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A luta tem que continuar

As mulheres já conquistaram muitos avanços em toda parte do mundo,mas ainda há uma sub-representação delas nos espaços de poder e decisão

No mês em que se comemora o Dia Internacional da Mulher vale a pena a destacar que, embora as mulheres tenham conquistado o direito de voto e hoje representam maioria no eleitorado brasileiro (51,53%), ainda há no país um quadro de sub-representação delas nos espaços de poder e decisão. A legislação que garante às mulheres participação de 30% nas listas de candidatos dos partidos políticos é conhecida por apenas 24% dos brasileiros. Foi o que apontou uma pesquisa realizada com apoio da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres pelo Instituto Ibope/ Instituto Patrícia Galvão/ Cultura Data.

Segundo a secretaria, o Brasil conta hoje com apenas 8,9% de mulheres no Congresso Nacional, cerca de 12% nas assembléias legislativas e 12% nas câmaras municipais. Segundo a União Interparlamentar (UIP), organização internacional com sede em Genebra (Suíça), o Brasil ocupa a 141° posição em um ranking que avalia a presença das mulheres nos parlamentos em 188 países. No contexto da América Latina, o Brasil só fica à frente da Colômbia.

Com isso, há a necessidade de adoção de um conjunto de ações estruturais, permanentes e eficazes, repassando informações, estimulando a discussão, a reflexão e o debate sobre a participação das mulheres nos diversos espaços da sociedade, especialmente no espaço da política pública.

Para Patrícia Rangel, cientista política do CFemea, Centro Feminista de Estudo e Assessoria, a baixa presença feminina, principalmente nas secretarias da região Centro-Oeste é bem simples de entender: “a marginalização feminina no âmbito da esfera pública é generalizada e é observada no Executivo, no Legislativo e no Judiciário em nível municipal, estadual e federal”, enfatizou.

Quanto à grande atuação de mulheres em áreas de temas sociais, que no Centro-Oeste chega a mais de 80%, deixa bem claro que “as mulheres trabalham majoritariamente em matérias relacionadas aos interesses e direitos da cidadania feminina e em projetos de propostas mais gerais, sendo observada uma divisão clara estabelecida por filiação e alianças políticas”. Afirma que “a área social, menos prestigiada, é empurrada” para as mulheres, atrizes políticas menos valorizadas”, cabendo aos homens manejar as áreas consideradas importantes, como economia, indústria, defesa...”. A educação é o embasamento para a quebra de preconceitos culturais contra a mulher e o começo para pensamentos e possibilidades de escolhas mais conscientes.

Poder feminino no Brasil
Entre as super poderosas do governo brasileiro, Dilma Rousseff dirige o mais importante dos ministérios. Ela assumiu a Casa Civil depois que José Dirceu deixou o cargo no caso mensalão. Dilma é hoje um dos nomes mais cotados para disputar a presidência em 2010. Junto com ela, as mulheres também são representadas pela ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e por Marta Suplicy, ex-prefeita de São Paulo. Nas últimas eleições presidenciais (2006), Heloisa Helena mostrou o quanto às mulheres vêm tomando conta do cenário político ao tornar-se a primeira candidata do sexo feminino para presidente da República no Brasil. Esse fenômeno é consequência de uma tendência global formada por uma nova geração de mulheres, que, aos poucos, e com mais representatividade, estão alcançando patamares relevantes e de igualdade em relação aos políticos homens.

Poderosas e internacionais - Na Alemanha, Ângela Merkel foi a primeira chanceler do sexo feminino a chefiar o governo do país, além de ser eleita, pela segunda vez, como a mulher mais poderosa do mundo pela revista Forbes. Entre as primeiras a calcarem o degrau mais alto da política latino-americana, Michelle Bachelet conquistou a presidência do Chile. Tão importante quanto para a luta pelo espaço feminino no mundo político, a francesa Ségolène Royal recentemente esteve perto de conquistar presidência da França, mas acabou perdendo as eleições no segundo turno para Nicolas Sarkozy.

Hillary Clinton, senadora americana pelo estado de Nova York, foi uma forte candidata na disputa pela Casa Branca no ano passado. Entre as britânicas, pouco antes do liberal Tony Blair, a conservadora Margareth Thatcher abriu caminho ao ser eleita primeira-ministra da Inglaterra. Conhecida como a “Dama de Ferro”, foi líder do Partido Conservador e exerceu o cargo de 1979 a junho de 1990, consagrando-se como uma das políticas mais poderosas do mundo.


História
No dia 8 de março do ano que vem, o Dia Internacional da Mulher completará um século de existência e de avanços. A instituição desta data está intimamente ligado aos movimentos feministas que buscavam mais dignidade para as mulheres e sociedades mais justas e igualitárias. É a partir da Revolução Industrial, em 1789, que estas reivindicações tomam maior vulto com a exigência de melhores condições de trabalho, acesso à cultura e igualdade entre os sexos. As operárias desta época eram submetidas à jornadas de 12 horas de trabalho diárias, e ainda a espancamentos e ameaças sexuais.

Dentro deste contexto, 129 tecelãs da fábrica de tecidos Cotton, de Nova Iorque, decidiram paralisar seus trabalhos, reivindicando o direito à jornada de 10 horas. Era 8 de março de 1857, data da primeira greve norte-americana conduzida somente por mulheres. A polícia reprimiu violentamente a manifestação fazendo com que as operárias refugiassem-se dentro da fábrica. Os donos da empresa, junto com os policiais, trancaram-nas no local e atearam fogo, matando carbonizadas todas as tecelãs.

Em 1910, durante a II Conferência Internacional de Mulheres, realizada na Dinamarca, foi proposto que o dia 8 de março fosse declarado Dia Internacional da Mulher em homenagem às operárias de Nova Iorque. A partir de então esta data começou a ser comemorada no mundo inteiro como homenagem às mulheres. Este dia também celebra os feitos econômicos, políticos e sociais alcançado pela mulher.

Existem outros acontecimentos que, certamente, inspiraram a data como o incêndio na fábrica Triangle Shirtwaist, que aconteceu em Nova Iorque, em 25 de março de 1911, onde morreram 146 trabalhadoras. Segundo esta versão, 129 trabalhadoras durante um protesto teriam sido trancadas e queimadas vivas. O incêndio continua até hoje como o pior da história de Nova Iorque.

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