Eleitores
estreantes querem melhoras na saúde, educação
e transporte.
Decepção com os governantes, corrupção
e a falta de interesse da população também
são pontos comuns entre os jovens de 16 e 17 anos
que vão votar pela primeira vez em 2012
Por:
Emílio Franco Jr, especial para o iG
Em
outubro, quase 140 milhões de brasileiros devem
ir às urnas escolher os prefeitos e vereadores
de suas cidades. Desse total, aproximadamente 2,5 milhões,
de acordo com dados atualizados em abril pelo TSE (Tribunal
Superior Eleitoral), vão votar por livre e espontânea
vontade. São jovens de 16 e 17 anos que, mesmo
sem obrigação, optaram por participar do
processo democrático.
O
estudante curitibano Lucas Zantut, de 16 anos,
se prepara para sua primeira eleição. Ele
conta que resolveu tirar o título para exercer
o direito que lhe é dado pela democracia, mas é
cético quanto ao poder individual do voto. “Não
acredito que sozinho seja capaz de mudar o local onde
vivo, mas a consciência de ter feito minha parte
é o mais importante”, acredita.
Letícia
Ghiggino, de 17, critica esse tipo de pensamento.
“Se todos tiverem essa mentalidade, de que o voto
não fará a diferença, nunca teremos
pessoas competentes”, afirma, apesar de acreditar
ser difícil mudar a realidade.
A
visão de Guilherme Domingos Cardoso, de
17 anos, é pouco mais positiva. Ele acredita
que o voto pode transformar as cidades. “Nós
elegemos nossos representantes e suas propostas e após
a eleição é nosso dever fiscalizar
o cumprimento das promessas”, afirma o morador de
Santo André, em São Paulo, que resolveu
tirar o título para ter seus interesses representados
e também fiscalizar os políticos.
Letícia
mora em São Paulo e sabe exatamente o que quer
dos políticos. “Eu espero que melhorem a
cidade, mas está difícil achar alguém
competente o suficiente para fazer as mudanças
necessárias”, diz sem esconder seu desânimo
antes de assumir: “não tenho confiança
nos políticos”.
Ao
dar sua visão sobre o tema, Guilherme não
ataca só os políticos, mas também
a população. Ele elege o desinteresse dos
brasileiros como o maior mal da política e acredita
haver predominância de representantes dos interesses
de instituições financeiras no governo,
o que ele enxerga como algo negativo. “Para mim,
grande parte é somente porta-voz de empresas e
bancos”, lamenta.
Lucas
concorda que a população deveria pensar
melhor na hora de comparecer às urnas. “O
maior culpado, além dos políticos, é
o povo, que os elege”, acredita. “O Brasil
é governado por fazendeiros há anos e ninguém
faz nada”, revolta-se ao mesmo tempo em que escancara
sua indignação com a aprovação
do código florestal, que pode ser vetado pela presidenta
Dilma dentro de dias.
Tem
quem diga que criticar é fácil, difícil
é fazer. Então, se o poder estivesse nas
mãos desses jovens, quais seriam suas prioridades?
Todos os entrevistados citam educação e
saúde como as grandes urgências.
Guilherme
e Letícia, por morarem em São Paulo e entorno,
ainda lembram o transporte como outro grande problema
a ser resolvido. A cidade tem registrado recordes de lentidão
nas ruas mesmo com políticas restritivas à
circulação de carros e caminhões,
além disso os trens, que ligam a capital aos munícipios
limítrofes, não escapam das panes e da superlotação.
Mas
outro grande mal não foi esquecido. Na esteira
da CPI que investiga as ligações do contraventor
Carlinhos Cachoeira com agente públicos e privados
e também com a possível proximidade do julgamento
do chamado mensalão, os jovens se mostram decepcionados
com o desperdício de dinheiro público que
acreditam existir. “O maior mal, infelizmente, é
a corrupção e a falta de seriedade de alguns
políticos”, dispara Letícia.
Muito
ou pouco confiantes no poder transformador do voto, os
adolescentes ao menos já deram o primeiro passo
para tentar melhorar o país fazendo valer o direito
que têm de participar da eleição.
Como a emissão do título de eleitor é
opcional na faixa etária em que se encontram, muitos
na mesma idade nem sequer consideram a ideia de opinar
nas urnas. Guilherme, entretanto, aconselha que exerçam
esse direito. “Só assim podem defender suas
ideias”, pontua.
Letícia
se diz ansiosa e ao mesmo tempo confusa em participar
das eleições e acredita que quanto antes
as pessoas se envolveram na política, melhor, mas
ressalva: “se for para votar em qualquer um, melhor
não tirar o título”. Ela diz que fará
uma boa pesquisa sobre os candidatos para ter certeza
de que votou nas pessoas certas, por mais que elas não
sejam eleitas.
Para
Guilherme, o maior problema é que grande parte
dos brasileiros se interessam pouco por política
por acreditarem que o Estado é algo muito distante
e que dificilmente será modificado. Ele acredita
que essa visão é equivocada, pois é
o povo que compõe o governo. “Uma pessoa
que não se interessa por política está
condenada a ser governada por aquelas que se interessam”,
conclui.
Fonte:
www.ig.com.br