Ficha
Limpa atinge nomes expressivos da política nacional
Lista de políticos que deve ficar fora das
próximas eleições vai de Romário
a José Dirceu, passando por Roberto Jefferson e
Arruda
A
validação da Lei da Ficha Limpa pelo Supremo
Tribunal Federal (STF), na noite de ontem, levantou um
arame farpado que deve manter alguns dos principais nomes
da política nacional afastados das urnas por um
bom tempo.
A
lista é ampla, geral e irrestrita. Pega desde parlamentares
envolvidos no mensalão do PT, que veio à
tona em 2005, ao mensalão do DEM, revelado pelo
iG em 2009. Vai do ex-ministro José Dirceu (PT-SP)
aos ex-governadores José Roberto Arruda (sem partido)
e Joaquim Roriz (PSC-DF).
Nem
mesmo o deputado federal em primeiro mandato e tetracampeão
mundial com a seleção canarinho, Romário
de Souza Faria (PSB-RJ), bem como um número não
contabilizado pela Justiça Eleitoral de políticos
atingidos por todo tipo de denúncias, devem escapar
à norma.
A
decisão do Supremo torna inelegíveis por
oito anos políticos cassados, que renunciaram ao
mandato para fugir de processo de cassação
e os condenados por órgão colegiado, independente
de o caso ter ou não sido julgado em última
instância.
Os
casos de cassação e renúncia atingem
principalmente parlamentares envolvidos em episódios
que ficaram conhecidos como “mensalão”.
Em 2005, o rótulo foi originalmente atribuído
ao escândalo que marcou a maior crise política
do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da
Silva, que consistia na denúncia de pagamento de
mesada a congressistas em troca de apoio a projetos de
interesse do governo federal.
Com
repercussões no Palácio do Planalto, na
Esplanada dos Ministérios e no Congresso, a crise
levou à queda do ex-ministro da Casa Civil, José
Dirceu, então braço-direito de Lula, assim
como de toda cúpula do Partido dos Trabalhadores
na época. De volta à Câmara, Dirceu
teve seu mandato cassado pelos colegas.
Desde
então, o ex-ministro, apontado pelo Ministério
Público (MP) como o "chefe da quadrilha",
tem se empenhado em retornar à política.
Dirceu participa de eventos do PT e busca “anistia”
das acusações em processo em curso no STF,
onde é réu junto com outros 35 “mensaleiros”.
Ao todo, o MP denunciou 22 por crime de formação
de quadrilha. O caso deve ser analisado este ano pelo
Supremo.
iG
antecipou principais momentos do escândalo no DF
O
rol de réus do mensalão inclui ainda o ex-deputado
Roberto Jefferson (PTB-RJ). Autor das denúncias,
Jefferson foi o primeiro parlamentar a ter o mandato cassado.
Embora afastado da vida pública, o presidente do
PTB ainda atua nos bastidores, inclusive na articulação
de uma aliança da sigla em torno da candidatura
do deputado Gabriel Chalita (PMDB-SP) à prefeitura
de São Paulo, contra os interesses do PT.
A
crise do mensalão resultou também na renúncia
do então presidente do PL, deputado Valdemar Costa
Neto (SP). Na ocasião, o parlamentar assumiu na
tribuna da Câmara ter recebido dinheiro não
contabilizado do PT para custear despesas de campanha
em 2002. Apesar da renúncia, Costa Neto voltou
a ser eleito para mandato na Câmara e hoje é
um dos nomes com mais força dentro do PR.
Alguns
deputados acusados de envolvimento no mensalão,
no entanto, se recusaram a renunciar ao posto e tampouco
foram cassados. É o caso de João Paulo Cunha
(PT-SP), que até o início do ano presidiu
a Comissão de Constituição e Justiça,
uma das principais da Casa, e de Sandro Mabel (GO), que
na época estava no PL e hoje se assentou no PMDB.
Arruda
almejava a Câmara em 2014
Esquema
simétrico ao montado pelo PT foi revelado pelo
iG em 2009, só que neste caso o pagamento de mesadas
a políticos teria sido orquestrado pelo DEM, sigla
do ex-governador do Distrito Federal José Roberto
Arruda, que atualmente está sem partido. Acusado
de operar o esquema de corrupção na capital,
ele foi preso há dois anos e renunciou ao posto
em 2010 para não sofrer processo de impeachment.
Em
2001, Arruda já havia renunciado ao mandato de
senador por violação de sigilo do painel
eletrônico da Casa, para escapar de um processo
por quebra de decoro parlamentar. Conforme o iG noticiou,
o ex-governador já confidenciava a interlocutores
seus planos de retornar à vida pública pela
Câmara Federal, em 2014.
Roriz
também foi abatido pela Lei da Ficha Limpa
Outro
expoente da política abatido em pleno voo pela
Ficha Limpa é o ex-governador Joaquim Roriz (PSC-DF).
Roriz, que renunciou ao mandato de senador em 2007 para
fugir de processo de cassação, planejava
disputar a eleição de 2014 para o governo
do Distrito Federal.
Ele
chegou a se candidatar na última eleição,
mas na reta final abandonou o posto em favor da esposa,
Weslian, com receio da aplicação da Ficha
Limpa. Após o julgamento do Supremo Tribunal Federal,
Roriz divulgou uma nota em que diz que respeita a validação
da lei pelo Supremo, mas classifica a norma de “violentadora”.
Outro
que pode ficar de fora de futuras eleições
por causa da Ficha Limpa é o deputado federal em
primeiro mandato Romário. O nome do ex-camisa 11
da Seleção brasileira era cogitado, até
o fim do ano passado, para disputar a prefeitura do Rio
de Janeiro contra o prefeito Eduardo Paes, candidato à
reeleição.
Porém,
o ex-jogador de futebol tem contra sua candidatura uma
condenação por sonegação fiscal
pela 2ª Turma Especializada do Tribunal Regional
Federal do Rio de Janeiro (TRF-2), em 2009. Romário
recorreu da decisão e o caso está em análise
no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A
lei deve barrar também o ex-presidente da Câmara
Severino Cavalcanti (PP-PE), que renunciou ao mandato
de deputado federal em 2005, acusado de receber propina
para permitir o funcionamento do restaurante na Casa.
Atualmente prefeito de João Alfredo, em Pernambuco,
ele tentaria a reeleição este ano.
Fonte:
www.ig.com.br