REVISTA VEJA, A SERVIÇO DO COLONIZADOR BRANCO PELA DERRUBADA DO
MUSEU E DA ALDEIA MARACANÃ

A Revista Veja, publicou no dia 15/01/2013, matéria preconceituosa sobre os índios que ocupam a Aldeia Maracanã com a seguinte manchete: “No Maracanã, o milagre da multiplicação dos índios”. Segundo os jornalistas que escrevem a matéria, Cecília Ritto e Thiago Prado: “ocupantes do local saltaram de uma dezena para uma centena, criando na zona norte o que seria a segunda concentração indígena no estado”.

E inicia o texto desqualificando os índios, estereotipando e classificado o povo indígena que estão na ocupação, como: lumpesinato, indigente e alienado, e fundamenta com o seguinte parágrafo:
“De tênis Nike, mascando chiclete, um índio monta guarda no portão que dá acesso ao antigo Museu do Índio, na zona norte do Rio. Para os indígenas, aquele território é uma aldeia em plena Avenida Maracanã. Para o governo do estado do Rio, dono da área, o terreno será o novo estacionamento do estádio que receberá a final da Copa de 2014”.

Mas, o que leva os jornalistas abrirem o texto com a seguinte frase: o índio que monta guarda na aldeia maracanã recebeu os jornalistas usando tênis da Nike e mascando chiclete? Não seria uma expressão para denegrir a imagem do índio, colocando para a sociedade que se trata de pessoas alienadas, colonizadas pela sociedade branca?
Se os indígenas que estão lá já foram catequizados, cooptado pelo modo de “vida do branco”, ele não é mais índio, logo vale tudo, pode colocar abaixo o Museu com cacete e tropa de choque, não será?
Porque não prosperou a pancadaria e o cassetete da guarda do governo do estado? Será que a mobilização da sociedade in loco, e as denuncias nas redes sociais, da barbárie com os índios influenciaram no recuo do governo?
Analisando com cautela acredito que sim, pois os que estavam ali ocupantes, concentrados dentro e fora do museu, estavam dispostos ao confronto, sejam no campo das idéias ou na pancadaria, como queria a imprensa burguesa. Ou seja: sangue.

Por que o governador recuou da invasão pela policia de choque?
Bom! Na porta do museu, podemos dizer que estavam ali diversas lideranças do movimento social, parlamentares do PSOL, como: Marcelo Freixo, Renato Cinco, e o músico Marcelo Yuka, além de militantes dos movimentos sociais montando guarda Yuka, ao lado da “guarda pretoriana”. No portão que dar acesso a entrada da Aldeia, agiu como verdadeiro guerreiro afirmando:
“ Aqui estamos em uma resistência física e vamos ficar até terça feira, onde eles vão tentar a legalidade para poderem invadir. É uma pena, mais estaremos no embate”.

“Acredito que eles não tem base legal para ocupar, vieram com uma tropa de choque que historicamente nunca estiveram a favor do povo e não é agora que teria. Temos que nos organizar para dar visibilidade as nossas ações. Espero que o governo federal não esteja compactuando com isso. Por que todos nós sabemos quem estar por traz desse desejo, que são as forças econômicas do estado, eles estão pisoteando a nossa historia”, conclui.

Não satisfeitos, os jornalistas continuam o deboche dos índios com outra insinuação?
“Atualmente, quem quer ver índio sem tênis e celular vai à Rua das Palmeiras, em Botafogo, onde funciona o novo Museu do Índio.”
Por que direcionar o foco da questão para outro lugar, deixando claro na matéria que o índio em “Botafogo no atual museu”, não usa celular e tênis, não é preconceito e discriminação?
“Mas o projeto de abrir espaço para o novo Maracanã colocou em pé de guerra os silvícolas e o estado”.

Definição de Silvícola - Índio, aborígene, habitante primitivo do país. Segundo art. 3º, I, do Estatuto do Índio (Lei nº 6.001/73): "Índio ou Silvícola - É todo indivíduo de origem e ascendência pré-colombiana que se identifica e é intensificado como pertencente a um grupo étnico cujas características culturais o distinguem da sociedade nacional." Logo, o índio perdera a luta, por se tratar de terreno arenoso, espaço dos tribunais do homem branco, do poder econômico.

Os tribunais são espaços do homem civilizado, dos colonizados e colonizadores, do poder de estado?
Em parte, temos que admitir que a grande mídia, que esta a serviço do capital e da propaganda paga, interessa desqualificar os índios, jogando na vala comum todos que defendem os índios, como: os intelectuais, e a sociedade civil organizada.

