COP
15 finaliza com acordo aquém das expectativas.
Tumultos,
divergências e até renúncia marcaram
a 15ª Conferência das Nações
Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 15),
na Dinamarca. Não tenho expertise no assunto, não
fui à Dinamarca cobrir a Conferência (ainda
bem, porque eu poderia sofrer um infarto de tamanha indignação),
mas qualquer um, que tenha acompanhado algumas linhas
à distância e com um mínimo de bom
senso, pode perceber que tudo terminou numa grande pizza.
A Conferência durou mais de uma semana, terminou
oficialmente no dia 19, e finalizou um “acordo”
muito aquém das expectativas. O próprio
secretário da COP 15 e da Convenção
do Clima na ONU, Yvo de Bôer, admitiu que o acordo
não alcançou o esperado.
O documento não foi finalizado com a participação
dos 192 países. A não-democracia reinou
e o resultado surgiu de um encontro entre os Estados Unidos,
Brasil, África do Sul, Índia e China. Por
isso, não foi reconhecido por representantes de
nações, como Sudão, Bolívia,
Venezuela, Nicarágua, entre outras. Então,
podemos concluir que o secretário-geral das Nações
Unidas, Ban ki-Moon, estava equivocado, quando saudou
o acordo dizendo que foi um “um começo importante”.
Ora, como pode ser importante se não conseguiu
coesão entre todos os países presentes?
O acordo polêmico ganhou a rejeição
de vários países. Tuvalu apontou que o documento
não garante a manutenção do Protocolo
de Kyoto e não prega a implantação
de programas de conservação de florestas.
Em seguida, a Venezuela e a Bolívia disseram que
o texto foi produzido por um grupo de países sem
mandato dos outros integrantes das Nações
Unidas. Consideraram “desrespeitosa” a aprovação.
Cuba avaliou que o texto não continha uma só
palavra de compromisso da parte dos países envolvidos.
A bem da verdade, tudo indica que a COP 15 virou um point;
todos queriam estar presentes para dar a entender que
estão “preocupados” com o futuro do
planeta. Se, de fato estivessem mesmo “preocupados”,
os países participantes teriam feito um enorme
esforço para entrar em acordo. A pop COP 15, infelizmente,
não promoveu e nem estabeleceu avanço nenhum.
Nada de novo surgiu para dar uma esperança aos
demais habitantes da Terra. Como mencionou um correspondente,
a COP 15 se transformou numa espécie de Woodstock.
Mais de 45 mil pessoas se inscreveram, sendo que o Bella
Center, local da Conferência, só cabiam 15
mil. Fato suficientemente capaz e gerador de tumultos
e mais tumultos na porta do Bella Center. Do lado de fora,
sob neve de um frio de – 1ºC, milhares de pessoas
queriam participar e protestos forçaram a detenção
de mais de 400 pessoas.
A pressão foi tanta entre os negociadores que Connie
Hedegaard, presidente da cúpula da ONU, renunciou
ao cargo, na tentativa de apressar as negociações,
na verdade uma atitude política. A mesquinharia
pairou entre as negociações. Todos os países
queriam saber quem pagaria a conta para desacelerar o
aquecimento global. O presidente Lula se indignou com
as negociações e pediu mais ousadia de seus
colegas, aconselhando que não se preocupassem apenas
com o dinheiro, e defendeu a manutenção
das metas do Tratado de Kyoto.
Lula aproveitou para reiterar as metas de combate ao aquecimento
global, propostas pelo Brasil até 2020, e disse
que o país aguarda reduzir as emissões de
gases do efeito estufa entre 36,1% e 38,9%. Assumiu também
o compromisso de reduzir o desmatamento da Amazônia
em 80% até 2020. Segundo ele, esse compromisso
força a construção de uma engenharia
econômica que obrigará um país em
desenvolvimento com muitas dificuldades econômicas
a gastar, até 2020, US$ 166 bilhões.
Fora o turbilhão de acontecimentos em COP 15, há
rumores de especialistas, como o metereologista da Universidade
Federal de Alagoas Luiz Carlos Molion, que acreditam que
a problemática do aquecimento global é só
uma questão política. Para Molion, que possui
40 anos de experiência em estudos do clima no planeta,
o homem e suas emissões de gás carbônico
na atmosfera são incapazes de causar aquecimento
global. Ele também diz que há manipulação
dos dados da temperatura terrestre e garante: a Terra
vai esfriar nos próximos 22 anos.
Reagiu, ironicamente, quando foi questionado sobre sua
participação na COP 15. “Perder meu
tempo?”, respondeu ele, afirmando que o Brasil,
dentre os países emergentes, é o único
que dá importância à conferência
da ONU. Molion acredita que a discussão deixou
de ser científica para se tornar política
e econômica, e que as potências mundiais estariam
preocupadas em frear a evolução dos países
em desenvolvimento.
Enfim, diante de todos esses fatos, o que nós,
meros habitantes e expectadores, podemos concluir? Bem,
para não enlouquecer, prefiro comer uma pizza,
em homenagem às discussões e ao acordo da
COP 15. E, claro, continuar fazendo a minha parte, procurando
favorecer o meio ambiente, sem poluir as águas,
me preocupando com a reciclagem do lixo, não jogando
nada na atmosfera para não poluir a natureza e
tudo mais.