SMAS
avança no comprometimento de servir à população
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Em
um ano e meio de governo, a Secretaria Municipal
de Assistência Social (SMAS) tem conseguido
dar grandes avanços em prol do bem-estar
de crianças e adolescentes em condição
de vulnerabilidade, principalmente para os que tiveram
suas vidas atropeladas pelas drogas e pela prostituição,
e em favor de idosos e de famílias desabrigadas.
Após
as fortes chuvas que assolaram o Estado do Rio,
no início de abril deste ano, a SMAS agiu
rápido, colocou seus equipamentos à
disposição, mobilizou a sociedade
civil e ainda buscou a união, atuando conjuntamente
com as demais secretarias da Prefeitura do Rio.
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Além da dedicação dos serviços,
a secretaria já conseguiu abrir quatro unidades de
tratamento, com regime de internação para
jovens e mulheres envolvidos com drogas, sobretudo o crack.
Ampliou o número de vagas nos atendimentos de seus
equipamentos. Fundou uma das unidades mais importantes para
que jovens consigam buscar refúgio, em um local digno,
decente, com conforto, e para que consigam sentir desejo
de se livrarem das drogas, sem nenhum tipo de tortura, prezando
apenas o livre arbítrio. Esta é a missão
da Embaixada da Liberdade.
Durante encontro com o Jornal da Asfunrio, o secretário
municipal de Assistência Social, Fernando William,
relembrou o atendimento que a SMAS prestou às famílias
desalojadas pela chuva, que matou quase 200 pessoas, em
abril deste ano. Ele deu sua opinião sobre a questão
da habitação em áreas de risco, chamando,
inclusive, algumas urbanizações de “inurbanizáveis”.
E fala também sobre o combate às cracolândias.
JORNAL
DA ASFUNRIO – Três meses após as fortes
chuvas que espalharam tragédias pela cidade e desabrigaram
inúmeras famílias, como o senhor avalia as
ações que foram feitas pela SMAS à
época?
FERNANDO WILLIAM
– O papel da secretaria foi, sem dúvida, fundamental
e reconhecido por todos, principalmente pelo prefeito. Nós
mobilizamos todos os nossos equipamentos. Fomos os primeiros
a chegar nos locais mais atingidos, a fim de prestar socorro.
Centenas de famílias foram abrigadas, em parceria
com a Secretaria de Habitação, através
do aluguel social, indenizações de benfeitorias,
e, em alguns casos, com ofertas de moradia do programa “Minha
Casa, Minha Vida”, como aconteceu no Morrro do Urubu.
Todas as pessoas assistidas foram cadastradas e auxiliadas
pelas muitas doações que recebemos.
Aliás, o Rio de Janeiro revelou o seu espírito
solidário de uma forma que emocionou a todos nós.
Aqui, na Prefeitura, recebemos de tudo em muita quantidade;
roupas, água mineral, alimento, roupa de cama e banho,
calçados, material de higiene pessoal. Compramos
colchonetes para doar porque não recebemos muitas
doações deste item. Hoje, após tudo
que houve, o problema maior é convencer as famílias
a sair das áreas de risco. São pessoas que
moram há anos nesses lugares e que gastaram bastante
para construírem suas casas. Moram próximo
do Centro, como é o caso do Morro dos Prazeres, em
Santa Tereza. Então, quando se oferece uma alternativa,
mesmo próxima de onde moram, elas têm dúvidas
porque pesam que não é uma solução
imediata. Elas têm dúvidas se vão receber
a locação social e se vão continuar
recebendo depois ou não.
A Secretaria de Assistência Social conseguiu
parcerias importante?
Fizemos muitas parcerias. Empresas fizeram doações
de toda ordem. Uma delas, a Hi Happy, que produz brinquedos,
fez uma coisa fantástica. Os funcionários
da empresa têm direito ao 14º salário
de produção. Eles fizeram um encontro e os
funcionários concordaram doar 10% desse salário
extra para comprar imóveis, na região da Fazenda
Botafogo, em Barros Filho. Eles compraram os imóveis
e nos repasaram para doar às famílias desabrigadas.
Se cada empresa forte no mercado fizesse esse tipo de doação,
a questão do desabrigamento seria resolvida mais
rapidamente. Houve também casos de empresas que nos
procuraram para saber o que mais estávamos precisando
para doar, assim fizeram compras direcionadas.
Como
se deu a ação da secretaria para apoiar essas
famílias?
Sobre a doação de imóveis, escolhemos
as famílias dentro de um critério. Foram famílias
que perderam integralmente suas casas, que nos procuraram
para buscar uma solução. Uma decisão
nossa foi acompanhar as famílias que receberam habitação.
A nossa ideia não foi entregar um apartamento e pronto.
Nossa proposta futura, para quem compra ou ganha um imóvel
num conjunto habitacional, é juntar habitação,
assistência social, educação, saúde,
trabalho, ou seja, os órgãos de governo, para
desenvolver ações sociais, por exemplo, baseadas
em indicadores. Quais são os indicadores sociais
dessas famílias? Qual é o grau de escolaridade?
Qual é o grau de evasão escolar? Qual é
o grau de gravidez precoce? Pegar vários indicadores,
inclusive de violência na família, para acompanhá-las
regularmente, para junto com elas estabelecer metas para
melhorar esses indicadores sociais.
Os
indicadores do governo federal não são suficientes?
Não há condição do governo implementar
esses índices em larga escala. O mais eficaz é
fazer em pequenos grupos, trabalhar com o índice
de desenvolvimento das famílias, que leva em conta
esse conjunto de fatores. Já iniciamos um trabalho
de filmagem com a Multi Rio, registrando a chegada dessas
famílias às casas doadas. Daqui a um ano,
vamos fazer uma avaliação visual dessas famílias.
