenção
é que a Plataforma seja uma iniciativa de toda
a cidade. Por isso, foi construída a partir do
diálogo com diversas organizações
governamentais e da sociedade civil, e só poderá
dar certo se for implementada em parceria com todos”.
O Grupo Articulador Local tem na sua composição
dois representantes de organizações não-governamentais,
dois representantes do poder público, dois representantes
de grupos de adolescentes e dois representantes de livre
escolha da comunidade. Dentre suas atribuições
podemos destacar entre outras a mobilização
e a articulação com a comunidade, e também
a realização de fóruns comunitários
sobre os direitos das crianças e dos adolescentes.
Todas as tarefas dos GALs é orientada e coordenada
pela equipe técnica do Unicef , através
de oficinas de capacitação, que tem até
2011 para apresentar os resultados de suas articulações
e mobilizações com a finalidade de, junto
com o poder público a sociedade civil organizada,
melhorar as condições de vida das crianças
e dos adolescentes da cidade do Rio de Janeiro.
As comunidades participantes formadas e organizadas dentro
dos GALs que cumprirem as metas previstas até 2011
serão certificadas com o selo Unicef. As prefeituras
que alcançarem as metas receberão também
um certificado do Fundo. O Rio de Janeiro, ao lado de
São Paulo e Itaquaquecetuba (SP), são as
primeiras cidades brasileiras a integrarem o programa.
Para que essa transformação da comunidade
aconteça, a iniciativa se desenvolve em ciclos
de quatros anos, compreendendo duas fases. A primeira,
de mobilização, foi iniciada já em
2008 com um processo de sensibilização dos
candidatos a prefeito das cidades participantes e assinatura
de um termo de compromisso em torno de 20 metas, que vão
desde a redução da mortalidade neonatal
precoce até a redução de homicídios
entre adolescentes, passando pela melhoria dos indicadores
de educação e assistência social.
Próximos passos – Uma vez selecionadas as
comunidades, a etapa seguinte consiste na realização
de uma consulta popular - incumbência da Ação
Educativa e do Instituto Paulo Montenegro, braço
social do Ibope, em São Paulo, e do Cedaps, no
Rio - para a identificação dos problemas
locais mais latentes no que diz respeito aos direitos
das crianças e dos adolescentes, na percepção
dos próprios moradores. A partir desse diagnóstico,
serão definidas quais as prioridades da comunidade
e se formulará um plano de ação para
o enfrentamento desses problemas.
Para executá-lo, líderes e agentes comunitários
terão à disposição um cardápio
de capacitações sobre temas diversos, como
Estatuto da Criança e do Adolescente, meio ambiente,
direitos reprodutivos e sexualidade, entre outros. Esse
mapeamento das oficinas existentes na cidade e do material
pedagógico já produzido ficará a
cargo do Cenpec.
Outra ação prevista nessa etapa de mobilização
é a formação de grupos de adolescentes
comunicadores, capacitando-os para a produção
de ações e peças de comunicação,
usando vídeos, fotografia, texto, jornal, mural,
fanzine, campanhas, poesia. A segunda etapa, prevista
para o último ano do ciclo, em 2011, consiste na
avaliação das metas alcançadas e
na certificação pelo Unicef das comunidades
que mais apresentem avanços na melhoria das condições
de vida das crianças e adolescentes do bairro.
* Mario Thurler é vice-presidente da Asfunrio,
professor estadual de História e participa do Grupo
de Articulação Local (GAL) da Associação
de Moradores e Amigos de Vicente de Carvalho. Tem também
atuação no CRAs Rubens Corrêa, Fundação
São Martinho e GAL Amigos do Meio Ambiente.