Conferência
em Brasília reúne novos conhecimentos para
formar plano nacional de segurança pública.
Pacto no combate à violência
A mídia pode contribuir para ajudar no combate à
violência e na consolidação da democracia
do país? Sim, pode. Esse foi o objetivo do Seminário
Temático Mídia e Segurança Pública,
realizado pelo Ministério da Justiça em parceria
com o Viva Rio e o Instituto São Paulo contra a Violência,
ocorrido, no dia 27 de maio, em Brasília, que reuniu
jornalistas, pesquisadores, estudantes e representantes
de organizações civis e governamentais para
debater o papel dos meios de comunicação na
área. A Asfunrio foi uma das associações
convidadas para fazer parte do seminário, que serviu
de partida rumo à realização da 1ª
Conferência Nacional de Segurança Pública
(Conseg), marcada para os dias 27 a 30 de agosto, também
em Brasília. A principal meta dessa conferência
é mobilizar todos os segmentos da população,
a fim de definir as linhas gerais para uma política
nacional de segurança pública. Entre elas,
a consolidação de mecanismos de participação
social no âmbito do Sistema Único de Segurança
Pública (SUSP).
Convocada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva
em dezembro de 2008, a 1ª Conseg inclui etapas municipais
(de março a maio) e estaduais (em junho e julho).
Todos podem participar e existem formas alternativas de
contribuir, como concurso de monografia, festival de música,
mostra de vídeo, cursos de capacitação
e conferências livres. As propostas definidas nas
conferências destes municípios irão
compor o caderno de diretrizes a ser votado na etapa nacional
da 1ª Conseg, marcada para 27 a 30 de agosto, em Brasília.
Além disso, cada município elegerá
os dois representantes (um da sociedade civil e um do poder
público) que terão direito à voz e
voto durante a Conferência Nacional.
Participam dos eventos membros de organizações
civis, do poder público e trabalhadores da segurança.
Os debates terão como ponto de partida o Texto-base
elaborado pelo Ministério da Justiça para
nortear as discussões da 1ª Conseg. Serão
abordadas questões como valorização
profissional, combate ao crime e controle social de políticas
públicas do setor. O resultado do evento será
sistematizado em uma publicação – Caderno
Temático Mídia e Segurança Pública
– e seu conteúdo servirá de subsídio
para as discussões que ocorrerão na etapa
nacional da 1ª Conseg, em agosto.
De acordo com o ministro da Justiça, Tarso Genro,
falta um debate mais concreto, com o posicionamento de especialistas,
das comunidades que sofrem com a violência. “Não
vejo um tratamento com profundidade sobre o que estados,
municípios e União têm feito em defesa
do cidadão”. Segundo o ministro, a atual cobertura
sobre o assunto é boa, mas fragmentada. “São
reportados os fatos violentos, que a população
tem o direito de saber, mas não existem matérias
paralelas sobre como solucioná-los”, defendeu.
“Há uma disputa de mercado pela espetaculosidade
e não pela qualidade da informação.
É preciso um pacto entre ela e as autoridades, para
darmos solidez ao projeto democrático no país”,
declarou o ministro Tarso Genro.
Tarso destacou o Programa Nacional de Segurança Pública
com Cidadania (Pronasci), que desde 2007 articula ações
sociais com políticas preventivas e de repressão
contra a violência. Nas comunidades em que está
instalado o “Território de Paz”, como
Santo Amaro, em Recife (PE) e o Complexo do Alemão,
no Rio de Janeiro, os moradores já perceberam uma
diferença na redução dos crimes - conforme
recente pesquisa da Fundação Getúlio
Vargas (FGV).
Seminário - O seminário foi aberto às
9h30 pelo ministro da Justiça, Tarso Genro. Pela
manhã, o painel discutiu o tema “Mídia
e segurança pública: diagnósticos e
desafios dos meios de comunicação”.
Participaram a presidente da Empresa Brasil de Comunicação
(EBC), Tereza Cruvinel, a pesquisadora do Centro de Estudos
de Segurança e Cidadania, Silvia Ramos, e o representante
da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Ricardo
Stefanelli. O debate foi mediado pelo jornalista Fernando
Molica, do jornal O Dia.
À tarde, a discussão ficou entorno das “Propostas
e diretrizes para a atuação da mídia
num novo paradigma de Segurança Pública”.
Mediado pelo jornalista Aziz Filho, da TV Brasil, o debate
teve a participação da presidente da Associação
Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Angelina
Nunes, e dos pesquisadores Paulo Vaz (Universidade Federal
do Rio de Janeiro) e Suzana Varjão (Fórum
Comunitário de Combate à Violência).
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