| Opportunity
terá de indenizar juíza em R$ 200 mil
A
6ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça
do Rio julgou nesta quarta-feira, dia 20, dois recursos
em processo envolvendo o Grupo Opportunity, do banqueiro
Daniel Dantas, e a juíza da 2ª Vara Empresarial
da Capital, Márcia Cunha. Os desembargadores não
só julgaram improcedente a apelação
da empresa, que pretendia reformar a sentença de
primeira instância que a havia condenado a indenizar
a juíza em R$ 100 mil, por danos morais, como elevaram
o valor da verba indenizatória para R$ 200 mil.
A
perseguição à juíza teve início
depois que ela proferiu uma decisão contrária
aos interesses do banco de Daniel Dantas, que buscava o
controle do grupo Brasil Telecom, empresa de telecomunicações
surgida com a privatização da antiga Telebrás.
A
partir daí, segundo os desembargadores, Márcia
sofreu uma série de ataques pessoais como forma de
retaliação. Acusações de que
a decisão não teria sido exarada por ela,
insinuações que a juíza teria se corrompido
para favorecer uma das partes, e até a notícia
de que Márcia teria simulado uma separação
judicial para fugir do fisco foram alguns dos argumentos
utilizados pelos advogados do Opportunity para convencer
os componentes da 6ª Câmara Cível.
Porém,
os magistrados entenderam que houve, na verdade, um abuso
de direito de petição - o direito de invocar
a atenção do Poder Público sobre uma
situação -, na medida em que a magistrada
teve sua honra e dignidade atingidas. "O que se extrai
dos autos é que, alegando o exercício regular
do direito de petição, o réu empreendeu
uma verdadeira caçada contra a autora. Feriu-lhe,
quase letalmente, sua dignidade", escreveu o relator
do processo, desembargador Gilberto Rêgo, na decisão.
Além
disso, a empresa buscou atingir a magistrada apresentando
reclamação no Conselho da Magistratura do
TJ, alegando o seu impedimento. "O réu passou
a propagar como verdadeiras questões que jamais foram
reconhecidas pelo Conselho da Magistratura desse Egrégio
Tribunal, que limitou-se, apenas, a declinar de sua competência
para o Órgão Especial", esclareceu o
relator. Já no Órgão, por maioria,
a representação foi arquivada.
Ainda
de acordo com o desembargador Gilberto Rêgo, ficou
claro, após a análise dos autos, que o verdadeiro
objetivo do Opportunity era tirar, a qualquer custo, a magistrada
da instrução e julgamento de um processo que
envolve cifras bilionárias. "A real intenção
do réu não era a preservação
de princípios do direito, mas sim, criar uma nuvem
de fumaça para desvirtuar as atenções
do caso em julgamento e concentrá-las na pessoa da
julgadora, atacando a sua honra, com reflexos na própria
Magistratura", finalizou. |