Retrospectiva histórica: Com o objetivo de fundamentar o homem branco na figura do Desembargador, (quase deus). A matéria do jornal narra à seguinte estória:
“Deu-se, recentemente, o milagre da multiplicação dos índios no Maracanã, como mostram dois momentos da área em disputa. A Defensoria Pública da União ajuizou uma ação civil pública com o objetivo de impedir o estado de retirar os índios do local. A Justiça Federal, por sua vez, autorizou a demolição. O desembargador Marcus Abraham foi ao terreno em novembro de 2012, onde ficou por uma hora antes de dar o seu parecer. Na ação, o desembargador relata ter encontrado apenas cinco indígenas, entre as 15 pessoas que lá estavam no dia da incursão. Em conversa com os índios, foi dito a Abraham que um grupo de 20 morava ali. Na segunda-feira, ao site de VEJA, os índios disseram ser 150, de 20 tribos diferentes. Ou seja, uma espécie de ‘Rio+20’ que põe à beira da Avenida Maracanã mais índios do que em duas das três terras indígena existentes no estado. De acordo com o IBGE, o Rio tem três territórios indígenas: Guarani Araponda, com 19 moradores; Parati-Mirim, com 133; e Guarani de Bracui, com 298, segundo o Censo de 2010''.

Em nenhum momento como podemos avaliar na matéria, os jornalistas se preocuparam em avaliar a negociata do terreno, a finalidade do museu, os aspectos históricos e humanitários da causa indígena. Os fundamentos que fortalecem a derrubada do museu e a negociata que estar por trás do terreno ficaram de fora da avaliação. Por se tratar de um “deus branco”, a fala do desembargador é eivada de verdade, pois se trata de ocupação de “cinco indígenas das quinze pessoas” que o recebeu na visita.

Mas, porque apareceram milhares de pessoas no dia do despejo no sábado? Será que essa luta não é do povo carioca do povo brasileiro? Com relação a Rio + 20, a mesma reportagem enfatiza que tem mais índios em ocupação agora, do que em todo estado. Será que podemos confiar nessa fonte? Qual a finalidade dessa pesquisa? Será que não podemos opinar pela não demolição do museu do índio?

A FIFA desmentiu que apóia a demolição do museu e a expulsão dos indígenas, como fez crer o governo do estado. Quem ficará com a privatização do Maracanã? Sem comentários?
A contrapartida a demolição do Museu do Índio, segundo sugerido pelo desembargador, é levar as atividades para Botafogo, vejamos:

“Uma das conclusões a que o desembargador chega é de ser possível realizar as atividades, hoje ali existentes, em outro local. Ele sugere que as funções executadas no espaço – como as aulas de línguas indígenas, pintura corporal e dança – sejam transferidas para o Museu do Índio em Botafogo. Ao site de VEJA, Urutau rebateu: “Em Botafogo é o museu virtual. Aqui é onde há índios”, disse.

Quem visita ou deseja fazer uma visita a Aldeia Maracanã, pode testemunhar a alegria dos índios na defesa do museu, através de cânticos e atividades culturais. E isto nos engrandece como brasileiros.
Se o museu esta no abandono total ou parcial, justifica a sua demolição que segundo o jornal já se passaram mais de trinta anos?

“O antigo museu, que não funciona há 30 anos, cai aos pedaços. E isso também é ressaltado pelo desembargador. A falta de estrutura e condições mínimas do lugar atentam contra a integridade e dignidade das pessoas e dos índios ocupantes”, alerta o magistrado, na decisão”.

Porque reformar o museu atenta contra a dignidade da nossa cidade? Isto não esta implícito na reportagem.
Segundo os jornalistas, o Governador Sergio Cabral defende o estacionamento como forma de facilitar a mobilidade dos turistas que vão assistir os jogos, será?

Pessoalmente não acredito nisso, nem os intelectuais como Chico Buarque, Nilton Nascimento, Letícia Sabatella e Caetano Veloso.

Não será os acordos de campanha, as negociatas, o apoio eleitoral para governador em 2014, não será? Então vejamos:

“De repente, um grupo de pessoas invade em 2006 e quer criar factoide em torno de nenhuma referência histórica”, disse. “O espaço serviu por décadas para que os vendedores ambulantes guardassem as mercadorias em dias de jogos. Não era ocupado. O Museu do Índio é em Botafogo, com todo o acervo indígena. As pessoas que estão ali não ocupam o local desde 1406, 1506, 1606, 1706, 1806 ou 1906. Ocupam desde 2006. É uma invasão recente. Chamar aquilo de aldeia indígena é deboche”, afirmou o governador.

Porque o governador não se preocupou em chamar os índios da Aldeia Maracanã para conversar? O que a população do Rio, ganha com o abandono do lugar? Não seria melhor o governador explicar porque não tem política publica para os índios e que estar a serviço dos empreiteiros e da especulação imobiliária? Quem vai gerir este estacionamento antes e depois da Copa.

Essa pergunta a sociedade civil quer saber. Quem vai gerir o estacionamento?
Enfim, a luta continua nos tribunais. Segundo a imprensa, o governador do estado tem dez dias para recorrer, vejamos:
“Em seu despacho, o desembargador federal Raldênio Costa destacou os artigos da Constituição Federal que estabelecem o direito dos povos indígenas "sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens". O magistrado também citou o "Estatuto do Índio", que regula a situação jurídica dessas comunidades, estipulando a competência da União, dos Estados e dos Municípios, para atuar a fim de preservar seus direitos”.

Texto: Reinaldo de Jesus Cunha


Aldeia Maracanã - Vídeos

 

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