Queremos saber como foi a vida delas depois do recebimento
das moradias. Suas vivências e como foram os processos
de inserção no local.
Mas o problema de habitação é antigo.
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Durante
muito tempo, governos tentaram resolver o problema
habitacional não construindo novas habitações,
mas regularizando áreas informais de ocupação.
Como faltavam recursos, urbanizavam o que já
estava bagunçado. Essa solução
foi errada. Todas as comunidades que foram afetadas
por tragédias, quase todas foram urbanizadas.
O investimento em áreas degradadas é
um problema. As pessoas continuam morando mal, em
locais de difícil acesso, insalubres. Esses
ambientes justificam a violência. |
Estamos
procurando fazer o que se faz na China hoje, por exemplo.
Pegam as pessoas que moram em áreas degradadas e
as transferem para locais seguros temporariamente. Derrubam
tudo e constroem tudo novamente, com espaços dignos,
para depois trazerem as pessoas de volta. Vou pegar um exemplo
que eu sei que é polêmico, a Rocinha. Acho
a Rocinha inurbanizada. Toda vez que se fala em reassentamento
de famílias na Rocinha, sempre tem alguém
que diz que o objetivo é retirar pobre do lugar de
rico.
Qual seria a sua proposta?
Eu proporia, por exemplo, que se encontrasse uma área
perto, que poderia ser na entrada da Rocinha. Demole todas
as habitações lá em cima, e remanejaria
as famílias para baixo, em habitações
com saneamento básico, casas individualizadas e decentes,
tudo digno. A Prefeitura está comprando mesmo essa
ideia. Ao invés de estar urbanizando o inurbanizável,
deveria gastar com construções novas de qualidade.
A dificuldade não será encontrar esses
espaços?
Vamos pegar o exemplo do Morro dos Prazeres. Tem o local
onde foi o presídio da Frei Caneca. Dá para
trazer todo mundo da área de risco para ali e ainda
sobra espaço. O prefeito comprou o espaço
que agora está sendo chamado de Bairro Carioca, onde
foi a Light, na Triagem, a 10 minutos do Centro. Vai ser
um local bem interessante para viver, até espaço
gourmet foi planejado. Nossa proposta é aproveitar
bem os recursos federais para construir habitações
dignas, decentes.
Sobre
as cracolândias, quais são as novas ações
da secretaria para o combate?
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A
questão do crack é uma questão
que envolve a Secretaria de Assistência Social,
mas nós não somos os principais atores.
É um problema que começa com a miséria,
que envolve violência, saúde, educação.
Em um ano e meio de governo, criamos quatro unidades
de tratamento, com regime de internação.
Três para meninos e meninas abaixo de 18 anos
e um para mulheres. Isso não havia no Rio de
Janeiro e nem em nenhuma outra capital, porque é
muito caro. |
Nós temos quatro, e de qualidade. Criamos a Embaixada
da Liberdade, um espaço onde trazemos a garotada
envolvida com o crack, oferecemos condições
de higiene, de alimentação, de dormir, jogos,
televisão, oportunidade para cortar cabelo. Tudo
para que esses jovens não fiquem abandonados e acabem
se prostituindo, ou se envolvendo com drogas. Só
que o mais interessante é que eles não são
obrigados a irem para esse local, para que não criem
resistência. Deixamos eles à vontade, justamente
para que se interessem em voltar e continuar. Assim, acreditamos
que vão se afastar do crack, sendo convencidos a
passar pelo tratamento.
E eles têm aceitado o tratamento?
Nesse sistema, temos conseguido enviar um menino por dia
para tratamento. Tem gente que acha que tem que pegar a
força e levar para tratar. Isso não existe.
Primeiro que há lei que não permite que a
gente pegue um menino e o enjaule. Já tentaram, mas
não conseguem. O garoto foge pela frecha da janela,
além de quebrar o abrigo inteiro. Isso, definitivamente,
não dá e nunca deu certo. A drogadição
é um processo que tem começo, meio e fim.
A Embaixada da Liberdade está tendo resultados interessantes.
Temos feito a nossa parte. Recentemente, criamos um abrigo
para 40 meninos, na Zona Oeste. Estamos reformando e criando
novos abrigamentos. Nosso pessoal só pode entrar
em lugares com tráfico de drogas com a garantia de
que vão conseguir trabalhar sem manifestação
de agressão contra os técnicos.
Para o senhor, qual é o maior desafio hoje para combater
e erradicar as cracolândias?
Bem, por exemplo, havia uma cracolândia horrorosa
na Sá Ferreira, em Copacabana. Houve uma ação
integrada entre as secretarias de Assistência Social
e Saúde, para acolher os meninos que ficavam por
ali. Alguns foram buscar outros locais e outros aceitaram
o tratamento. Objetivamente, a cracolândia da Sá
Ferreira desapareceu. A cracolândia que existia na
Barão da Torre, com a ocupação da UPP
(Unidade de Polícia Pacificadora), deixou de existir.
Então, a ocupação do serviços
públicos, a hegemonia do Estado, é isso que
ajuda a dar fim às cracolândias.
A SMAS recebe denúncias de existências
de cracolândias?
A Secretaria de Assistência Social está aberta
para receber denúncias de cracolândias. É
só ligar para 3973-3800. Hoje todas as favelas, com
raríssimas exceções, resolveram vender
o crack. Estamos ampliando a nossa capacidade de atendimento.
Mas, se não houver um combate na origem do consumo,
na venda do tráfico, não há equipamento
público capaz de suportar.
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